24 de agosto de 2016

...

Quintana.

"Tão bom viver dia a dia...
A vida, assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como essas nuvens do céu...
E só ganhar, toda a vida, 
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas..."

Mario Quintana

7 de agosto de 2016

Nó na garganta.


Andei o tempo todo com o nó na garganta. Sinto na pele a dor e o sofrimento de uma mãe e de um pai que representam o sentimento de inúmeros pais e mães, País afora. Ali, com o nó na garganta, vi os jovens que amam e querem amar sem preconceitos, sem discriminação. De cabelo cor-de-rosa, com seus piercings, com suas tatuagens, os que não curtem tatuagens nem piercings, mas gostam dos que gostam de tatuagens e piercings. O meu nó na garganta é também de vergonha. Vergonha de ver a contradição em que o ser humano se tornou. A cada passo que dou, sinto como se o chão se abrisse e eu me visse ali, no lugar de cada um que anda, juntos, por apenas um outro ser humano, ao qual também me coloco no lugar.

O chão se abre e eu vejo meus próprios defeitos, minha própria história de vida e me sinto envergonhada por tantas vezes julgar precipitadamente aquela menina linda de cabelo rosa, sem saber sua história, seus dissabores, suas alegrias, suas intenções. A minha auto dissecação também passa por aquela criança que fui, feliz, alegre, cercada de cuidado e amor, assim como foi a do ser humano objeto da minha manifestação ali. E se fosse eu sendo escrachada, maltratada, espancada? 

Minha auto comiseração passa pelo ponto de que eu sou todos ali. Meu filho também. Preciso respeitar mais as pessoas. Preciso parar de julgar mais as pessoas e, por isso, meu nó na garganta explode. Minha vergonha em julgar tantas vezes me coloca no lugar daquele espancador e, até chegar lá, preciso baixar minhas guardas e me perdoar por tantas vezes estar no lugar dele, mesmo não chegando às vias de fato, ferindo fisicamente e maltratando. Cada passo que dou mostra um filme. Um filme com vários personagens que eu maltratei e coloquei na UTI e, quem sabe, não cheguei a matar, mas feri.

É certo que existe o lado bom e o lado ruim de tudo que nos cerca. Coisa boa e coisa ruim. Comida boa e comida ruim. Veneno e remédio. Gente boa e gente ruim. Mas, se eu não conhecer, como vou saber? A comida ruim pro outro pode ser a delícia gastronômica dos deuses para mim. E eu preciso que respeite aquilo que eu gosto, se isso não lhe fere. Basta não comer do que eu como e respeite minha comida. 

Já fui maltratada algumas vezes e me senti sozinha. Ver aquelas pessoas ali, juntas, em prol de uma só, me emociona profundamente. Cada passo que eu dou coloca um espelho à minha frente. E choro porque são jovens amorosos, com os corações cheios de esperança, futuros, sonhos, onde o RESPEITO é a principal meta. Ouvi relatos vindos de jovens que não estão dentro dos estereótipos acentuadores de preconceito, mas mesmo assim já foram agredidos, por uma cor de pele ou por uma roupa que vestiam. O que me dá o direito de rechaçar alguém, o outro, por tais motivos? Quem sou eu na fila do pão para me colocar numa situação melhor ou pior do que o outro, ao ponto de bater, maltratar?

Repito, entendo que existem pessoas ruins, provocadoras, mas, o meu livre arbítrio, meu direito de ir e vir também me dá a liberdade de simplesmente optar em ter ou não essa pessoa caminhando comigo. Mas essa experiência tem que ser pessoal e será minha. Não posso obrigar o outro a ter a mesma postura. Ali, caminhando com várias pessoas em prol de uma só vida, tínhamos uma certeza em comum, a de que aquele menino foi injustiçado, maltratado por uma pessoa que precisa pagar por não respeita-lo e ir além do que um ser humano tem que ter em mente: nada justifica a violência, principalmente a embasada em abuso de poder. Falta  RESPEITO entre as pessoas e isso esbarra em limites.

