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21 de novembro de 2006

Presença, silêncio, perda...

Essa semana que passou o papai de uma amiguinha, (Nill, Ninha, que até comenta bastante aqui no blog), faleceu de maneira rápida e inesperada. A morte vem assim as vezes. É sempre muito doloroso. Fui vê-la, dar um abraço, porque entendo que, uma simples presença, de amigos, pessoas que você ama, já é um conforto e tanto nesses momentos de dor e morte. Me reporto sempre, sempre, nesses momentos, inevitavelmente, à morte de minha mãe. Mas tenho que passar por isso, pela dor de reviver cada minuto, do dia que foi se não o pior, um dos piores da minha vida, para ir sim, fazer notada minha presença, mesmo com as palavras sumindo em mim...quando vejo alguém que gosto passando pela mesma situação. Lembro-me, principalmente, da presença mesmo de tanta gente, quando eu me sentia abandonada por Deus, quando mainha se foi. Aquele caixão ali, eu, paralisada, só questionando, questionando, por que eu merecia aquilo, por que Deus tava sendo tão egoísta de tê-la levado de mim tão cedo, por que ela também foi tão egoísta de ter ido assim cedo também, por que, logo eu? Que nunca tinha nem imaginado um dia viver sem minha mãe, meu porto-seguro...e a pilastra, de repente, que era ela, da nossa família, puf!..cai...morre, some...E eu, egoísta, querendo tê-la em uma redominha, prá mim e legislar até sobre o dia de sua morte...No velório, no culto fúnebre, a igreja lotada, as pessoas iam chegando, me abraçando, me beijando, umas só sentavam do meu lado e ficavam ali, paradinhas, sem dizer nada. Outras, chegavam, davam um abraço apertado, bem apertado e se iam. Outras, olhavam e diziam com os olhos o que o coração já tinha dito antes, através de muitas lágrimas, pela saudade que minha mãe, uma festa ambulante, já estava fazendo. A presença ali de quem a amava e, por tabela, me amava também. Lembro-me que poucas pessoas conseguiam dizer ou diziam muitas coisas. Como a presença de quem amamos, na hora da dor, é valiosa. Uma presença sábia, não necessariamente com um texto elaborado, não..Depois, voce vai relembrando, já mais sóbrio, quem realmente gosta de voce e se preocupa, quem sente o que voce sente...Ninha, talvez esse texto seja prá te pedir uma certa desculpa, porque eu não lhe disse nada. Só pude te abraçar. Saí de lá reconfortada, porque, embora a perda dessa vez tenha sido sua, do seu papai, você já estava consciente de tudo, repetindo sempre o que todos nós sabemos a respeito da morte e como devemos entendê-la como um propósito Divino. Te desejo que a saudade vá ficando cada vez mais leve, porque essa com certeza é a única dor que demora de passar. Um beijo e um abraço bem apertado, com essas palavras escritas, agora... mas com meu peito ainda em silêncio.

2 comentários:

sua amiga cindy disse...

Nossa!
Fiquei sem palavras...

Estou orando por vc e sua familia...

Fique com Deus...

Nill Costa disse...

Minha querida.... que lindo!!!!
Muito, muito obrigada mais uma vez... nada foi melhor do que sua presença naquele momento.. e seu abraço...
Estive meio afastada... sabe como é.. ainda tentando me recompor.
Às vezes sinto que tenho tanto a falar... mais na verdade não há palavra alguma a ser dita....
Só a agradecer pelo conforto de todos que me amam de alguma maneira..
Bjaox e adoro vc!!!