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22 de junho de 2017

Enfim o chapéu violeta.

Aos 3 anos: Ela olha pra si mesma e vê uma rainha.
Aos 8 anos: Ela olha pra si e vê Cinderela.
Aos 15 anos: Ela olha pra si mesma, vê uma bruxa e diz: 'Mãe, eu não posso ir pra escola deste jeito!'
Aos 20 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, decide sair, mas vai sofrendo.
Aos 30 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar; então vai sair assim mesmo.
Aos 40 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou uma boa pessoa, e sai mesmo assim.
Aos 50 anos: Ela olha pra si mesma e se vê como é. Sai e vai pra onde ela bem entender.
Aos 60 anos: Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo.
Aos 70 anos: Ela olha pra si mesma e vê sabedoria, risos, habilidades. Sai para o mundo e aproveita a vida.
Aos 80 anos: Ela não se incomoda mais em se olhar. 
Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo.

Talvez devêssemos pôr aquele chapéu violeta mais cedo!

Mário Quintana

21 de junho de 2017

Quincas Borba.

"Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo, mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida."

Machado de Assis

tupiniquimatual


13 de maio de 2017

Reza.


Deus me proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me imunize do seu veneno
Deus me poupe do seu fim
Deus me proteja da sua inveja
Deus me defenda da sua macumba
Deus me salve da sua praga
Deus me ajude da sua raiva
Deus me imunize do seu veneno
Deus me poupe do seu fim
Deus me acompanhe
Deus me ampare
Deus me levante
Deus me dê força
Deus me perdoe por querer
Que Deus me livre e guarde de você.

6 de maio de 2017

Se você nadar.


Mágoa
Põe na sua boca só palavra amarga
Aprisiona sua cabeça numa errada
Deixa o coração aflito sem razão

Mágoa
Os micróbios gostam de água parada
E quem vai te libertar dessa roubada
Só você possui a chave da prisão

Mas se você nadar até a outra margem
Vai olhar além dessa miragem
Livre do rancor
Toda sua dor
Vai na correnteza como água

Mágoa
Faz você fechar as portas da alegria
Remoendo os mesmos erros noite e dia
Sem futuro no escuro de um porão

Mágoa
Não deixa cicatrizar essa ferida
Não avança, não descansa, só castiga
Te põe à deriva só dizendo não

Mas se você nadar até a outra beira
Vai olhar além dessa cegueira
Livre do rancor
Toda sua dor vai correr agora como água

Mágoa
Crucifica mais os dias sem se dar conta
Não consegue ser legal com quem encontra
Ela entra e toma conta de você

Mágoa
Murcha as flores do jardim com uma praga
Enche a sua casa de velhos fantasmas
Deixa o lixo acumulado apodrecer

Mas se você puder nadar até o outro lado
Vai ver tudo menos embaçado
Livre do rancor
Todo seu amor
Vai jorrar agora como água

1 de maio de 2017

Belcki.



Belchior morreu ontem e sim, eu gostava por demais.
Vou continuar gostando e ouvindo e ouvindo e ouvindo muito.

26 de março de 2017

Despensa

"Terrível é o pensar.
Eu penso tanto
E me canso tanto com meu pensamento
Que às vezes penso em não pensar jamais.
Mas isto requer ser bem pensado
Pois se penso demais
Acabo despensando tudo que pensava antes
E se não penso
Fico pensando nisso o tempo todo."

Millôr Fernandes

23 de março de 2017

O segredo.

Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.
Eu quero morar num lugar frio.

12 de março de 2017

O ENGANO COMO FERRAMENTA.



Calímaco, recém-chegado de Paris. Lucrécia, bela e religiosa mulher. Ele se apaixona por ela. Mas ela é casada com Messer e jamais se envolveria em traição. O apaixonado, então, descobre que o casal era infértil e tem uma ideia.

Calímaco finge-se médico. Afirma ter poção mágica, capaz de fazer Lucrécia engravidar. Como? Ela teria que ter relações sexuais logo após a medicação. Problema: quem dormisse com a jovem neste intervalo morreria.

