27 de fevereiro de 2012

Metáfora?

Vai e volta.

"Há pessoas pobres, mas tão pobres, que a única coisa que possuem é ... DINHEIRO."
(Armando Fuentes Aguirre (Catón))



E ainda vivem por aí buscando respostas pro que move o mundo e a relações levianas: claro que é DINHEIRO, essa resposta. Não há nada mais impressionante do que provar, constatar e atestar a diferença de tratamento dispensado a você, quando você tem ou não tem dinheiro. E leia-se dinheiro também: bens, carro, etc. 

Minha cabeça roda, então, quando vejo gente se aproximando e se afastando, na mesma velocidade, inconstância e intensidade do que eu, materialmente falando, estou vivenciando nos momentos. E, infelizmente, isso parte de pessoas da própria família. É como se sua presença, seu amor, seu carinho, TUDO que você é, quer ser, vive, pensa, compartilha com tanta gente que te admira e quer por perto, fosse reduzido a nada.

Mas, diferente de muita gente por aí, não me passa pela cabeça PROVAR nada pra ninguém, se sou ou não capaz de ter ou não ter porcaria de nada. Eu repito e vou morrer repetindo isso: EU QUERO É SER! Ser amorosa, feliz, saudável, grata, espirituosa, amada, leal, coerente e muitas outras coisas mais, em detrimento de TER, TER e TER. Não estou sendo simplória, até porque sei bem que conforto, dinheiro e tudo que ele oferece e proporciona são ótimos, não seria burra de não admitir isso, até porque já tive, tenho e posso ter, a qualquer momento. 

O que me angustia é DEFINIR as relações, estabelecer inconscientemente abismos entre pessoas por causa disso. A ultima coisa que observo em alguém que me relaciono é se tem dinheiro, carro, bens, ou não. Não sou santa não, sou é especial. Não sou burra não, não sou é oportunista e me orgulho muito disso. Provar e atestar essa diferença de tratamento só delimita pra mim, quem merece mesmo minha atenção, meu amor, minha consideração, independente de quem seja, se corre o mesmo sangue na veia, ou não.

Eu consigo até amar incondicionalmente, mas respeito o direito de quem não quer amar igual. Também recorro às minhas entranhas e respeito o meu amor próprio, de não querer ser humilhada quando alguém me coloca numa situação inferior, até quando ela IMAGINA que estou numa situação inferior. Na verdade, o que acontece é que tem gente que sequer sabe amar, cuidar, ser presente ou ao menos agradar a quem realmente gosta. Repito, mesmo tendo o mesmo sangue correndo nas veias. 

Decidi viver sozinha e foi sim, uma decisão coerente com toda uma situação. Estou adolescendo ainda na vida, portanto, do ponto de vista estrutural, justamente porque não sou e nunca serei oportunista. Quero, antes, viver feliz e amar, amar muito, que é o centro de tudo que meus pais me ensinaram, especialmente minha mãe, me ensinou. Ela amou incondicionalmente, sem ambicionar nada mais do que fazer felizes aos que estavam perto, pobres ou ricos. A diferença é que ela não foi tão feliz quanto queria e eu quero!

E eu sigo tendo minha casa, meu carro, que, infelizmente, entrou pra estatística dos furtados na minha cidade (e afastou algumas pessoas depois que fiquei sem ele..opa, que legal!..eu vou comprar outro, viu?) e tendo e tendo tudo que as pessoas normais desejam, mas mesmo assim, a competitividade e a exclusão se revelam. É porque ela não tem o que EU tenho e vive como eu NÃO viveria.  Fácil separar, cortar e delimitar espaços que deixam de ser espaços e passam a ser oceanos de distância, como se fosse ser acionado para qualquer circunstancia embaraçosa. Me poupem! Isso não é amar e eu decidi que quero amor, muito amor ao meu redor.


Mas, por certo tudo continuará dentro da sua normalidade, até que eu exploda mais ainda em indiferença, explodindo meu amor próprio e meu orgulho nefasto e imbecil de humana. Eu sei que é preconceito, diferenças abismais que impedem a convivência pacífica e eu me coloco agora de novo como uma pseudo-santa, sabendo-me capaz de viver com qualquer pessoa, aceitando suas escolhas e opções, porque TAMBÉM foi esse ao cristianismo que minha mãe me ensinou. 

