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29 de setembro de 2009

Periplaneta americana.


Tem um cadáver ali estendido no chão, debaixo da mesa aqui desse computador, na minha casa. Um corpo de pernas pro ar, inerte, imóvel. É, já viram a imagem bonitinha aí ao lado. Se tem uma coisa que morro de medo é de barata. Não gosto nem de lembrar delas que me arrepio, vem aquele semi-pânico. Mas não é um medinho besta não. É medo mesmo, pânico, pavor, horror. Fico até chateada porque não costumo ter muito medo de muita coisa. Tenho medos normais, tipo de gente doida, de violência, animais ferozes, mas odeio ter medo da infame “Cucaracha”. Tenho consciencia de que ela é muito, mas muito menor que eu, mas o pavor que tenho transforma esses seres repugnantes em monstros 5 vezes maiores que minha altura. Arrumei até uma imagenzinha de uma delas bem infantil, pra ver se consigo escrever até o final. Na verdade o que queria dizer é que não ha melhor definição de medo pra mim, ou seja, não há melhor forma de balizar meus medos, do que lembrando do medo que sinto destes seres infames e nojentos. Ja passei noites em claro pelo simples motivo de saber que uma 'indivídua' dessa adentrou o meu quarto e estava com seus tentáculos e suas antenas espreitando um momento de me atacar. E quando alem dos tentáculos e antenas usam as asas? Aaaaaaaiiiiiiiiiiiii...é terrível. É inimaginável pra mim porque sou capaz de sair correndo do jeito que estiver e nunca mais voltar ao ambiente, se um ser desprezível desse entrar voando. Já desci no meu condominio enrolada em uma toalha, até achar um macho pra matar um inseto vil e odioso que entrou voando pela janela do terceiro andar. O pior é que o cara veio e ficava escondido atras das paredes, quando a bicha voava ele soltava tambem aqueles gritinhos meio duvidosos. Mas conseguimos esmaga-la e tudo ficou em paz novamente. Daí, meses passando o maior calor, sem abrir a janela, com medo de entrar outra. Resolvi escrever isso agora porque estou aqui olhando pra o 'corpo' de um ser desse estendido no chão. Preciso saber mesmo se ela está viva ainda ou já é um cadáver, mas quem disse que o medo deixa eu me aproximar? Claro que ela morreu sozinha, virou suas infames patas pra cima porque meu apartamento tem mais veneno de barata que qualquer outro alimento, até humano..hehehe. O levantamento cadavérico terá que ser feito, mas acho que vou esperar algum homem chegar aqui. Não sou feminista e já li "A Metamorfose' (Kafka) centenas de vezes. Não acho que aquilo seja uma barata, era um outro inseto muito horrendo e nojento e Gregor Samsa se transformar num inseto de "dorso duro e inúmeras patas" me faz sempre ter a certeza de que até era um bicho pior que a infame barata. Meu filho mais novo chora de rir, isso sim, sempre que ve minha reação diante de insetos, já que tenho mesmo fobia deles, e pior ainda quando é uma inimiga mortal como uma barata. Quando sou obrigada a matar, pego vassoura, tudo que me vier à frente e fico em posição estratégica, camuflada que nem se vai pra guerra mesmo. Se tiver veneno em spray?...hehehehe...elas morrem mais afogadas que por envenenamento. E quando consigo matar? Bato tanto que não sobra nem um pedacinho da asa pra contar a historia do bicho. Já tive situações muito traumáticas com baratas. Pra não contar todas vai só uma que deu origem à série: Uma vez moramos em uma casa logo que viemos pra Feira de Santana, eu devia ter meus 11 anos, que eu tive que dormir atrás do guarda-roupas da minha mãe e do meu pai. É, minha avó paterna morava conosco e era cega e sempre tinha que ter um quarto pra ela. No outro ficava meu irmão e minha irmã morava com minha avó. Minha mãe fez um 'cantinho' pra mim atras desse tal guarda-roupas. Uma noite eu estava sonhando que estava na sala de aula e jogando varias bolinhas de papel no cesto de lixo da sala. Quando acordei que vi que não era papel. Eram umas 5 a 6 baratas que subiram em mim e eu estava tirando-as com as mãos, amassando-as, ora jogando no chão, ora na prórpia cama. Preciso dizer mais alguma coisa? Acabou meu texto, poxa. O cheiro ainda hoje parece que ta dentro o meu nariz. Meu choro ainda ta preso e saindo aos poucos. Fora as outras que subiam no mosquiteiro que minha mãe inventou de botar daí em diante. Eu acordava com aqueles vultos pretos. Pânico, nojo e horror. Ecaaaaaaaaaaa! Se estou um ambiente mais alinhado e me aparece um ser horrendo desse, perco mesmo a compostura e viro uma criatura extravagante e desequilibrada. Ainda bem que posso compartilhar disso com muitas mulheres. "O psicanalista Augusto Capelo, da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica, concorda: fobia é projeção de um conflito interno. O objeto do medo é como uma metáfora do conflito, explica. Seguidor dos ensinamentos do suíço Carl Gustav Jung (1875-1961), que inventou o conceito de inconsciente coletivo e estudou o homem a partir de símbolos ancestrais, Capelo diz que a mulher teme a barata quando se sente suja, rastejante (hehehehe). Mulher tem mais propensão à fobia, afirma Capelo. Mas, para ele, a fobia, dentro de certos parâmetros, pode ser positiva, ajudando o indivíduo a estruturar seu mundo interior." É mole? Meu mundo interior já foi estruturado então, já que ja assumi minha fobia por esse inseto sujo e rastejante, se eu sou que nem ela ou gostaria de ser, mais ódio ainda terei dela. Já pensei até que de repente eu gostaria de ser que nem ela, já que temos que as vezes fazer esse processo todo de projeção para se obter uma cura no âmbito psicanálitico...hehehehe..Vai saber. Sei não, o que sei é que o corpo, o cadáver continua ali, estendido no chão e vou esperar um valente guerreiro chegar aqui para remove-lo. Fobias interiores à parte, é só pelo medo dela mesmo.

Um comentário:

Cria disse...

Criativa, como sempre ! Beijos.