Pensando em si, Messer concorda com a traição da esposa. Frei Timóteo, após receber valores de Calímaco, convence Lucrécia que para se chegar ao bem (ter filhos) é, por vezes, necessário passar pelo mal (adultério). Ela aceita.

Na noite da relação, após experimentar prazer incomum, Lucrécia descobre a farsa. Calímaco se declara à jovem. E o que ela faz? Continua. O apoio do frei, da mãe e do marido, segundo a jovem, era sinal de providência divina. E ela não recusaria “presente dos céus”.

A obra Mandrágora de Maquiavel, narrada acima, faz crítica à moral e revela como a vontade desestabiliza as regras que temos. Na peça, todos concordam com a traição. O marido, por egoísmo. O frei, por dinheiro. Lucrécia, por prazer.

Mas todos têm justificativa. Messer quer ser pai. Calímaco ama. O frei engana por distribuição de renda. E Lucrécia trai por vontade Divina.

Todos utilizam o engano como ferramenta. É a relativização do certo pela vontade.

No texto de hoje, reflita sobre o uso do engano como ferramenta para você não fazer o certo. É a alimentação desregrada, mantida em razão de aniversário, carnaval, natal etc. É o estudo não iniciado por filhos, juventude, prazeres. É a infidelidade praticada por questões biológicas, sociológicas ou circunstanciais. 

Não se engane. Você apenas usa o engano como ferramenta para continuar no erro sem se sentir mal. É o emagrecimento da consciência, que fica leve pelo engodo. 

E qual o problema? O problema é que a mentira sobre o comportamento não altera o resultado que dele provém. O erro impede as consequências do acerto. Não há vida saudável, progresso profissional, cumplicidade na relação...

Portanto, apesar do costume de usar o engano como ferramenta, não use.

[Texto do Samer Agi]

11 de março de 2017

Agora.



Eu não sei dizer
Nada por dizer
Então eu escuto
Se você disser 
Tudo o que quiser
Então eu escuto

Fala... 
Fala...

Se eu não entender
Não vou responder
Então eu escuto
Eu só vou falar
Na hora de falar
Então eu escuto
Fala...
Lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá, lá...

Fala...

23 de fevereiro de 2017

Fellini e Carnaval.


O filósofo russo Mikhail Bakhtin, um dos fundadores da semiótica, falecido em 1975 aos 80 anos, formulou o conceito de “carnavalização”, como parte de uma teoria geral do humor.
Para ele, o carnaval representa um conjunto de manifestações da cultura popular medieval, além de um princípio para a compreensão de mundo que, ao ser transportado para obras literárias, chama-se “carnavalização da literatura”. De modo simplificado, ela se manifesta pela inversão das formas consagradas. Quando essa atitude é passada para o cinema, o primeiro cineasta a ser lembrado é Federico Fellini.

O filme de Fellini em que melhor se percebe essa postura de inversão é “Satyricon”, realizado em 1969. Ambientado na Roma no tempo de Nero, o roteiro se inspira no texto do cronista Petrônio, que vivia naquela época e frequentava a corte do imperador.

O protagonista é o jovem Encólpio, que lamenta a perda de seu amante Gitone para o seu amigo Ascilto. A carnavalização felliniana se manifesta na própria forma do filme que se mostrava erótico, extravagante e escandaloso, enquanto a corrente dominante do cinema focalizava as mais sérias questões políticas e existenciais.

Roma de Fellini”, de 1972


“Satyricon de Fellini” se encontra numa caixa junto com outros três títulos do diretor. Numa linha estética semelhante, temos “Roma de Fellini”, de 1972, que pode ser definido como um filme-ensaio sobre a própria memória do cineasta. Por meio de lembranças ficcionadas da sua juventude, e de algumas cenas da cidade no tempo em que o filme foi rodado, Federico reconstrói a Roma da sua imaginação.

Em seu último filme, “A Voz da Lua”, de 1990, o cineasta retorna àquela mesma atmosfera onírica e poética. O filme é armado pelos devaneios de um lunático, interpretado pelo cômico Roberto Benigni que, mais tarde, seria premiado com o Oscar por “A Vida é Bela”.