Me angustia saber que a discriminação e o preconceito afastam as pessoas tão fortemente ainda. Algumas pessoas simplesmente não conseguem ouvir o coração e, mesmo amando ao outro, quebrar as amarras que impedem de acolhe-lo, ama-lo, simplesmente, simplesmente. Colocam sempre o outro numa condição inferior, sem sequer saber se são mesmo inferiores. Eu não sou inferior, mas nem queria ter que dizer isso. Não preciso, não necessito provar nada pra ninguém e NÃO QUERO QUE NINGUÉM ME PROVE NADA TAMBÉM. 

Dito tudo isto, me emociona bastante o fato de que parece que a premissa de que 'família é aquela que você escolhe' é a mais pura verdade. E aí eu elejo, a vida e Deus me presenteiam com pessoas as quais, então, eu mimo mesmo, trato a pão-de-ló quem a mim trata da mesma forma, independente de quem seja, se tem grana ou não, repito também. E o sangue corre quente nas veias, como se fossem iguais. Melhor seria, se iguais fossem, mas se não o são, passam a valer até mais, por terem sido escolhidos.

21 de fevereiro de 2012

..20 de saudade.

20 de fevereiro, 20 anos da morte da minha mãe, ontem. E parece que foi ontem. Ainda, sempre, muita saudade, mainha.

17 de fevereiro de 2012

...

'Já passou, agora já passou..
Mas foi tão triste que eu não quero nem lembrar.
Ver você, ter você,
E querer mais de nós dois não tem nada demais..'

(Lobão)

16 de fevereiro de 2012

Hoje.

Por mais bobos e corriqueiros que sejam os atos e as palavras, é sempre, sempre prudente PENSAR antes de fazer ou falar.

15 de fevereiro de 2012

Randômico.

'Você sabe, um sentimento não trai. Um bom sentimento não trai. 
Você sabe, um sentimento não trai, um bom sentimento não trai.' 

(Cidade Negra)

10 de fevereiro de 2012

Cosmicandance.

Tenho sentido vontade de dançar mais, mais e mais. Não seria jamais aquela dança pre-formatada, ensaiada, performática, não. Até porque dança prá mim é a elevação do corpo ao encontro do que a música lhe encaminha. O caminho é você quem faz, através do seu corpo, claro. É sua mente que leva seu corpo a revelar os sentimentos e as reações que a música lhe incita a revelar.

Uma viagem sensorial incrível, que só você sabe conduzir e se deixar levar. O solto, o livre, o vôo. A dança solitária, meio insana, meio sacra, até. Sacra porque há até o encontro com sua fé, batendo de frente com toda uma criação reprimida, onde as manifestações assim são reprovadas, por serem carnais. Mas aí os ossos, o sangue, o sol que frita, a lua que te esnoba e manda energia, leva e leva. A terra chega a te pisar.

Tenho sentido vontade demais de dançar mais. Dançar muito, solta, livre, meus braços, minhas pernas, minha cabeça voando, meus olhos trancados olhando só prá dentro, como sempre. Tenho sentido vontade de dançar sentindo vibrar a terra, foqueteando os pensamentos, jogando prá fora os grandes e os pequenos problemas, que, nesse momento, deixam de existir. 

Dançar, dançar e dançar, com a vontade de soltar todos os monstros, os bichos e os anjos. Os anjos dançando comigo num movimento lindo, ensaiando coreografias para o infinito e os monstros sendo vistos já fugidios. O sangue enxergando o pulsar, no ritmo, o corpo sentindo a vida, a terra, em mensagens subliminares de vitória e êxtase. Eu quero dançar assim, chorando, sorrindo, com os braços abertos, livres, como se lá do outro lado o meu outro EU me esperasse sempre, pra me abraçar.

Estou com muita vontade de dançar. Sentir a dança, a energia que me faz, sim, voar. Me devolve à terra depois de limpar meus anseios e sentimentos ruins. Estou com muita vontade de dançar. Dança-me a dança da vida, do amor, da sorte e da alegria, do mistério e da paz.

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A Era do Silicio Capitulo 01-Nazca DJ Set 2011


7 de fevereiro de 2012

Súplica reeditada.

