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30 de maio de 2010

Eu apareço.

É uma epidemia, é uma endemia. Não adianta mais. Todo mundo hoje quer ser um pouco artista, quer ser modelo, quer ser da mídia, quer aparecer. A 'cultura' que se instaura é a da exposição a qualquer custo. As crianças, os adolescentes, principalmente, são contaminados com essa doença. Eu não tenho pra onde correr mais, apesar de achar isso uma coisa estúpida e sem graça, e porque não dizer, bizarra. Até em minha casa isso chega. O vírus é letal, não adianta. Filhos querem ser artistas, serem 'fortes', bombados, aparecerem na Tv. Sento num barzinho com duas meninas "en passant"e lá estão se arvorando modelos, com seus 'books' em punho. Você estuda o que? 'Jornalismo, mas somos modelos tambem'. Hum, tá bom, pede pra escreverem 3 linhas e os erros de portugues são mortais. Pessoas sem o menor talento, sem a menor graça, se sentem, claro, aceitas por um mundo de glamour e 'reconhecimento fácil' e sem muito esforço, principalmente mental. A televisão e sua engenhosa e espetacular dominação das mentes mais fracas, detona sem pena os menores sonhos de ser, hoje em dia, um médico, uma professora, um profissional qualificado em outras áreas, se chegar com uma proposta em vias de aparecimento público. Eu odeio TV e sou chata quando estou assistindo, entre cochilos. Ela e a internet hoje são a estante principal do empobrecimento cultural. Não existe mais a vocação, o talento. Eu sou o que apareço na TV. É gente feia, é gente chata, é gente sem graça, é gente sem cultura., sem articulação verbal, sem inteligencia. É a burguesinha que toca violão e teve todas as oportunidades de estudar, é chatinha, fala pra caramba coisas sem sentido, que se mete a adulta, que pula etapas da vida, numa tentativa enlouquecida de aparecer, e consegue. É a menina que vê as 'meninas fantásticas' na Tv e não quer mais estudar, quer ser uma delas, comer 3 folhas de alface por dia e chorar por causa da chapinha que não tá ficando bonita. É a feia e gorda que vai de vestido curto pra uma Faculdade e vira gente famosa (já repararam que a primeira coisa que elas fazem é alongar o cabelo?). É a professora primária que enche a cara e vai dançar pagode num palco com uma banda baixo astral, cheia de trogloditas pseudo-estupradores e acaba assumindo que seu discurso inicial de que 'sou professora por vocação' era fake. Isso hoje é sucesso. É a doença, a epidemia do glamour, da "appearance". É a figura excepcionalmente sem graça, bizarra, patética, desprovida de qualquer sexappeal, que lança uns videos na internet e 'se dá bem', porque a mídia evoca a isso, por causa de um Crossfox (deixa eu rir?). Não há mais a graça de ser simples, estudar muito e ter inteligencia, afrodisíaca por natureza. Ah, sim! E reproduzir isso pras gerações que virão. Todo mundo é artista. Não há mais a conversa inteligente, que passeia por livros, música boa, sensações incríveis das viagens filosóficas e experimentais, de vida. Isso hoje é chatice. Na Bahia então, nem se fala. Sou mesmo intolerante com um bando que conheço por aqui, que se arvora artista, quando na verdade não conseguiu ser quase mais nada na vida, tem preguiça de estudar, preguiça mental, falta de atitude e covardia em ao menos tentar ser alguma outra coisa e se mete a ser 'artista'. É fato. Não vai sair disso. Nem teoria musical tenta estudar um pouco, enquanto outros cheios de talento por aí vão fazer outras coisas. É a loucura da mídia, é a minha loucura e intolerancia. É a doença do aparecer na TV. É a coisa toda de aparecer e ser famoso, porque Xuxa disse que 'o cara lá de cima vai me dar' e 'vá atras do seu sonho', como se os sonhos sejam só aqueles que aparecem na TV. É uma virsoe, uma epidemia letal, transformando as relações sadias, as cabeças e as situações. Eu que vou ter que me contaminar, me deixar adoecer, senão quem vai morrer, por causa dessa doença, sou eu. Me passa o controle remoto, por favor?



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