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18 de novembro de 2010

Malabares.

A reação é quase sempre a mesma, de uma certa desconfiança, seguida de repulsa, depois de piedade, depois de culpa. Conta-se uma história triste, de que precisa voltar pra casa, ou está com uma doença terrível, que está passando por milhões de dificuldades. Não se pode mais nem sentar num bar, nem em um restaurante 'em paz', nem parar seu carro numa sinaleira. Lá estão eles. Um conta que precisa de só alguns reais para poder voltar para sua cidade distante, outra se aproxima já munida com arsenais bélicos sentimentais de todos os tipos, até lhe convencer que por ser cristão, precisa dar a ela mais uns trocados pra completar os pães que estão já em uma sacola, que leva sempre. Citei a culpa como ultimo sentimento que chega, por conta da culpa de as vezes não dar por não ter, ou por simplesmente não querer mesmo. Nada disso tem muito a ver com o que vou contar, mas..hehehe.. Se bem que até tem. Parei no sinal, semáforo, essa semana e vi um belo rapaz fazendo malabares com 3 tochas. Ele é um moço que eu denomino feio-bonito, ou bonito-feio. O conjunto é bonito, embora seja feio. Ou, ao contrario. Não importa. Importa que ele tava lá fazendo sua performance e eu olhando fixamente, porque alguma coisa nele me atraiu, talvez alguns músculos (será que estou com minha libido em alta??). Talvez por ter essa caracteristica atraente, mas tambem pela atuação com os malabares, que realmente é sensacional. Quando acabou sua performance, ele veio já em minha direção, com o chapéu em riste, em busca de alguns trocados. Eu entreguei algumas moedas a ele, mas disse que eu havia ganhado um presente, a performance dele e seu sex appeal. Não sei se ele entendeu outra coisa (eu falei sex appeal mesmo), ou entendeu certo, mas ele me deu um beijo! É, um beijo no rosto, tão impactante que eu, alem de tomar um susto enorme, porque achei que fosse me assaltar, ja que teve que se aproximar demais, quase entrando no carro, ri muito com a situação. Não, eu não dei em cima do moço, apenas falei a verdade. Eu não sei a historia desse rapaz, nem ele precisou me contar uma historia triste pra ter de mim alguns trocados, apenas mostrou sua alegria e seu talento, a ponto de extravasar em mim, através do beijo, sua gratidão pela minha admiração e agradecimento tambem. Uns dão, outros recebem, tenham historias tristes ou não. É, acho que depende mesmo da performance de cada um receber mais do que dar. Vou fazer uma cartilha e distribuir nos bares, aos 'pedintes' que me abordarem de agora em diante, de como se dar bem melhor quando forem pedir, mas tomarei isso como lição pra mim também. Pode parecer simplória demais minha constatação, já que a miséria assola mesmo e tenho consciencia da pobreza e de situações calamitosas de alguns. Não vou entrar nesse mérito. Apenas acho que seria menos cruel para ambas as partes se o abordado e o abordante não se detestassem tanto, antes se atraíssem. Vou ali ver se consigo mais um beijo por aí..Qual a performance?

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