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19 de setembro de 2010

Louvor.


Quero render minha sincera e profunda homenagem aos ignorantes por opção. Eles são a grande razão dos que se aproveitam do poder e dos que são imbecis em correr desvairadamente atras do horizonte sem fim que é o conhecimento, mas os aplaudo. Aplausos aos ignorantes, que escolhem e preferem sê-lo. Eu os amo e odeio ao mesmo tempo, numa mistura de sentimentos insana. Receio apenas desenvolver alguma psicopatia por não me conformar em não ser como tais. Os que optam pela ignorancia, em todos os sentidos, ignomínia desvelada, revela-se a mim como uma afronta. Eu me sinto dissecada e cortada ao meio. Jogada talvez em pedacinhos no mar das ilusões, sendo mais romântica. Eu não sou alguém que optei pela ignorância e por isso sofro muito, mas, aplausos. A consciencia atroz de que isso não é uma mera opção me causa uma auto-flagelação, um enternecimento, mas os aplaudo. A culpa é da reencarnação. Não, 'Nosso Lar', eu não posso acreditar que eu não passei pelo 'Ministério da Consciência Coletiva', o que me faria ser melhor, sem precisar passar pelo Limbo do amor ao outro, a ponto de aceitar que ser ignorante sem querer, me faria mais feliz. E quem é ignorante? De que adianta ler Proust ou qualquer coisa desse tipo? O que eu sei eles sabem de outra forma. Não sistematizam nem organizam as informações sobre o ser ou não ser, e são, com certeza, alguma coisa. Todos somos mais felizes quando somos ignorantes e toda experiência reduz a ignorância (não, esse 'a' não tem crase). Cada ignorância tem sua peculiaridade. Quem é melhor? Os incautos? Quem sabe mais? A doença dos que optam pela ignorância é que é cruel e assintomática. Ignorância de que e sobre o que mesmo. se eles não sabem? Qual a medida do saber-se, se o saber ainda não se revelou? Aplaudo de pé e melodramaticamente me curvo diante dos que passam pela vida e optam pela ignorância. Os que sabem o que eles não sabem, sabem de outra forma, e tem que ir pro inferno. É...aplausos. Me conformo apenas com o fato de que minha opção de saber-me, me faz saber que o que sei vai me matar de uma outra doença: a falta de sossego numa manutenção do anonimato, da putrefação do que sei, em detrimento de uma massa que não sabe o que julgo como importante e agradável. Todos vão pra debaixo da terra e eu sei disso. Os outros tambem sabem. E isso basta. Aplausos a Proust.

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