Todos concordavam ali que o amor é a base de tudo. Me sinto sendo transformada a cada passo que dou. Cada jovem ali me deu uma sacudida, sem saber que estava fazendo isso. Preciso respeitar mais as pessoas. Preciso amar o rico, o pobre. Preciso aceitar que alguém é diferente de mim, que alguém ama diferente de mim, que as pessoas são diferentes. Isso pode parecer lugar comum, mas, infelizmente, os jovens estão sem esperança, perdidos, sozinhos, e isso me faz sentir muito, lamentar por um mundo que EU ajudei a criar, onde adultos ferem uns aos outros e a paz anda cada vez mais perdida. E me emociono em ver que ainda há esperança, por causa desses jovens ali, daquelas pessoas ali, caminhando comigo.

Aqueles jovens e aquelas pessoas ali estavam lutando e protestando por JUSTIÇA, por paz, e, muitas vieram agradecer por estarmos caminhando ali, juntos, como se eles estivessem sendo agraciados, sentindo-se acalentados, protegidos. Ao passo que, depois que entrei nessa empreitada de acompanhar esse caso, aprendi e fui muito, mas muito mais agraciada por eles do que eles por mim. 

Meus filhos, jovens como eu, mas ainda buscando muito mais certezas do que eu, precisam viver num mundo melhor e eu tinha muito pouca ideia de que estavam cercados de tanto amor. Poderiam ser eles ali no lugar do rapaz agredido e, por eu ser humana, num sentimento egoico, carregava mais ainda o tal nó na garganta.



5 de agosto de 2016

RIP


Vander Lee, você se foi daqui cedo demais..:-(

Alma Nua

Ó Pai
Não deixes que façam de mim
O que da pedra tu fizestes
E que a fria luz da razão
Não cale o azul da aura que me vestes
Dá-me leveza nas mãos
Faze de mim um nobre domador
Laçando acordes e versos
Dispersos no tempo
Pro templo do amor
Que se eu tiver que ficar nu
Hei de envolver-me em pura poesia
E dela farei minha casa, minha asa
Loucura de cada dia
Dá-me o silêncio da noite
Pra ouvir o sapo namorar a lua
Dá-me direito ao açoite
Ao ócio, ao cio
À vadiagem pela rua
Deixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima

Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cima
Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido
De me apaixonar todo dia
De ser mais jovem que meu filho
E ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho
Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio Deus
Viver menino, morrer poeta

25 de julho de 2016

Sensacional.


"Se me arrependo de algo, digo aqui e bordarei: 
foi ter saído de mim para deixar alguns entrarem..". 


1 de julho de 2016

Sororidade.




Aí eu me deparo com essa notícia hoje. 

Uma das mulheres mais bonitas do Brasil, modelo famosa, hoje com uma vida bem estruturada, sendo agredida brutalmente pelo atual companheiro. Meu estômago revira, sinto ânsia de vômito, ao mesmo tempo que minhas vísceras se contraem com sentimentos de raiva, de ódio, de indignação. E com a reflexão de que, independente da mulher, que ela seja pobre, rica, linda, modelo, feia ou amarela, ela pode ser vítima de um companheiro violento e de uma relação abusiva.

E corri para escrever porque me vi ali no lugar da Luiza. Sim, e no lugar da Joana, da Tereza, da Maria. De qualquer uma, porque já passei por isso em uma situação que jamais imaginaria passar. E, pasmada, ainda sigo sabendo que o agressor está por aí a repetir suas agressões, suas manipulações destrutivas e se comportando como um bom moço, dizendo aos quatro ventos que são 'normais' brigas e agressões entre casais. 

E imagino que a Luiza, linda, viu sua auto estima desmoronar, tentou sublimar isso várias vezes, na tentativa de não se expor. Até ter suas costelas quebradas, tendo certeza de que ali sim, não podia mais se mover direito em direção ao seu bem estar. Que as marcas deixadas, indeléveis, em sua alma, agora são transferidas para seu corpo. E eu vi as marcas roxas em meu corpo me dizendo, enquanto não sumiam, que eu era culpada por estar ali daquela forma. Que eu estava permitindo isso por essa e por aquela razão, então, que eu sofresse mesmo sozinha aquilo tudo. Que eu merecia. Ainda hoje ao relatar a algumas pessoas esse fato, sinto um ar de banalização e um olhar de acusação..até de mulheres.

