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26 de novembro de 2009

O rock brasileiro precisa morrer.


Um dos melhores textos sobre o 'Rock' atual que já li. Vale a pena ler todo (clique no link abaixo ou aqui pra ir direto pra pagina...). E como diria o texto abaixo da imagem na página original, essa imagem aí ao lado não, "Não, não é um poster do novo filme da Disney"...
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O rock brasileiro precisa morrer.

por Vladimir Cunha


Tecnicamente o rock é um negócio limitado pra caralho. E justamente por conta disso ele sempre foi movido por sua capacidade de gerar possibilidades, sejam elas de fuga ou de auto-afirmação. O poder mobilizador do rock não está em uma resposta consciente a uma determinada construção simbólica. A música não arrebata ou emociona pelo seu aspecto formal e sim pelas possibilidades de criação que permite ao ouvinte. Nos últimos 50 anos, o que o rock pôde oferecer nesse sentido sempre foi mais interessante do que aquilo que ofereceu como expressão artística. É o que explica a sua necessidade de reinvenção e conflito consigo mesmo na qual está metido desde que, dos anos 60 em diante, gerações de músicos floresceram negando umas às outras, conflitando símbolos e pontos de vista, oferecendo aos ouvintes um ciclo contínuo de morte e renascimento.

Foi preciso que a Invasão Britânica fornecesse um novo ponto de vista ao rock’n’roll para que, a partir dela, todos os sub-estilos do rock se desenvolvessem na segunda metade dos anos 60. E quando os códigos e paradigmas dessa mesma geração se transformaram na pretensão vazia e elitista do rock progressivo – que fornecia escapismo, mas não diversão e catarse - surge o punk rock, pronto para criar um novo horizonte de possibilidades para os jovens sem futuro de todo o mundo. Quando não se tem isso, trata-se apenas de música pop no seu pior sentido, um produto da indústria do entretenimento com propósito e vida útil bastante definidos.

Agora imagine que você é um garoto de 12 anos, ainda meio confuso com os pentelhos crescendo, as espinhas na cara e o súbito interesse nas meninas da rua, curando com muita punheta e site de mulher pelada o fato de que todas elas te acham um zé-mané. Você não é mais criança, mas também não é adulto e precisa encontrar uma trilha sonora decente para esse período de turbulência. Você sintoniza uma “rádio rock” qualquer, liga a TV e ai vem a pergunta: que possibilidades de criação, revolta e catarse oferece a você o rock brasileiro dos anos 00?

Provavelmente nenhuma. Essa foi a única resposta que passou pela minha cabeça enquanto via a banda Cine lançar o clipe de “Garota Radical”, seu primeiro single, uma overdose de cores cítricas e penteados mirabolantes na qual os músicos são apresentados como se fossem caixas de sabão em pó. A produção profissional e higiênica ocupa tanto espaço que não existe aqui nenhuma brecha para a criação de um novo olhar. Mas, espertamente, e por ser um produto voltado para adolescentes do sexo feminino, a imaginação foi deliberadamente substituída pela fantasia, seja ela sexual ou afetiva.

É assim que se apresenta o rock brasileiro nos anos 00: como um veículo de satisfação imediata, que por ser baseado em regras de mercado, e não em imaginação e força criativa, não possibilita o estabelecimento de um novo paradigma ou de uma nova percepção. NXZero, Fresno, CPM 22, Leela, Capital Inicial, Cachorro Grande… todos esses grupos apresentam-se apenas como produtos da indústria cultural e como uma caricatura de transgressão e não como proponentes de novas possibilidades de criação.

Quando o mundo é uma merda.. (...leia todo..)

Um comentário:

sergio m. disse...

Em matéria de representatividade, q acho ser o cerne do texto, o rock brazuca é a cara dessa geração: patética, acrítica, enfim, emocore...
Vejo aí um deslize do texto. Além do que essa ideia de que a cultura de massa tem de ser necessariamente "a minha cara" (como diria a 'esbofeteada') é balela. A CdeM existe e ponto. É deliciosa e odiosa e justamente essa possível dicotomia é que a faz 'de massa'. Nick Hornby, aquele de 'Alta Fidelidade' disse outro dia que nunca o mundo esteve tão bom em matéria de opções musicais: temos um R&B forte, uma cena rocker bonitinha com Strokes etc etc. E ainda temos Madonna, digo eu. Acredito que esse caos em que estamos, com mano Caetano a cada dia querendo ser prefeito de Sto. Amaro, passará. E eu? Eu passarinho, uai...