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6 de janeiro de 2012

Conhece-me a mim mesma.

Quer me conhecer? Tô lá nas novelas de Manoel Carlos e nas estrelas. Quer me conhecer? Vá prá rua, pro monte, prá Igreja, pros bares, para o topo da montanha e grita bem alto meu nome. Quem sabe assim, consegue. Quer me conhecer? Corte seus pulsos. Lambe os dedos depois de comer uma coisa bem gostosa, veste uma roupa folgada, não calce sapatos apertados. Observe minha incongruência e me estimule a deixar de ser eu.


Quer me conhecer? Entre nos maiores devaneios e alucinações e gaste, gaste muito dinheiro indo a psiquiatras e psicólogos. Os mais insanos, tá? Quer mesmo me conhecer? Raspe o tacho dos maiores absurdos e esquece que Leila Diniz existiu. Vá ao funeral mais triste e cante bem alto um rock progressivo, desafinadamente. Solte os cabelos, ou corte bem curto. Tatue no seu corpo uma frase bem escandalosa.


Fume todos os cigarros do mundo, com as imagens mais singelas no fundo do maço. Beba as doses mais cavalares de remédios misturados com Absinto. Ore, ore muito, misture os cânticos mais sacros com os mais profanos e ande léguas com um andor, sem absolutamente nenhum santo em cima dele.


Quer me conhecer, saber quem eu sou? Tá perguntando aí quem eu sou, quer prescrutar meu ser, meu olhar, meus gostos, meus desejos? Quer me acusar, me crucificar e até me ressuscitar? Quer me conhecer, além dos defeitos? Quer saber-me sóbria ou louca? Quer me conhecer para me bater, para me beijar ou para me enterrar?


Quer mesmo?

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