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8 de dezembro de 2009

Molho Shoyu feliz.


Não me peça pra ser sempre simpática, embora me digam que eu seja. Eu não gosto de gente que vive felizinha demais, de gente efusiva demais. Me desmancho toda cá 'dendimim' e já me atrai a atenção quando me deparo com alguem que não me diz bom dia todos os dias ao cruzar meu caminho. Eu tambem não digo. Já direciono minha atenção e quero logo me aproximar (mesmo que isso não aconteça, por causa da minha infame intolerância pelos humanos) fantasiando uma amizade longa, quando a pessoa não faz o menor esforço pra ser simpática a mim. Sério. Gosto de pessoas mal humoradas, ácidas, sagazes. Não mal educadas. Isso nem sempre é premissa ou propriedade de alguem que é sagaz ou mal humoradinho. Seja efusivo demais e já terá de mim uma cara de cinismo monstra, ou minha ausência. Frequento um barzinho aqui na cidade que sempre, e sempre, e sempre estão lá duas moças, todas as vezes que vou (ou seja, elas estão lá então praticamente todos os dias) geralmente às quintas e sextas, comer um frango ao molho shoyu delicioso, na companhia de um grande amigo. Estas duas moças merecem aplausos pela simpatia exagerada e vocação pra bobas-da-corte. Na verdade até o jeito que se vestem é parecido. Não, eu nem sabia que um amigo de umas amigas (pela afinidade já percebida, já é meu amigo de infancia tambem, como ele mesmo denominou..hehehe) já havia dedicado a uma delas um texto falando sobre chatice porque já a conhecia. E tive vontade de escrever sobre isso tambem. Até porque ficamos elocubrando sobre o assunto, se a pessoa que é chata sabe que é chata. Mas meu texto não é só sobre a chatice. É sobre a minha muitas vezes androginia e androfobia, e porque não dizer, aversão mesmo a alguns espécimes de seres humanos que estão soltos por aí e não sabem que nem sempre são bem-vindos e que ser otimista ou pessimista é de uma sigularidade muito sutil. Eu nem sou uma pessoa tão má, mas tambem nao sou boazinha demais. Na minha cabeça funciona um motorzinho cinematográfico em alta velocidade e quando me deparo com gente efusiva demais, saltitante demais, esse motorzinho já me evoca a uma viagem que vai até à infância da criatura. Acho que são as mais infelizes. Com pessoas mais excentricas, ácidas, não tão bem humoradas, que não fazem esforço pra serem simpáticas (putz..excentricos me atraem sim, fazer o que?..embora excentricidade nem sempre signifique inteligencia e sagacidade), enfim..me sinto bem mais confortável e consciente de que dali não sairá falsidade. É fatal. Tive uma amiga assim. Era só sorrisos com as pessoas, elogios, simpatia, mas, assim que a criatura virava as costas, destilava todo o veneno que a cobra mais peçonhenta do mundo se tornaria uma minhoquinha. Não sou mais amiga dela, por exemplo. Não me peça pra ser simpática todas as vezes que voce se encontrar comigo. Serei educada, mas nem sempre simpática. Muito menos política. As duas moças citadas lá, estão a cada dia piores, parecem sempre estar num picadeiro. Beijam as pessoas de mesa em mesa no tal barzinho, sempre rindo, andando de um lado pro outro, distribuindo 'simpatia'. Uma coisa nojenta, pra mim, é. Me deixe só cá. Não me peça pra ser simpática assim, porque estarei sendo fingidinha e não aceito mais, no auge dos meus ainda melodiosos 4.0, fingimentos. Não admito mais fingir nada, quem dirá simpatia. Me seja otimista, mas me diga ao menos que leu os jornais. Não seja tão otimista se quer me enganar e dizer que os políticos são todos bonzinhos e a corrupção é conto de carochinha. Seja pessimista, mas me diga na real quem é aquela pessoa ali que eu não devo me relacionar, seja pessimista mas não me diga mentiras. Seja otimista mas me diga verdades que preciso ouvir. Ou seja, o mundo precisa cair na real que a humanidade está deteriorada e precisa de posturas conscientes, relações mais sinceras, amores mais duradouros, mais respeitadores, valores mais sutilmente demonstrados como balizadores destas mesmas relações, sejam de amizade ou afetivas. Respeite meu mal humor de manhã, se eu acordar de mal humor, porque no outro dia posso acordar lhe enchendo de beijos. Tambem respeitarei o seu e só lhe darei bom dia depois do seu tempo. Mas seja sincero. As duas moças estarão sempre dizendo boa noite, rindo e efusivamente sendo simpaticas a todos. Deixe lá, afinal. Mas, fique só lá e me deixe só cá, cacofônicamente falando.

2 comentários:

DJAMAN BARBOSA disse...

Abaixo, Polyanna! Morte a Doris Day! Fora, Sandra Dee!

Ademir Furtado disse...

Eu de novo.
Cada vez que leio um texto teu fico lamentando que a gente viva tão longe um do outro, pois tenho certeza que teríamos muitos assuntos pra conversar.
Eu também não suporto pessoas deslumbradas, aquele estilo ator-da-rede-globo, que está sempre "no momento mais feliz de sua vida"
E fico imaginando a gente se encontrando num dia "daqueles", ambos de mal humor, e ficar os dois sentadinhos num bar, sozinhos, cada um mirando o outro, nos admirando mutualmente, sem nos falar.
Seria uma amizade muito intensa e duradoura