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2 de janeiro de 2007

De volta..

"Os anos estão passando cada vez mais rápido". Ouvi essa frase muitas vezes esses dias. "Parece que foi ontem isso...", "parece que foi ontem o reveilon passado". "Nem deu tempo de fazer isso, ou aquilo...Tudo foi tão rápido".."ano que vem eu vou ver se isso muda"..
...Numa tentativa de se consolar, de que tudo está descartavelmente mais rapido mesmo, a gente tenta e até quer fazer as coisas de um jeito diferente. Mais calmamente...mas, fazer coisas e mais coisas, cada vez mais rápidas e mais descartáveis também. Quanto mais descartamos as coisas, mais a frustração é eminente, por conta de se transformar a vida em efemeridades. A tendência é piorar. Nada de fatalismo, já que nem sou fatalista, mas, acho que 2007 vai passar rapidão que nem 2006 e vamos acabar falando tudo de novo, a mesma coisa...hehehehe..:-)
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Lúgubre e mórbida, por constatar de perto que não há nada, nem lugar melhor no mundo que minha casa, volto... Posso estar exagerando, mas, retornei, morta de saudade da minha vida e da minha casa.. depois de dias absorta em festas, em tudo que sempre encontro por lá onde vou: amores, praia (muita, que adoro), pores-de-sóis, amigos, festas, festas, festas...estava morta de saudade da minha casa, da minha vida, sendo absolutamente repetitiva. Na verdade acho que minha passagem de ano serviu simplesmente pra sacramentar e juramentar isso, que tudo que já vi, que vivo, que sinto, que quero, que posso, nada se compara ao sabor de deitar na minha cama e relaxar, ao som do silêncio do meu próprio quarto e do meu canto, do que já conquistei, a duras penas.

Assim, eu digo:

- Fui ao japonês em Salvador de novo e me acabei. Nessa noite o amor da minha vida apareceu. Muito carinho, beijinho, um matar de saudade, mas, nada além disso. Nos despedimos na porta do japa e fomos pra nossos destinos dormir. Não nos vimos mais, depois dessa noite. Mas nem senti falta.
- Noutros dias, namorei. Só carinho e orgasmo que é de lei. Mas nada além disso.
- Já esqueci a maioria das coisas que aconteceram em 2006 que não valeram a pena e já descartei. Ainda bem.
- Estou pensando seriamente em encarar novas possibilidades, em algumas áreas intocáveis da minha vida. Vou ver aí.
- Vou começar a escrever um livro agora em 2007, com fé em Deus.
- Duas reflexões para 2007: 1) preciso resgatar alguns pontos de prazer/alegria em minha mente que foram perdidas; 2) Ficar mais centrada, para poder por em prática alguns projetos pessoais, internos e externos.
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Passei a "virada" numa festa. Confesso que, esse ano, não senti, ou não me permiti sentir emoções demais. Chegaram uns amigos de Feira lá em Salvador, combinamos de ir a uma festa que o dono, embora seja gay, denominou que "não era uma festa essencialmente gay". Pagamos uma quantia pequena com direito a champanhe, buffet. Chegamos lá já quase meia noite. Ao que parecia só tinham gays, mas ficamos por ali, batendo papo. Estouramos a champanhe, eu e meus amigos (graças a Deus), nos confraternizamos, recebi varias ligações depois da meia noite certinha, tentei até fazer alguma oração, como curto fazer, mas nem isso consegui, já que estive, inexplicavelmente, esses dias, meio seca, quando o assunto é emoção. Seja ela qual for. Não sei ainda se isso é bom ou ruim. Estando em casa agora, em paz, com minha cabeça sossegada, é que vou analisar o que houve. Não sou de me cobrar muito quando estou sentindo algo. Deixo que venha o sentimento, a coisa toda do jeito que vem, seja bom ou ruim. O auto-controle deve ser ao querer externalizar o que me vem como sentir, prá que, por exemplo, num momento de ira, eu não saia, como já tive tanta vontade de fazer, matando gente, por aí, ou dando dentadas. Bem, voltando, passei a "virada" de 2006 para 2007 entre amigos. Isso foi bom, mas, dentro de mim, era um dia, uma festa, como outra qualquer. E a festa era puramente, essencialmente, gritantemente, GAY, sim!..hehehehe...Todo mundo sabe que não tenho absolutamente nada contra, mas, você olhar pros lados e ver uns 200 gays, realmente, é de sentar e chorar. Essencialmente HOMENS-GAYS. Mulheres gays, se contei, foram no máximo 8. Homens, lindos, cheirosos, atraentes, encantadores, mas gays. Bem, ainda bem que eu estava sem nenhuma emoção, porque senão, tinha sentado e chorado sim...
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Bem, no mais, o albergue estava abarrotado de gente. Um grupo de 50 pessoas de Mato Grosso (além de gringos demais), que trouxe um freezer lotado de carne, varais espalhados pelo albergue, eu pra la e pra ca com a Condoleza Rice do Albergue, que é minha amiga e fiquei meio que ajudando. Ficamos sem ter onde dormir, uma agonia da "febre do rato", como diriam os sertanejos. Mas, no bojo, tudo está bem. Estou de volta pro meu aconchego, parafraseando Elba Ramalho.

3 comentários:

sergio m. disse...

Tenho pensado sobre essa aquestão de acharmos tudo passando rápido... e é isso mesmo: falta-nos tempo para observarmos, contemplarmos o mundo, as coisas. Ver nelas um dedinho de cor, de matiz, de vivacidade... nos perdemos nesse umbral de telefones celulares, ipods, carros, internet; coisas que nos são úteis mas nos tornam escravas, dependentes daquilo que antes não sentíamos falta.
Essa "secura' a que você se refere, sorry amiguinha, é puramente a velhice encostando. Imagine se a Natureza iria nos sacanear a ponto de amadurecermos ainda curtindo essa coisa chata e pegajosa que É festa de fim-de-ano... seria um luxo desperdiçado. Digo e repito: eu, de tão maduro, já estou até podre. Quem quiser que se habilite...
Beijos e 2007 com + inteligênica. SEMPRE.

sergio m. disse...

ahhh!!! preu num me esquecê: "Condoleeza Rice do albergue" é o que há de legal!!!! Massa mermo!!!!

Celly disse...

Hum, de volta pro seu aconchego e cuidando com sua presença para que tenhamos também o nosso...
Saudades, viu?