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29 de novembro de 2010

Flora e Odete Roitman.

Hoje acordei nervosa. Nervosa e mal humorada. Chateada, com raiva. Assumidamente ácida. Vejo na TV que um homem matou o outro por causa de uma briga na garagem de um prédio por causa do cheiro de óleo queimado e honestamente não me abala. Até dou razão ao cara que matou. É. Posso ser sincera? Entendo hoje em dia certos arroubos por aí de violência porque sou contida demais e respeito aos outros demasiadamente. Explicarei.

Passei um final de semana delicioso, com amigos queridos, que me fazem feliz e rir muito. Me fazem também entender e ver a vida de forma leve. Estou explicando que sou uma pessoa feliz, embora tenha acordado assim. Tambem, antes de dizer o que quero realmente dizer, tenho que explicar que mudei de endereço desde julho, saí de um apartamento para uma casa. Acho que já citei isto aqui. Não esperava, portanto, que meus dias de paz houvessem meio que acabado, porque adquiri, além da casa, uns vizinhos infames.

Ontem, domingo, depois desse final de semana gostoso, ao chegar em casa me deparo com a rua que estou morando fechada, por um carro com o fundo aberto, motos, bicicletas, muita gente feia e uma orgia musical, com pagode chulo e som nas alturas. É, eu sou preconceituosa mesmo. Não tinha condição de entrar com meu carro na MINHA garagem e tive que pedir que, por gentileza me PERMITISSEM entrar na MINHA casa, sendo bem repetitiva. Depois de ter que sentir um cheiro terrível de cachaça e suor, um mau cheiro de gente suada também, isso de frente à minha casa. Eu estou escrevendo isso aqui de maneira bem calma. O que eu gostaria era de estar aqui escrevendo com centenas de palavrões.

Os dois vizinhos do outro lado, um gringo e uma moça com carinha de freira, que são contidos, educadíssimos e simpaticíssimos, tudo no superlativo absoluto sintético (pra não perder a linha fina do texto)  além de muito respeitadores e gentis, já estavam do lado de fora quando viram meu carro apontar, com cara de desesperados, para me pedir o telefone do dono da casa dos infames, já que é aluguel. Eu não tenho o telefone do moço.

Bem, minha irritação estava instaurada, não só pelos espécimes horrorosos descendo até o chão na minha porta, nem tampouco somente pelo mau cheiro que exalava de tais corpos, nem tanto também pela sensação de estar num pagode de beira de estrada ou dentro de algum presídio, com aspirantes a marginais e marginais eméritos à minha volta, mas mais pela afronta que os moradores da casa são capazes de causar, sem a menor preocupação com o outro, seja eu, ou qualquer vizinho.

E mais: Estou abandonada, desprotegida pela policia ou por qualquer órgão do poder publico, sabiam? Meus vizinhos educadinhos e polidos ligaram pra todas as instâncias possíveis e simplesmente NENHUM foi capaz de aparecer. Quando finalmente consegui entrar com meu carro na garagem, o carro dos trogloditas machos e trogloditas fêmeas foi embora e o som passou pra ‘dendicasa’, e apenas depois de mais ou menos 2 horas, parou. Vale dizer que mandei um email até pra Presidencia da Republica. Policia, Ministerio Publico, imprensa, enfim.

É..isso me abala profundamente porque acho que minha casa tem que ser um lugar de paz, tranqüilidade. Me abala também porque trabalho muito em casa e vivo numa tensão constante se os loucos dos vizinhos vão me presentear com sua musica e xingamentos ou não, todos os dias. Me abala também porque já fui la, eu e os outros vizinhos, pedir com toda educação possível, mas não adianta.

Acordei então sociopata. Acordei então com ojeriza a pobre (esses vizinhos infames são pobres, na verdade paupérrimos, porque pobre desse nível se enxerga longe). Acordei então com nojo de gente desrespeitosa. Acordei então de mau humor, com ódio mesmo, porque estou abandonada por um Poder Publico, entregue à minha própria sorte, refém desses mal educados, sem bom senso. A policia, que insiste em dizer que não 'tem mais nada a ver com isso', que devo ligar para a secretaria do meio-ambiente e SMT, mas as mesmas nao funcionam em finais de semana, aos domingos principalmente. Eu posso ser assassinada por um psicopata louco de um vizinho desse e tenho que me calar. Isso me ofende profundamente porque eu não faço isso com eles. Eu não os desrespeito.

Ta bom. Não vou alimentar sentimentos de raiva por causa disso, mas que eu acordei de mau humor acordei, ora essa..demorei horrores para dormir, por conta de, mesmo tendo desligado o som, continuaram o papo ‘cabeça’ deles, gritando as crianças com os nomes estrangeirados. Eu não agüento isso. Preciso dormir bem, preciso me sentir bem. Sinto saudade do meu apartamento que me trazia tanta paz, mas não sou de sentar e ficar chorando. Já estou articulando planos de como resolver isso, embora ache um horror ter que me preocupar com isso, causado por uns infames desses!

Não me digam que estou exagerando porque o caso é esse mesmo. Não se justifica a violência, mas há casos em que a provocação é visível e não há mais alternativa. Não estou querendo aqui dizer que sou sociopata nem vou assassinar alguem, repito, mas juro que gostaria que esse povo sumisse da face da terra. Eu acordei de mau humor por causa deles. Assumidamente ácida e com todo preconceito do mundo em minhas costas. Tô procurando aqui no Google o telefone de Odete Roittman, alguem tem? Pode ser o de Flora tambem..




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