Siga-me.

15 de outubro de 2010

Monet.

Eu não gosto de ver violência, seja na TV, nem no cinema, nem na internet, nem ali na esquina... Não gosto de ver também na vida real. Não gosto de saber que uma mãe dá drogas aos filhos embora saiba que isso pode acontecer. Não gosto de ver corpos estirados no chão, não gosto de ver gente morta é de jeito nenhum. Não gosto de saber que polícia e bandido existem. Não gosto de ver gente com arma na mão. Não gosto da palavra matar e ela hoje é dita de maneira bem banal..vi uma apresentadora de um telejornal dizendo ao outro apresentador que sentia vontade de matar fulano, quando tal coisa assim-assim acontecesse. Foi incutido na minha mente que matar é pecado e eu tenho prestado muito mais atenção nas coisas que antes eram tidas como pecado, por incrível que isso possa parecer. Traição, inveja, ira, etc, eram pecado e mais evitados e trabalhados (?). Eu não gosto de violência, ainda mais aquela violência velada, fingida, escondida, desrespeitosa, de pessoas que sabem que estão lhe provocando, lhe incitando a perder o controle. Não gosto de violência, mas também não gosto de falta de respeito, de falta de confiança, de oportunismo. Não gosto de gente, na verdade, já que gente é bicho que não tem respeito aos seus iguais. Se eu preciso ver violência, deixa que aconteça por acaso. Não preciso saber que tem uma loira ali na TV falando que é a 'vida real', que sou obrigada a ver que o crack tá consumindo as mentes das crianças. Eu já sei disso. Não quero mais ver. Não quero mais ver novelas. Não gosto de novelas que mostram a vida real. Eu já vejo a vida real aqui, por aqui, por perto de mim. Porque nossos filhos, em formação, precisam ver agora o que eu só vi muito mais tarde e convivi muito tempo sem ver? O homem é ruim por natureza e a incitação ao que é violento, obscuro, torpe, feio, só nos faz abrir os poros para que penetrem em nossa pele e corpo o que não presta. Eu quero ver mais coisas boas ao meu redor. Quero ver respeito, gente educada, gente que não precisa dar bom dia  com cara de paisagem, mas que mesmo não dando bom dia, saiba que o dia vai ser bom. Eu não gosto mais de ver coisa ruim. Não gosto. Deixa que o que for ruim chegue sem eu querer, ou não chegue. Não gosto de saber que vizinhos não se respeitam. Não gosto de saber que pais espancam verbalmente seus filhos, sem lhes dar sequer um tapinha na bunda como meus pais me davam. Não, eu não gosto de ver mais nada disso. Não gosto de ver homem metido a macho, metido a valentão, borra-botas, enquanto meu amigo que acham ser gay é amoroso comigo e me é mais chegado que um irmão. Não gosto tambem de ver mulheres chatas, faladeiras e não quero saber de amigas que não sabem diferenciar o que seja importante ou não na vida. Eu não suporto fazer o que não gosto e tem gente que me enoja. Desenvolvo sim certos nojos de certas pessoas, pelo simples fato de que estas tem pouco cerebro e acham até que tem algum. Me dá nojo gente sem cerebro e eu me afasto destas. Gosto de gente genuinamente excentrica, inteligente, com uma certa bipolaridade controlada, simples e educada. Não gosto de vida real quando ela mostra a parte ruim. Me deixa com a parte boa. Preciso limpar meus olhos com o que é bom. Não me conte mais que tem um corpo ali estendido no chão. Eu não quero ver mais nada disso. Quero ver só meus quadros de Monet..

2 comentários:

Ademir Furtado disse...

Por isso que hoje eu só leio a revista Caras. Além de só aparecer as lindinhas da Globo não preciso aguentar o Serra fazendo terrorismo, que a Dilma vai impantar o comunismo no Brasil, e outras violências do gênero.
Beijinhos

Karine disse...

"Gosto de gente genuinamente excentrica, inteligente, com uma certa bipolaridade controlada, simples e educada." Então você já me ama... rsrs

Brincadeiras à parte, é por isso que praticamente não assisto TV. Para não ficar off total do mundo, leio jornais na internet, quando posso achar que "escolho" o que ler.

Quanto à violência velada, ela me assusta profundamente. Medo dos falsos sensíveis, dos cínicos, dos dissimulados... eita, quero distância dessa gente.

Abração, Helena.