Na fazenda do meu avô: Meu irmão em cima, o filhinho do vaqueiro (loirinho), eu no meio e embaixo, a filha do vaqueiro. Era ficar horas deitada naquele travesseiro de mãe, sentindo aquele cheiro de mãe, cantando as músicas que ela me ensinou e tinha no caderninho, todo escrito a mão. Era brincar de esconde-esconde no quarteirão inteiro, sem medo de violência, com os cabelos desgrenhados. O único medo era o de voltar para casa suada demais e ter que tomar banho, de novo! Era nas férias ir para a fazenda, correr, acordar cedo e tomar leite do peito da vaca, subir em árvore, contar os bois, ir pro rio, pescar piabinhas, ter medo das vacas paridas, sentar naquela mesa farta, andar a cavalo. Acordar as 4 da manhã, com meu avô ouvindo os maiores hits sertanejos, que depois eu passava um tempão olhando as capas dos vinis, tentando entender como aquelas pessoas foram parar ali. Era sentar nas varandas, todos juntos, espalhados pelo chão, redes, cantando cantigas de infância ou músicas d...