Pai nosso e dos exilados, dos deprimidos, das meninas vendidas à prostituição, dos curdos, das aeromoças, dos ianomâmis, dos carvoeiros, das juízas, dos mineradores chineses, dos médicos legistas, dos cabelereiros, das noviças, dos poetas, das atrizes, dos teólogos, das massagistas, dos meus filhos e netos, dos ateus, das motoristas de ônibus, dos carcereiros.
Que estás no céu, na terra, no vácuo, no hades, no patíbulo, na floresta, na sala de hemodiálise, no cabaré, na UTI, no acampamento dos sem-terra, na catedral, na sala de tortura, no asilo de velhos, no botequim, no matadouro, no quartel, na ambulância, no escafandro, no aeroporto, no palco, na piscina, no hospício.
 Santificados sejam o teu nome, a ideia que fazemos de ti, o livro que escrevemos sobre ti, a música que cantamos sobre ti, os planos de paz que organizamos pensando em ti, a mulher que tocamos por seguirmos a ti; e o futuro que sonhamos por ousarmos te chamar de Pai.
 Venha o teu reino. Sentimos a urgência não de ir até aí, mas de demonstrar aqui neste planeta diminuto a aspiração que está no além. Queremos nos enraizar neste chão para fazer algo novo, algo que se sobreponha ao que já se construiu na história. Acontece que somos inadequados, claudicantes e egoístas. Incentiva-nos a querer mostrar lampejos do que seria a vida se vivêssemos, minimamente, teus valores. Faze-nos subversores do inexorável, sabotadores das sinas, revolucionários do amanhã. Precisamos da esperança que desvela outra realidade, outro mundo, outra forma de viver.
 Seja feita a tua vontade na terra como ela é feita no céu. Desde a criação decidiste que homens e mulheres tomariam os rumos da história. Tu assinalaste a eles a responsabilidade de disseminar bondade e não crueldade, equidade e não injustiça, criatividade e não opressão, liberdade e não escravidão. Anima-nos para que possamos incubar vida, parir oportunidade, perenizar o bem e assim estreitar esse abismo que nos separa de tua morada.
 O pão nosso de cada dia, nos dai hoje, mas que este pão nos alimente física, emocional e espiritualmente. Não nos deixe satisfeitos com a ração que nos apequena em nossa humanidade. Temos fome de sentido, carecemos de afetos, ansiamos por beleza, desejamos transcendência. Dá-nos gula de palavras; e que as palavras, transformadas em versos, nos saciem de eternidade.  E que as parábolas, temperadas de metáforas, se transformem no banquete que nos salva no dever inclemente de sobreviver, só sobreviver.
 Perdoa a nossas dívidas bem como as ofensas grosseiras de quem ataca a adolescente, o homossexual, o pobre, o negro, o cigano, o gari, o porteiro, a babá, o garçom, o pedreiro, o trovador, a enfermeira, a maria-ninguém.  Somos cruéis uns com os outros, lentos em reconhecer a dignidade alheia. Mordazes, desaprendemos a respeitar dores. Inclementes, desonramos sonhos. Insensíveis, não paramos para ouvir queixas. O perdão nos livra dos grilhões que nos aferramos com o endurecimento. Precisamos de misericórdia, antídoto que nos salva do veneno que tentamos inocular nos outros. Falta-nos a percepção que revidar só expõe a soberba de nos achar melhores e mais privilegiados que os demais.
Assim como perdoamos aos nossos devedores, não nos deixa aspirar de ti nada além do que fazemos pelo próximo. Não te sintas obrigado a nos absolver mais do que absolvemos, a nos compreender mais do que compreendemos, a nos proteger mais do que protegemos. A régua que medirmos deve ser a mesma que esperamos ser aferidos. Que nossa balança não se vicie. E que nós nos identifiquemos no próximo, única forma de amá-lo.
Não nos deixe cair em tentaçãoLivra-nos do mal, que é a desgraça de cobiçar poder, honra e glória. Lembra-nos: cobiçar poder transforma anjo em diabo e homens em demônios. Que não nos iludamos com caminhos largos, com brilho intenso ou com segurança de riqueza sem fim. Desperta-nos para a vida do Nazareno que desprezou valer-se do divino em sua árdua trilha humana. Sem apelar para poderes sobrenaturais, ele se fez gente. Foi grande porque não fugiu da morte estúpida e banal que os opressores lhe impuseram. Dá-nos a serenidade de não nos seduzir pela mentira de que existe outra senda senão a que ele escolheu.
Amém.
Soli Deo Gloria

|E se eu só olhar?


Tão bom quando alguém entende o que você quer dizer, antes de você dizer. Tão bom quando você abre a boca e diz alguma coisa e alguém sabe que não é aquilo que você gostaria mesmo de dizer. Tão sensacional quando o olhar fala mais do que horas e horas de palavras soltas ou amarradas. Tão bom quando alguém imagina o que você está pensando, facilitando, assim, a movimentação em torno do que precisa ou deve acontecer, e acontece sem que palavras sejam ditas.

