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24 de novembro de 2009

Corte.

...dos casais eu tiro só os suspiros. Da estrada as linhas que separam os carros que vem e que vão. Dos santos, o sacrifício. Das mulheres, a dor do parto, Dos homens, eu tiro a doce sobriedade da cumplicidade. Das crianças a maldade camuflada. Tiro das estrelas o brilho e dos planetas o desconhecido. De Deus, tiro o grande abismo que separa o homem da morte. Do meu quarto retiro os sonhos e da minha cama o frio. Da música eu tiro a capacidade de trazer alegria à vida, sempre. Da sorte eu tiro a ingratidão aos que tem azar. Da mãe eu tiro a ilusão de amor incondicional. Do pai, a força. Dos super-heróis eu retiro as capas. Dos presentes de Natal eu retiro a nostalgia. Do carnaval eu tiro a marchinha feliz. Da simplicidade eu tiro o ouro e do ouro eu tiro a modéstia. Da certeza eu retiro o encanto. Do caracol, eu tiro a doença. Da corpulenta, tiro a saúde. Do amor, tiro a futilidade. Da morte, retiro, lógico, a vida. Da árvore eu tiro a raiz. Do corpo retiro a correnteza. Da insanidade, retiro o olhar. Da Rainha, tiro a solidão. Do Rei, tiro a rainha. Da portentosa construção tiro a pele queimada de sol. Do construtor, tiro o labor. Do sabor, tiro o prazer. Da meretriz, tiro a frieza. Da cor, a fita. De mim, tiro você.

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