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24 de janeiro de 2007

Heterofobia...mais essa.

Já falei exaustivamente aqui que fui criada dentro de padrões rígidos de educação, de comportamento e de religiosidades muito firmes. Mas, depois de alguns anos, depois de passos dados, comecei a viver a vida de forma a tentar entender a humanidade de maneira mais profunda e a aceitar algumas coisas que antes, jamais poderia entender, pelo embotamento da minha visão, que me impedia até de amar incondicionalmente algumas pessoas, dentro de um preconceito incutido em mim mesmo. Uma das vertentes que me surpreendi que iria aceitar (porque eu não convivia nem de longe com “isso”), foi de conviver, encarar e entender o mundo gay. A primeira vez que tive que encarar de frente uma pessoa muito próxima que era gay, foi até muito engraçado, porque essa amiga nunca havia me dito que era gay e eu nem imaginava mesmo que ela fosse, porque é até filha de pastor, contemporanea de igreja e tudo. Estávamos nos revendo em Salvador depois de muito tempo que não nos encontrávamos e, no afã de contar todas a novidades, eu enchendo ela de perguntas sobre tudo, sobre os amores, a vida, os estudos, trabalho, família, ela me disse que só estava tendo alguns probleminhas com uma pessoa, eu, de verdade, perguntei: “com O namorado?”..ela entendeu: “com A namorada”? E virou pra mim na hora e disse: “Como você sabia que gosto de meninas?”. Eu havia perguntado “O namoradO” mesmo! No meu peculiar auto-controle, continuei no papo como se já soubesse disso há muito tempo. Ela começou a falar, falar, contando sobre seu relacionamento com essa menina, etc. A partir daí, conheci todos os seus amigos, gays e não gays. Esta mesma amiga me proporcionou os melhores momentos de curtição em Salvador, já que ela conhecia um pessoal maravilhoso, artistas plásticos. Numa festa dessa galera, foi inclusive a primeira vez que uma menina deu em cima de mim, eu achando que quem estava me alisando era o primo da minha amiga, lindo, meu tatuador, já que todas as vezes, festas, etc, eu ficava com ele, (éramos sempre dos poucos pseudo- heteros que sobravam..hehehe). Ela ficou me enchendo que eu tinha sido “inserida no mundo gay”, mas não rolou mais nada além disso. Bem, talvez estranhem eu falar nisso com tanta naturalidade, mas, tenho sofrido um preconceito explícito, absurdo, por me saber HETERO, mesmo já tendo passado por uma situação ou outra, que fosse tachada de gay. Rótulos. Absurdo que odeio. Ando muito em lugares GLS sim, até gosto muito, já que tem sempre um bom gosto indiscutível, uma culinária perfeita, um excelente som (no caso de boates) e meus amigos, que são gays, são maravilhosos, e comigo, amorosos. Os que não tem carater se mantem longe, e eu mantenho também, sejam heteros ou gays. Já fui madrinha de casamento gay, estou acostumadíssima a ver homens namorando com homens e mulheres com mulheres há muto tempo, com naturalidade, tenho excelentes clientes gays, porque, prá mim, carater, e uma serie de coisas, vem antes, na criatura, do que sua opção sexual. Tenho ouvido de alguns gays (leia-se homens gays e mulheres gays), do porque que eu, sendo hetero, gostando mesmo de homens, vou a lugares heteros e me permito estar saindo com mulheres, que já são reconhecidamente gays. Não, não há o que se discutir quando o assunto é preconceito. Estou aqui só pra desabafar mesmo. E estou sendo vítima disso, inusitadamente. Já fui vítima, até já contei aqui, de preconceito por ter namorados negros...mas não são negrinhos não..são “negões” mesmo!..agora isso... Já fui cortejada por mulheres sim, nunca fui pra cama com nenhuma e de mais pura alma, não tenho vontade, porque, com a mesma honestidade que estou escrevendo isso aqui, diria, se tivesse desejo homossexual. Ainda bem que quem me