Até que um dia acordei. E Luiza deve ter acordado, reunido forças e ido denunciar um covarde que, óbvio, não sabe tratar seus problemas de forma equilibrada e simplesmente seguir em frente. Não, ele precisa agredir, bater, socar alguém mais frágil que ele. Me julgo uma mulher forte, mas fui imobilizada e recebi socos na barriga e jogada ao chão, para poder ser mais imobilizada ainda e ser mais agredida ainda. Isso, seguido de xingamentos e palavrões que imagino a Luiza também já deva ter ouvido. 

E hoje abomino qualquer tipo de relação abusiva. Não aceito que nenhum homem fale comigo com poucos decibéis a mais do que o bom tom de voz seja aceito. Olho logo a possibilidade de chamar a Polícia e pessoas ao redor se vejo algum comportamento abusivo, seja comigo ou com outrem. Relações abusivas podem surgir de onde você menos imagina: de irmãos, de pais, de tios, primos, amigos. Não há mais como aceitar isso e carrego comigo a revolta de não ter ido denunciar um ser desprezível que ainda me ameaçava e do qual tive que fazer de tudo para conseguir me livrar. O medo da exposição, a vergonha, do opróbrio, a autocomiseração me consumiam e até hoje ainda, de certa forma me consomem.

Nunca passa. Antes ficava imaginando como a mulher se colocava numa situação assim e porque simplesmente não reagia e não saía dela. Hoje sei o quanto é difícil e, muitas vezes, impossível sair, sem antes percorrer caminhos terríveis de vergonha e situações extremamente ameaçadoras, envolvendo filhos e etc. Volto a dizer que isso tem que acabar. Tenho ouvido relatos de relações entre jovens que os rapazes agridem as moças com xingamentos e violência física e elas aceitam como normalidade. Não, meninas, não é normal! 

Ao menor sinal de falta de respeito, procure alguém do tamanho dele e denuncie! Faça-o saber que não está sozinha, porque qualquer covarde se sente ameaçado por alguém maior. O covarde pode até usar uma arma ou algum escudo contra você, mas não poderá usar isso contra autoridades ou contra sua família e amigos de verdade. Um covarde pode até ser valente, mas em algum momento mostrará que só consegue bater em você, porque você é o alvo mais fácil que ele encontrou, por SABER TUDO SOBRE VOCÊ. Em se tratando de companheiro, saberá seu ponto frágil, tentará te desmoralizar, acabar com sua auto estima e uma auto estima de uma mulher quando destruída, muitas vezes, desmorona todo o resto.

Não tente revidar suas agressões físicas porque você não vai conseguir. O homem é mais forte fisicamente muitas vezes e um covarde triplica sua força quando sabe que está sendo ameaçado pela sua presa favorita. Seria assim com um cachorro, um gato, algo menor que ele. O covarde agressor não te respeita mais, então, não caia na armadilha das suas palavras mais brandas, nos seus momentos de total 'desespero', urrando por perdão. É mentira! Ele vai voltar sim a te agredir quando você menos esperar. Não acredite mais e se afaste dessa remota possibilidade.

Falas e movimentos machistas demais, piadas em tons degradantes, comportamentos repressores são sempre um sinal de alerta. Sim, pode parecer radical, mas me armei com um arsenal bélico mais inteligente desde então. Me afasto sim, seja qual for o grau de proximidade que esse ser tenha de mim. 

Sinto sim pela Luiza, como creio que ela jamais saberá que sinto. Sinto por todas as mulheres agredidas, estupradas, violentadas diariamente, que precisam conviver com homens desrespeitosos, infames, sem respeito pela própria mãe, talvez. Me tornei alguém que trata disso com muita seriedade porque parece que algo só passa a ser sério mesmo quando acontece com você. E Luiza vai conseguir continuar linda sim, enquanto o covarde lá, vai continuar agressor, só que com uma diferença: agora sendo um agressor violento denunciado.

