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9 de agosto de 2007

..hóspede.

De repente, sem que eu esperasse, mais que de repente, o amor chegou. Bateu na porta, eu abri. Fechei a porta e começamos a conversar. Perguntei-lhe o que desejava, porque estava ali, mas ele se manteve calado por alguns minutos. Depois começou a dançar, falar coisas impronunciáveis, me dizer coisas loucas, inteligentes e porque não dizer enganadoras. Começou a pular, subir na mesa, como se surtado. Se descabelou todo em meio a muitos risos e promessas que falava, falava e falava. Eu, atônita, não acreditava no que estava vendo. Depois, sentou-se, acendeu um cigarro e começou a me fazer perguntas sobre meu eu. Perguntas que só a mim cabia saber, perguntas que só a mim era pertinente conhecer. Questionei-lhe o fato de me invadir tanto, mas ele parecia nem querer saber se eu estava gostando ou não. Apenas estava ali. Estava com uma mala, pertences pessoais. Disse que já queria se instalar ali, na minha casa, pra sempre. Disse também, entre tantas coisas insanas ditas, que eu que me segurasse agora, porque, já que eu tinha aberto a porta, é porque eu queria mesmo que ele entrasse e ficasse. Mas eu não sabia que era sua intenção ficar, ora essa! Comecei a me irritar com o amor, pelo fato dele estar sempre seguindo meus passos, feito alguma mandinga e impregnado minha mente 24 horas por dia. Não, eu não podia admitir isso. Alguém me controlando, não! Ele estava comigo em todo lugar, na hora de dormir, ao acordar, comendo, rindo, nos meus olhares, nos meus toques, no banho, era parte da minha pele. Vi que na mala que trouxe tinham coisas tantas, feias e bonitas, que não entendi como alguém pode carregar tantos pertences, variados e invasivos. Começamos a brigar. Travamos uma luta final, por eu não aceitá-lo mais assim, tão grudado em mim, por ter substituído meus pensamentos pelos dele. Por ter me tirado a sanidade. Por ter entorpecido minha mente, tornado embassado meu olhar, impregnado minhas entranhas com seu cheiro, sua história, seu zumbido, suas palavras, seus suspiros. Mandei-o embora de vez. Juntei todas as suas coisas de novo na sua mala, fechei bem fechada, bati em sua cara, cuspi, mandei embora. Ele saiu chorando, nu, mas vi que já bateu na porta do vizinho. Só fechei a porta, tranquei bem tracada. Mas a lembrança de tudo ainda fica e os passos dele ouço, no meu corredor, e, dessas lembranças me vem uma frase que ele sempre sussurrava mesmo em meu ouvido: "..eu sempre volto..".

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