conhece sabe. Antes, me falavam que eu tinha um caso com uma amigona, porque andamos muito juntas. Nós nos divertíamos da situação e era até massa, pra nos livrarmos as vezes do cabras indesejados. Até aí, tudo tranquilo. Agora, fui questionada porque então eu já experimentei o beijo feminino, ou até me deixei levar por um papo, por conhecer alguém do mesmo sexo, como se eu, com isso, assim como algum gay, por ter tido alguma experiência hetero, fosse passível de crucificação. Beijo é beijo, seja em que boca for. Cabeça é cabeça, inteligência é inteligência. A diferença está na força do beijo, na química, na diferença, que me atrai muito e, sinceramente, não existiu de minha parte, para com mulher alguma..ainda!...e se vier a existir um dia quem sabe, talvez? De quem é a conta? Maior autenticidade tenho eu, que abro a boca mesmo e assumo o que to a fim de fazer, faço o que quero acabou. Pior quem se enruste, não experimenta as coisas que a vida lhe traz, não é leve, livre e sabe até onde ir, porque, o que passar a lhe agredir, voce deve se sair, evitar e não entrar de cabeça, quando e como quiser. Se os homens são realmente mais intressantes?..(Por isso acho que proliferação homossexual masculina está avançando, as mulheres estão cada vez menos interessantes, só pensando em futilidade, enquanto que os homens..ah, os homens..(suspiros)...hehehehe)...eu vou julgar os homens gays por preferirem uns aos outros? julgo alguns apenas pela falta de CORAGEM de assumir, não pela opção. Assim como admiro a coragem de muitos em assumir mesmo. Conheço de longe os amigos que não tem nenhuma vocação pra serem gays, na hora que falam, na maior, sobre isso, sem travações e, que não sentem mesmo desejo por homens. Vou continuar saindo e amando meus amigos gays e os não gays também, da mesma forma. Os lugares que frequento, sejam gays ou não, vão continuar sendo frequentados por mim. Eu beijo a boca que eu quiser, embora prefira exageradamente a boca masculina por ser torneada de barba (...ai, ai..barbas... (suspiro)..). Odeio preconceito. O ponto de equilíbrio em tudo é o respeito. E vou sempre brigar pelo meu direito de ir e vir. Brigar, sem armas, só aceitando o que a vida me trouxer, que for bom, agradável, me enobreça a alma, me entorpeça no meu hedonismo e no meu amor à vida e a quem eu quiser amar. E, hoje, que não fuja às coisas que aprendi a dar realmente valor, como, por exemplo, ser coerente com meus desejos, minha fé e minha realidade. Tô ficando cada vez mais hetero, porque, o preconceito está me fazendo sacramentar, juramentar isso, que gosto mesmo é de homem, como sempre gostei. Mas...Como diria meu amigo João Eudes, do bar Jeca Total: “Eu dou meu c.. se eu quiser, mesmo sem eu não ter dado, quem não gostar, vá dar o seu!”.

4 comentários:

Anônimo disse...

Amiga,
Parabéns pela sua coragem e pela forma tão clara com que você expressa seus sentimentos.
Acredito que o problema das pessoas que são preconceituosas é que, elas se acham no direito de questionar as atitudes dos outros e com isso não se dão conta de que estão perdendo tempo de ir em busca da própria felicidade.
Esqueça o preconceito(mediocridade humana) e continue sendo essa pessoa maralilhosa e livre de rótulos.
Any

sua amiga cindy disse...

Seja verdadeira com vc mesma e deixa o "povinho" pensar/dizer oq quizer!!!
Vc nunca se preocupou com isso e nao vai ser agora q vai, neh??? ;)
Bjxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx

P.s. Nossa!!! Tava morrendo de saudade de vir aquih!!!

Nill Costa disse...

BRAVO BRAVO BRAVO !!!!!!!!!

Anônimo disse...

Isso não é uma heterofobia, e sim uma homofobia enrustida e mal resolvida.
Não é uma questão exterior e sim interior de quem diz ser não preconceituoso.
Se fosse bem resolvido, porquê questionar? Pra quê complicar?
É só viver.