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Poesia.

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Quando eu era adolescente rasguei um caderno de poesias que escrevi. Não tive tempo nem memória para relembrar tantas poesias que soprei, cantei e fiz em melodia até, sozinha, deitada na cama da minha mãe, escrevendo e balançando as pernas, enquanto viajava. Eu e eu. Só eu soube. Só eu li. Cresci e reproduzi. Caíram ontem algumas lágrimas que me foram metafisicamente postas no rosto e que vieram da memória. Rememorei, então, cada página daquele caderno que guardei a sete chaves para que não me reconhecessem ali... coisas da adolescência. Rasguei e queimei umas 40 ou 50 poesias porque eram um terremoto, um maremoto e um talvez assovio, ou uma flauta doce ali. Mas eu não tinha coragem de mostrar a ninguém, já que poesias dizendo eu, o meu eu, a minha alegria em brincar pela primeira vez sozinha de escorregadeira ou que eu havia sentido saudade de alguém me pareciam vergonhosas demais. Mas a poesia voltou ontem na forma de um filho, anos depois disso tudo e vai se eternizar. A vida...

A velha amiga.

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Conversávamos sobre saudade. E de repente me apercebi de que não tenho saudade de nada. Isso independente de qualquer recordação de felicidade ou de tristeza, de tempo mais feliz, menos feliz. Saudade de nada. Nem da infância querida, nem sequer das borboletas azuis, Casimiro. Nem mesmo de quem morreu. De quem morreu sinto é falta, o prejuízo da perda, a ausência. A vontade da presença, mas não no passado, e sim presença atual. Saudade será isso? Queria tê-los aqui, agora. Voltar atrás? Acho que não, nem com eles. A vida é uma coisa que tem de passar, uma obrigação de que é preciso dar conta. Uma dívida que se vai pagando todos os meses, todos os dias. Parece loucura lamentar o tempo em que se devia muito mais. Q ueria ter palavras boas, eficientes, para explicar como é isso de não ter saudades; fazer sentir que estou exprimindo um sentimento real, a humilde, a nua verdade. Você insinua a suspeita de que talvez seja isso uma atitude. Meu Deus, acha-me capaz de atitudes, pensa...

Fugindo da média medíocre.

"Nós somos a média das cinco pessoas  que mais passamos o tempo."  Jim Rohn

..gente tóxica?

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128 de Cora.

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Os meninos verdes.

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— E a estória dos Meninos Verdes, vovó? — Então vocês querem saber a estória dos Meninos Verdes? Mas não é uma estória, é um acontecido. Me pediram para não divulgar o assunto, esperando para ver oque acontece, porque o caso é muito sério! Vou contar só pra vocês. Foi assim: “No quintal da Casa Velha da Ponte sempre tivemos horta com verduras, legumes. Também pomar com árvores de frutas variadas e jardim com flores.” O quintal é o mundo de seu Vicente, um homem que viveu sempre plantando, cultivando, colhendo. É prestadio e metediço. Certo dia, entre plantas que nascem lá, boas ou más, apareceram duas plantas diferentes. Seu Vicente estranhou, queria arrancá-las. Eu disse: — Não, deixe crescer, vamos ver o que sai daí. Com o passar dos dias, as plantas se desenvolviam de forma estranha, não eram conhecidas de ninguém. Certo foi que um dia, de manhã cedo ainda, no tempo de frio, vem seu Vicente com uma cara de espanto e me diz: — Dona Cora, Dona Cora, vem ver uma coi...

Cerne.

'Poetas e mendigos, músicos e profetas, guerreiros e canalhas, todas as criaturas desta indomável realidade, temos pedido muito pouco da imaginação, porque nosso problema crucial tem sido a falta de meios concretos para tornar nossas vidas mais reais. Este, meus amigos, é o cerne da nossa solidão.' Gabriel García Márquez - 'Cem anos de solidão'.