Aí eu vou seguir em frente, linda, maravilhosa, mas com o sentimento de que não denunciei quando deveria, mas que isso tem que acabar. Ao menos comigo, já acabou.

9 de junho de 2016

7 years


Once I was seven years old my momma told me
Go make yourself some friends
Or you'll be lonely
Once I was seven years old
It was a big big world,
But we thought we were bigger
Pushing each other to the limits,
We were learning quicker
By eleven smoking herb
And drinking burning liquor
Never rich so we were out
To make that steady figure
Once I was eleven years old
My daddy told me
Go get yourself a wife
Or you'll be lonely
Once I was eleven years old
I always had that dream
Like my daddy before me
So I started writing songs,
I started writing stories
Something about that glory
Just always seemed to bore me
Cause only those I really love
Will ever really know me
Once I was 20 years old,
My story got told
Before the morning sun,
When life was lonely
Once I was 20 years old
I only see my goals,
I don't believe in failure
Cause I know the smallest voices,
They can make it major
I got my boys with me
At least those in favor
And if we don't meet before I leave,
I hope I'll see you later
Once I was 20 years old,
My story got told
I was writing about everything,
I saw before me
Once I was 20 years old
Soon we'll be 30 years old,
Our songs have been sold
We've traveled around the world
And we're still roaming
Soon we'll be 30 years old
I'm still learning about life
My woman brought children for me
So I can sing them all my songs
And I can tell them stories
Most of my boys are with me
Some are still out seeking glory
And some I had to leave behind
My brother I'm still sorry
Soon I'll be 60 years old,
My daddy got 61
Remember life
And then your life becomes a better one
I made a man so happy when
I wrote a letter once
I hope my children come and visit,
Once or twice a month
Soon I'll be 60 years old,
Will I think the world is cold
Or will I have a lot of children
Who can warm me
Soon I'll be 60 years old
Soon I'll be 60 years old,
Will I think the world is cold
Or will I have a lot of children
Who can hold me
Soon I'll be 60 years old
Once I was seven years old,
My momma told me
Go make yourself some friends
Or you'll be lonely
Once I was seven years old
Once I was seven years old

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Lukas Graham

27 de maio de 2016

Mudança na união masculina.



A ideia é a de que os homens sabem ser amigos. Eles são coniventes. Eles se cumprimentam com palavrões mas no fundo são super brothers. Eles conseguem passar horas juntos, em bandos, tomando cerveja, bebendo e falando sobre futebol e mulheres. Sim, os homens são muito companheiros mesmo. Enquanto a fama é a de que as mulheres se digladiam, disputando esses mesmos homens muitas vezes, eles são fiéis uns aos outros e lavam suas honras quando vilipendiados, traídos, passados para trás. Ainda mais se o objeto dessa traição for uma mulher. Ainda mais se o objeto dessa traição for uma mulher em comum.

Esse caso de uma menina de 17 anos estuprada por 33 homens é apenas um dos casos horríveis que sabemos todos os dias, embora seja horrível. Embora ainda há muito o que mudar quanto às mulheres, já estamos mais que unidas e hoje não suporto mais essa ideia de que os homens são comparsas e as mulheres são inimigas. Já basta disso. Já basta de ver mulheres  (não importa a classe social, a cor, o gênero, a idade) serem abusadas, destratadas, perseguidas, aprisionadas por homens e moleques machistas e que usam escudos para se protegerem. Ouvir de irmãos, filhos homens, pais, amigos,  expressões machistas  e não nos prepararmos para extinguir isso nos fazem inimigas, passivas. Vamos nos tornar iguais a eles na parceria, na conivência, na proteção coletiva, na denúncia, no aconselhamento, na união.

Esses homens doentes desse estupro tem que ser punidos de maneira severa e esses homens 'normais' que estão perto de nós, que diante de qualquer pressão (ou não) querem ser egressivos, machistas, misóginos, tem que saber que, ou mudam suas posturas, ou tem que mudar sua opção sexual. Ou tem que passar a viver sós, sem uma mulher do lado que seja compreendida enquanto mulher, humana, dona de sensibilidade sim, mas também de fortaleza e toda e qualquer outra propriedade cognitiva dita apenas masculina. Força física não é motivo para desrespeito e não deve servir de escudo para o homem. E é disso que qualquer homem covarde se vale.

