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Bichos bichos.

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Vendo o caso desse moço que atirou no cachorrinho só porque fez xixi no jardim dele, creio que a dona dos bichinhos deveria ter tido mais medo daquele bicho que é vizinho e evitado deixar os bichinhos cachorros fazerem xixi ali. Antes eu tinha medo de vaca parida, quando andava pela roça com meus irmãos, indo pescar. A vaca só queria atacar a gente para proteger o bezerro, mesmo assim quando a gente mexia com ela ou com o bezerrinho. Eu hoje não mexeria mais na vaca, respeito certa irracionalidade que há neles, embora goste por demais dos bichos bichos e encontre neles tanto carinho e consideração que só quem tem um, sabe. Pois, a cada dia mais eu tenho medo é do bicho gente. Tenho mesmo medo desse bicho chamado humano, 'racional'...e tenho aprendido a respeita-lo, mantendo distâncias higiênicas dos que me ameaçam. Não tem mais compaixão, o amor anda frio demais e a vida (seja qual for) não vale mais nada. O respeito ao outro, nem se fala e o normal é a hipocrisia e falsidade....

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“Sejam numerosas as tuas relações, mas os teus conselheiros, um entre mil. Se queres um amigo, adquire-o pela prova e não te apresses em nele confiar. Porque há amigo de ocasião; ele não será fiel no dia da tua tribulação. Há amigo que se torna inimigo e que revelará querelas para tua vergonha. Há amigo que é companheiro de mesa, mas que não será fiel no dia de tua tribulação. Na tua prosperidade é como se fosse outro tu, falando livremente a teus servos; se és humilhado, estará contra ti e se esconderá de tua presença. Afasta-te de teus inimigos e acautela-te com teus amigos.”  (Ecl. 6:6-13)

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Mal do mundo.

"O mal neste mundo  é que os estúpidos  vivem cheios de si  e os inteligentes  cheios de dúvidas" Bertrand Russell

Irmã Dulce.

Todos os dias eu tento ser perfeita. Trato conhecidos e desconhecidos bem, fico me policiando nas mínimas coisas, me cobrando modéstia, chicoteando minhas costas com a cinta do meu pai para ser sempre bem educada, cerceando meu orgulho e demonizando meus brios pudicos, para não ser absurdamente preconceituosa, como creio ser a essência de todo ser humano (a não ser a de alguns seres iluminados como Irmã Dulce, etc). Invariavelmente dou a seta no carro para entrar à direita e à esquerda e nunca, sob nenhuma hipótese paro em fila dupla, principalmente em horario de pico, já que sei que vai atrapalhar o trânsito em no mínimo 500 metros numa avenida principal da cidade, por exemplo. Mas minhas entranhas enrolam quando vejo gente fazendo isso, e brigo e esbravejo. Nunca ouço meu som em casa de forma que imagine, de longe, que vou incomodar o meu vizinho. Nem se quiser dar uma de boazinha e tentar persuadi-lo a ter um melhor gosto musical. Não, acho isso improvável. Nessa linha de pensame...

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"Não faço visitas, nem ando em sociedade alguma – nem de salas, nem de cafés. Fazê-lo seria sacrificar a minha unidade interior, entregar-me a conversas inúteis, furtar tempo senão aos meus raciocínios e aos meus projectos, pelo menos aos meus sonhos, que sempre são mais belos que a conversa alheia. Devo-me a humanidade futura. Quanto me desperdiçar desperdiço do divino patrimônio possível dos homens de amanhã; diminuo-lhes a felicidade que lhes posso dar e diminuo-me a mim-próprio, não só aos meus olhos reais, mas aos olhos possíveis de Deus. Isto pode não ser assim, mas sinto que é meu dever crê-lo." Fernando Pessoa, ‘Inéditos’.