Da mesma sorte, quão maravilhoso é quando pessoas simplesmente entendem que você não as deseja por perto e somem da sua vida, respeitando esse seu desejo. Ou, um simples olhar reprovador, por estar num mesmo ambiente, ou um movimento de indiferença, faz com que esse desejo de afastamento se mostre mais forte e fatal. De uma forma ou de outra, acho incrível quem tem a sensibilidade, perspicácia e sagacidade de entender as entrelinhas das coisas e situações.

Não é todo mundo que tem essa sagacidade e eu preciso entender isso de uma vez por todas. Ainda espero, até de forma ingênua (sim, ingênua), que alguém me entenda, antes de eu dizer. Que entenda o meu olhar, meus trejeitos, meus sorrisos, meus olhares, meu tom de voz, meu arrastar de correntes, minhas meias palavras, meu discurso de horas. Mas, não entenda apenas o gesto em si, mas as entrelinhas do que está acontecendo, no contexto mais especial do momento.

Talvez eu fale horas, só para tê-lo perto, mais perto e não pelo assunto em si. Talvez eu ligue no meio da tarde, doentinha, perguntando como você está, só para 'ouvir um dengo' e, quem sabe, um arroubo desesperado de vir cuidar de mim, mesmo sem poder e eu saber que não vai poder. Quem sabe eu sorria, mas esteja odiando, ou apenas ironizando. Quem sabe eu chore, mas de amor, emoção. Quem sabe eu não diga nada, mas meu olhar já disse tudo que eu queria dizer e ele mesmo falou por horas a fio, num olhar de um segundo apenas.

O tempo vai revelando e ampliando essa prazerosa simbiose. E eu fico me debatendo, tentando antecipa-lo em algumas pessoas, cortando as juntas da naturalidade, depois, me auto-flagelando. Naturalmente me pego olhando de formas diferentes, para algumas pessoas que começo a conviver, para ver se elas 'entendem ' o que quero 'dizer'. Me pego dando tiros no pé quando a carência bate e eu suplico atenção, depois de jogar todas as armas de sedução sutis e, infelizmente, não ser entendida. E mais, ser realmente mal interpretada, como alguém que está com melindres.

O outro esquece em como desperta em você a simbiose, em como já desenvolveram uma intimidade tal que  dá o desejo de infiltrar coisas assim, transbordando sensibilidade, carinho, simbiose, amor, troca de energia, sintonia fina, etc. Pode ser natural, mas também pode ser adquirido, desenvolvido. Uma amiga que tive sabia quando eu estava feliz, apenas pelo modo como eu sentava. Meu ex marido sabia que quando eu balançava o pé, sacudia com rapidez, é porque eu estava muito, mas muito zangada.

Quero ir deixando cada vez mais as palavras de lado, a verbalização, a oralidade e conseguir alcançar a delicia de ser entendida e entender mais o que o corpo fala, também o que há nas entrelinhas, principalmente do que vem da parte dos que eu amo: As ações, as reações, o contexto, um ato ali, isolado, mas que pode ter um significado imenso, quero entender para que eu possa me antecipar em satisfazer os seus desejos, acarinha-los, guiá-los, sem precisar muita coisa. Vai ser bom, vai ser bem melhor.

1 de fevereiro de 2012

"Sempre oriento a minha vida para aceitar uma derrota com dignidade, 
ao invés de insistir por uma vitória desonesta."

(Roberto Shinyashiki)

29 de janeiro de 2012

Hoje.

Oh, Deus, ponha em minha vida coisas e pessoas que valham a pena gastar meu tempo e minha energia. Me livre dos pobres de espírito, dos que sugam minha caminhada, puxando pra baixo minha energia. Ao mesmo tempo, obrigada pelas pessoas que me fazem bem, me trazem leveza, luz, paz, amor sincero e ao menos um pouco de esperança ainda no ser humano. Entendo que há algumas coisas que não mereço, por ser absurdamente falha, mas, preciso. Confio, muito. Me guia, me ilumina, me dá sabedoria sempre, tranquilidade, temperança. Me livra dos pensamentos ruins, melancólicos. Me faça enxergar a vida sempre como uma dádiva, uma passagem que deve ser plena e sempre feliz, independente das circunstâncias. Tendo ou não tendo bens, dinheiro, etc, me ajuda a ser sempre a mesma, feliz, grata, com o espírito humilde e agradecido. Me protege, a mim e aos que amo. Me guia e me dá sempre TEU colo, que é o que eu estou acostumada a ter, em uma dependência, única e prazerosa.  

Amém.

26 de janeiro de 2012

Singular/Plural

Conquista, consegue, tem, acostuma, perde, sofre, frustra, morre.

Conquistam, apaixonam, conseguem, tem, amam, vivem, morrem.