Enquanto eu não enxergar os homens se unindo também contra essa selvageria masculina não vou sossegar. Já passou do tempo de vermos mudanças e acabar com essa loucura doentia masculina. Se reúnam agora para defender as mulheres e não apenas suas mães, suas filhas, suas irmãs. Parem de uma vez por todas de se reunirem para denegrir as mulheres e briguem por isso! Chega de querer ser macho fazendo parte de uma 'macharada' que desrespeita as mulheres e as tratam como coisas ou como uma bola de futebol. E seja a mulher o que for, o que diga, o que queira, o que mostre, ela não merece desrespeito de ninguém. A união masculina em torno de preferências masculinas tem que passar pela preferência em respeitar as mulheres e protege-las deles mesmos, infelizmente.

23 de maio de 2016

Medidas protetivas previstas pela Lei Maria da Penha.


A Lei n. 11.340, conhecida popularmente como Lei Maria da Penha, entrou em vigor em 2006, dando ao país salto significativo no combate à violência contra a mulher. Uma das formas de coibir a violência e proteger a vítima asseguradas pela norma é a garantia de medidas protetivas. Elas são aplicadas após a denúncia de agressão feita pela vítima à Delegacia de Polícia, cabendo ao juiz determinar a execução desse mecanismo em até 48 horas após o recebimento do pedido da vítima ou do Ministério Público.
Esse é um dos mecanismos criados pela lei para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar, assegurando que toda mulher, independentemente de classe, raça, etnia, orientação sexual, renda, cultura, nível educacional, idade e religião, goze dos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana e tenha oportunidades e facilidades para viver sem violência, com a preservação de sua saúde física e mental e seu aperfeiçoamento moral, intelectual e social.
Pela lei, a violência doméstica e familiar contra a mulher é configurada como qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. Diante de um quadro como esse, as medidas protetivas podem ser concedidas de imediato, independentemente de audiência das partes e da manifestação do Ministério Público, ainda que o Ministério Público deva ser prontamente comunicado.
As medidas protetivas podem ser o afastamento do agressor do lar ou local de convivência com a vítima, a fixação de limite mínimo de distância de que o agressor fica proibido de ultrapassar em relação à vítima e a suspensão da posse ou restrição do porte de armas, se for o caso. O agressor também pode ser proibido de entrar em contato com a vítima, seus familiares e testemunhas por qualquer meio ou, ainda, deverá obedecer à restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço militar. Outra medida que pode ser aplicada pelo juiz em proteção à mulher vítima de violência é a obrigação de o agressor pagar pensão alimentícia provisional ou alimentos provisórios.
Os bens da vítima também podem ser protegidos por meio das medidas protetivas. Essa proteção se dá por meio de ações como bloqueio de contas, indisposição de bens, restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor e prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica. De acordo com a lei, o juiz pode determinar uma ou mais medidas em cada caso, podendo ser substituídas a qualquer tempo por outras de maior eficácia, sempre que os direitos reconhecidos pela Lei Maria da Penha forem violados.
A lei também permite que, a depender da gravidade, o juiz possa aplicar outras medidas protetivas consideradas de urgência. Entre elas, está o encaminhamento da vítima e seus dependentes para programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento, determinar a recondução da vítima e de seus dependentes ao domicílio, após o afastamento do agressor e determinar o afastamento da vítima do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e recebimento de pensão. Sempre que considerar necessário, o juiz pode requisitar, a qualquer momento, o auxílio da força policial para garantir a execução das medidas protetivas.

Qualquer pessoa pode denunciar casos de violência contra mulheres. Basta ligar 180.

Agência CNJ de Notícias

http://www.cnj.jus.br/cq7j

14 de maio de 2016

Chico

'Dormia a nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações ...'

Buarque