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14 de dezembro de 2006

Reveilon com Flor de Lotus....

Sempre gosto de passar reveilon perto do mar. E os ultimos anos passo sempre na Barra mesmo, em Salvador, mesmo sendo uma muvuca monstra, por causa dos shows que rolam ali no Farol. Um dos melhores Reveilons que passei, foi inusitadamente, um desses, lá, no mar do Farol. Eu fico no albergue de um grande amigo quando vou a SSA. Não que não tenha lá parentes, amigos, até o ap. dele mesmo, que tenho entrada e saída franca, mas, é pelo ambiente mesmo de albergue, que adoro (www.alberguebrasil.com.br). Há uns 4 anos atrás, fui pro meu reveilon, sozinha. O albergue, bem como ali, a Barra, estavam em polvorosa, gente passando, gringos e gringas, pessoas com suas oferendas, baianas a caráter. Sentei na frente do albergue, esperando dar uma hora mais perto da virada e, sentou uma moça na mesma mesa que eu. Já a tinha visto por ali pelo albergue algumas vezes. Bonita, altona, diferente. Ela sentou e já foi puxando papo, nos apresentamos. O nome dela era Lotus. Elogiei o nome, porque era a cara dela mesmo. Ela foi contando a vida dela em cinco minutos, dizendo que também estava sozinha, que tinha altos problemas com a mãe e o pai, que morava com a avó, que eram de família muito rica, mas que ela se julgava meio problemática, porque tava tentando se sair de drogas, etc. Tirou de dentro da bolsa uma garrafa de champanhe (carregava uma bolsa grande..hehehe) e, me convidou prá ir com ela pro mar, já que ambas estavam sós. Eu topei na hora, por conta do inusitado, do novo, que me atrai sempre. Lá vamos nós, batendo papo, nos desviando da multidão. Chegando no meio da muvuca do Farol da Barra, olhamos de baixo e víamos o que mais parecia um formigueiro de gente. Falei até pra desisitirmos de ir, mas ela, claro, insistiu e disse: "Deus vai mandar algum anjo pra ajudar a gente a chegar até o mar, cara, vamo nessa!". Na hora que ela fechou a boca, apareceu uma filinha de Hare Krishna´s (acho que eram, se não, eram de alguma outra coisa desse tipo), com aquelas roupas laranjas, aquelas carecas com uma trancinha. Ela entrou rapidamente no meio deles, me empurrou pra tras de outro e fomos, num ritmo, na fila, entre os "monges", segurando na cintura deles, e eles cheiravam a uma coisa que, no meio da multidão dava pra gente sentir, um perfume de rosas, sei lá..era algo que eu não acreditava! As pessoas ia abrindo pra "filinha" passar! Chegamos rapidamente ao mar, já que eles estavam indo justamente pra onde nós íamos. Eles nos protegiam como se fossem anjos mesmo e eu boba, olhando pra Lotus de vez em quando na frente e sem crer naquilo. Chegando no mar, eles nos deram cada um um beijo na testa e seguiram pro lado oposto..e eu boba... ja era hora da virada, do show pirotécnico. Um espetáculo que emociona qualquer cristão ou ateu. E lá, encontramos muita gente conhecida, estouramos a tal champanhe. O que me chamou atenção foi que, num piscar de olhos lá estávamos nós duas, abraçadas, chorando, ela chorava muito, entrava no mar, orava, pedia a Deus pelos pais dela em voz alta, se ajoelhava, pedia a Deus pela sua avó..descalças...nem ligávamos por estarmos molhadas de mar, parecia que já nos conhecíamos ha séculos...e eu chorava também, porque a emoção da passagem de ano é inevitável e me leva sempre a renovar coisas em mim, pensar em quem amo, etc. E, eu estava ali, ao lado de uma figura que jamais imaginaria. Mais sentindo coisas do que vendo, porque era algo que eu já conhecia, aquele lugar, aquele mar. Um gringo que estava no albergue estava ali tambem oferecendo uma manga (fruta) a Iemanjá..hehehehe...nós ríamos e chorávamos..não sei. A aura que se instaurou ali foi incrível. Na volta, depois de muitos outros detalhes, já menos muvuca, ela disse que teria que passar na casa de uns parentes, que ficava bem perto do albergue. Eu achei por bem deixa-la a vontade prá curtir a parentada, embora ela insistisse que eu ficasse. Nos despedimos depois que entrei na casa enorme, falei com alguns parentes dela...nos abraçamos de novo demoradamente. Eu não a vi mais. Soube que ela deixou alguns recados no albergue, mas, nunca mais nos encontramos. Mas valeu o reveilon, que eu achei que ia passar sozinha, no mesmo lugar, no mesmo mar. Passei com uma flor. A Flor de Lotus.

4 comentários:

Nill Costa disse...

Incrível realmente!!!

Celly disse...

Estou aqui me perguntando se esse anorola reencontro. Mas acontecimentos assim são únicos mesmo. Um só por vida já basta uma vida inteira...

Celly disse...

Estou aqui me perguntando se esse ano rola reencontro. Mas acontecimentos assim são únicos mesmo. Um só por vida já basta uma vida inteira...

Anônimo disse...

amei tia... gostei demais !:DDD
vou passar a frequentar teu blog!:D
esse vai me servir se inspiração!:D

Beijooooos ...
saudade


Raquel :)