E finalmente a caixa se completa com o documentário “Ciao Federico”, de 1970, filmado nos bastidores da produção de "Satyricon", com a participação de Giulietta Massina, Capuccine e do próprio Federico. Isso e mais uma hora de entrevistas e depoimentos na coleção da Versátil com o título de “A Arte de Federico Fellini”.

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Fonte: http://programacinemafalado.blogspot.com.br/2017/02/federico-fellini-foi-um-dos-diretores.html

bushed

Eu estou muito cansada. Mesmo, cansada principalmente porque não posso estar cansada. Eu não posso demonstrar cansaço porque preciso estar sempre forte, saudável, atenta, feliz. Mas estou cansada e gostaria de voltar lá atrás e sentar em frente a uma máquina de escrever, sem nenhum celular do lado, apitando, conectando, expectando minhas atenções, sofridamente. Estou cansada de tal forma que eu mesma saboto minha dores. Transformo as dores. Mudo uma ou outra de lugar apenas. Uma hora estou com aquela dor na coluna porque passo muito tempo sentada numa cadeira no trabalho que não foi projetada para mim. O labor que se faz porque gosta não é labor, é prazer, e não causa dor nem cansaço. Aí tomo remédios para a coluna e sinto dores no estômago por causa desses remédios para a coluna. A dor no estômago é acumulativa e, somatoriamente, são respostas às perguntas do meu cansaço. Recortes mentais de fantasmas alegres (e sempre descansados) me cercam, também me acusando, por causa do meu cansaço. Há que se lembrar de não se confundir cansaço com infelicidade. Nem com solidão. Nem com um monte de coisas pessimistas que as pessoas hoje se regozijam em confundir. É cansaço. Cansaço de pessoas falando demais, escrevendo bobagens demais, opinando demais sobre coisas que não sabem, de gente que não sabe dirigir, dirigindo - carros - e também suas próprias vidas. É de ver que estou num Big Brother sensacionalista, onde o diretor já montou todo o enredo e que, quem sabe, meu cansaço também já cansou todo o possível e provável expectador. E estou cansada de ser estrangeira numa terra sem leis. E cansada de afundar em discussões com quem também se acha estrangeiro mas é terreno demais. Camus se arrependeria das coisas que disse e se cansaria também. Mas não posso estar cansada. Nem sei porque estou escrevendo aqui nesse blog, que já foi palco de tantos textos bons e ruins e de tantos desabafos (Cansados, prematuros ou não). Fiquei capitaneando por muito tempo os olhos ao meu redor e percebi que a internet é um mar traiçoeiro, cheio de piratas mais traiçoeiros ainda, prontos para lhe atacar. Desisti de expor meus calafrios verbais, já que a internet pueril que eu expunha antes se transformou numa velha doente febril sempre acima de 40 graus. Se antes poucos e selecionados olhos 'me' liam aqui, agora TODOS os olhos me leem e isso é assustador. Crise de pânico virtual. Sociopatia virtual. Tudo sai do real e salta para a tela (e vice-versa), tensionada pelo nível do meu cansaço. A vontade do bucólico é só cansaço. Cansaço do que se transformou a humanidade. Humanidade violenta, destruidora, que varre a sujeira (e os cansaços) todos para debaixo do tapete e não aceita aceitar seus cansaços. E serei acusada por causa do meu cansaço, já espero isso. "Cansada de que??". De mim, pronto. Chega, pára de apontar o dedo e se preocupe só com você. Aí estou sendo egoísta, indelicada e vou morrer velha e só, como já ouvi de alguém que hoje sei que não nasceu para absolutamente nada nesse mundo, nem para morrer velho e só. Estou cansada até de lembrar. Meus respeitos aos que não se cansam, já que não vieram ao mundo para nada, nem para, inquietantemente, estarem cansados. Uns inúteis que nem se cansam. E eu estou cansada aqui, sem noção de quando esse cansaço vai passar, apenas cansada. Dormir não passa meu cansaço, já que terei que acordar e eu só queria ficar dormindo por muito e muito tempo e acordar em outra época, para tentar resgatar as sensações de como é estar descansada. Descansada, sem problemas, sem preocupações, sem desgastes inúteis. Descansada, sem pensamentos. Fim do texto, cansei.

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http://dramarcellabrasil.com.br/cansaco-cronico-o-mal-do-mundo-atual/