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14 de dezembro de 2009

O grande Príncipe..


É. Estou chegando à certeza mais ainda de que o crescimento, ha décadas, está sendo mais individual do que coletivo. Nova Era? Vou explicar e definir crescimento, óbvio. Não falo do crescimento físico, também obviamente falando. Falo de crescimento espiritual, cognitivo, emocional e porque não dizer, afetivo. Ainda existem pessoas que não acreditam assim e colocam sempre no outro a responsabilidade pela sua felicidade. Clichê? Não. Culpa de Exupèry e seu 'Pequeno Príncipe'? Bingo! Só me deslumbrei com o "Tu te tornas ETERNAMENTE responsável por aquilo que cativas" quando era adolescente mesmo, porque depois?..Não, jamais me tornarei ETERNAMENTE responsavel...já pensou? O ETERNAMENTE já é demais, imagine o ETERNAMENTE RESPONSÁVEL? Aí o outro se sentará num sofá e ficará ali, esperando que você se rebole pra ETERNAMENTE faze-la feliz, porque senão ela não será? Posso até passar a eternidade com alguém, morrer juntinhos romanticamente falando, mas essa outra criaturinha terá que dar seus pulos para ser feliz, independente tambem de eu te-la cativado, ou nem tanto como ela esperaria, ok? Tenha santa paciência. Eu serei eternamente CULPADA de te-lo cativado ou NÃO TÊ-LO CATIVADO, então? Peraí. Então vamos fazer um trato, a gente se cativa e não será responsável por isso, já que não PRECISAMOS um do outro, estamos um com o outro porque QUEREMOS e ESCOLHEMOS. Estou pondo caixa alta em alguma palavras pra chamar atenção pra elas mesmo. Eu me sinto muito feliz sozinha e as pessoas que amo, eu amo, gosto, sinto prazer em estar com elas, não porque preciso delas, mas porque as amo. E pronto. Elas são o que são e a motivação para me cativar elas já tem, porque eu as escolhi, com seus defeitos e qualidades. Acabar um relacionamento, por exemplo, ainda vem sempre recheado de tanta cobrança e muitas vezes hostilidade (principalmente se o sentimento for unilateral e geralmente o é), que essa consciencia cabal de crescimento individual ainda está muito longe de ser mais aceita e pulverizada. Se voce é a parte que quer continuar, e apenas olha pro outro que não quer mais, que acabou a relação com voce e diz: "Ok, vamos ser amigos, se você não quer, a fila anda e vai tudo ficar lindo e seremos felizes separadinhos tambem" , embora queira estar com a criatura, mas tem consciencia de que se o outro não quer, paciencia, quem perdeu voce foi ela (a pessoa) - voce é insensível, seco, indolor e "nem fazia questão de mim mesmo..buaaaaaaaaaaa". Se você é a parte que acaba, por não ter mais a velha sintonia, ou por quaisquer outros motivos, geralmente não aparentes (fora traição, etc) como falta de amor mais, algo assim, você é sacana, egoísta, prepotente, e por aí vai. Estive na situação numero 1 apenas uma vez a muitos anos atrás e, como Scarlett O'Hara em "E o vento levou", que bradou: "Nunca mais passarei fome nesta terra!", levantei minha mãozinha pros céus e disse: "Nunca mais sofrerei por amor, nem deixarei de ser feliz sozinha nesta terra!". E pronto. Comecei a correr atrás, não de bens materiais, porque já sabia o que era tê-los, mas atrás de uma paz de espírito, de uma coerencia espiritual e de valores, do crescimento individual, me amando tanto, que realmente, é até privilégio de alguns ainda estarem ao meu redor, desculpem a soberba. Porque a gente passa a se amar tanto, mas tanto, que ESCOLHEMOS a quem amar, independente de NOSSOS defeitos (e como os temos!). É imprescindível a consciência de amor próprio, de auto estima elevada, de saber-se feliz, independente de circunstâncias, mas mais imprescindível ainda é se livrar do peso de ser OBRIGADO a fazer alguém feliz, se esta outra pessoa não fizer um esforço para sê-lo, pelo simples motivo de QUERER ser feliz. Ela vai sempre estar insatisfeita, ela vai sempre ver problema em tudo, ela vai sempre entrar numa de autocomiseração e instabilidades, e quem sabe não irá lhe fazer infeliz, mesmo você fazendo-a feliz, como Exupèry sugeriu. Cativou a mim, agora me aguente. Na situação numero dois, mesmo levando o nome de ruim, cruel, 'sem coração', mantenho a minha posição de que, se não há como continuar a relação, e o outro está lá se descabelando de sofrer. paciencia. O amor a si mesmo tem que falar mais alto e ela tambem tem que chegar a esta consciencia. Quanto mais a pessoa safa, independente, mais eu me apaixono, me encanta. A dependência emocional me amedronta, assusta, afasta. E será que a dependência emocional será a danada da 'responsabilidade' que o danadinho do Exupèry quis dizer? Ah, se for, gosto menos ainda dele. Ainda bem que me relaciono com muita gente que já teve essa sacação, essa lucidez em algum momento da vida, de que esse CRESCIMENTO INDIVIDUAL é premissa para estar mais feliz, num mundo tão caótico como está se tornando o nosso. Não dei "O Pequeno Príncipe" pros meus filhos lerem e não aconselho aos alunos. O livro é engraçadinho e todo mundo tem que ler mesmo, mas antes, passa ali na casa de quem voce gosta, vá ao cinema sozinho, ria de si mesmo, ame-se adoidado, porque com certeza 'serás eternamente responsável só e somente só, por ti mesmo'.

Um comentário:

Ademir Furtado disse...

Olá,
Pois eu acho que essa questão envolve dois níveis de crescimento. Primeiro o emocional ou psíquico, que é o auto-conhecimento, para saber o que realmente nos deixa feliz.
E segundo, um crescimento intelectual, que por sua vez envolve os dois anteriores, pra gente poder se livrar dessa tramóia de valores que enfiaram na cabeça da gente, sobre felicade, amor romântico, responsabilidade etc.
Quando a gente adquire um bom nível de auto-conhecimento e se livra de toda essa conversa fiada dos padres e freiras, então é possível ser feliz sozinho, apesar do Tom Jobim afirmar o contrário.