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6 de setembro de 2006

Sozinha e silêncio.

Quando eu era criança, gostava de ficar no quintal da casa dos meus pais, que era bem grande, sozinha, sentada no chão, vendo os bichos, a terra, as plantas. Sozinha. Tinha sim, amigas, mas sempre gostei de ficar sozinha. Tenho uma amiga que diz que sou meio autista, por causa disso e, por gostar de usar só, na maioria das vezes, roupas pretas. Ela diz que os gênios, tipo Darwin, tinham as mesmas características. Nem de gênio tenho nada..sei lá...quanto ao autismo..bem, deixa prá lá. Fui crescendo e, a vida foi me ensinando que o estar sozinha requer muitos artifícios, já que existem várias interpretações, vindas dos outros, para sua opção em estar só, ou, só pelo fato de você verbalizar que GOSTA de estar só. Quando casei, tive filhos, foi crescendo a família, com sobrinhos, filhos de amigos chegados, etc, fui perdendo cada vez mais a esperança (ou a lembrança) de estar só. Não que essas pessoas que iam se instalando em meu caminho me incomodassem, não, mas, confesso que quando os filhos, quando pequenos estavam dormindo, ou em alguma casa de amigos, ou saíam, eu ia, sentava sim em algum cantinho, no chão, talvez, ou, só deitava em minha cama e ficava ali, curtindo aquele silêncio que o estar sozinha me proporcionava. Quando me separei, que meus filhos ficam lá e cá, entre aqui e na casa do pai, por vezes, muitas e muitas vezes, volto, agora, aqui, no meu apartamento, a sentir as mesmas sensações da infância. Engraçado que todos os terapeutas indicam como terapia, o você ficar sozinho, em algum momento do dia, só, só você com você. Então, não obstante sinta que eu deva ter alguma coisa mal resolvida da infância, sei lá, não me culpo por gostar tanto de ficar sozinha. Muitos amigos falam que não gostam de estar sós. O meu ex marido não gostava de fazer as refeições sozinho, e eu gostava, calada, sem conversar com ninguém. Vejo mulheres e homens se queixando quando vão sair pra um show, algum lugar, que não gostam de ir sós. Eu gosto, e parece que não sinto absolutamente falta de ninguém ao meu lado. Em meus relacionamentos, poucos homens entendiam isso. Só um nameiomarido, que se aproximava um pouco disso. Nossas refeições eram, os dois, concentrados em seus respectivos pratos, sem conversar, o que nos levava depois até a rir da situação, vendo nossa constante reflexão gastronômica. Pareciam dois bichos do mato. E na hora que acorda? Gosto de acordar sozinha, aqui, na minha casa, ficar deitada na cama, calada. Me pego as vezes só falando, lembrando como é minha voz, quando chego no trabalho e, meu sócio, me obriga praticamente a conversar, porque ele fala pelos cotovelos. Quando estou apaixonada, sei lá, essas coisas, que acordo ao lado de alguém que tô a fim, posso até conversar, mas, fico muito na minha e...não me preocupo muito com o estar em silêncio não. Durante 30 anos, é, os trinta anos que vivi cercada de família, gente, pais, irmãos, filhos, marido, amigos, etc, eu pude sentir falta de estar só. Agora eu tenho que curtir, preciso curtir o estar sozinha, sem me preocupar com nada. Ainda sei que vou um dia realizar meu sonho: estar num lugar bem deserto, sem absolutamente ninguém por perto, que só tenha a natureza junto, talvez o mar, mas com plantas, bichos, terra, que nem aquele quintal...
Não quero ser entendida. Aliás, não preciso ser entendida. Só que aceitem que gosto de estar só. E gosto de silêncio. Devo ser mesmo muito orgulhosa, porque devo me bastar muito a mim mesma.

2 comentários:

Sua Amiga Cindy disse...

Eh simples vc se basta e nao ha mal nenhum nisso... :)

Sua Amiga Cindy disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
"meu sócio, me obriga praticamente a conversar, porque ele fala pelos cotovelos"

Eh mesmo q eu tah vendo!!! KKKKKKKKKKKKKKK Vcs se completam!!!!
Bjx