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28 de dezembro de 2010

Pondé/Amy.



Trecho de texto escrito por Luiz Felipe Pondé para a revista Serafina de domingo (Folha de São Paulo)

E Amy não faz ridiculo de boazinha, coisa rara na cultura dominada pela breguice. [...] Haja saco para roqueiros que cantam em nome de um mundo melhor. A imagem de astros pop morrendo de overdose nos anos 60/70 fazia parte da ética contra o sistema. De lá para cá a caretice de se preocupar com o corpo tomou conta do mundo. E artista bonzinho é artista fraquinho. Não é que se morrer de overdose voce é talentoso. Pode ser apenas mais um idiota da fila.

A virtude básica da tragédia é a coragem de viver sabendo-se amaldiçoado pela finitude e pela falha trágica, ou seja, a desmedida ( hybris, em grego antigo ). A desmedida é o passo que leva o herói a maldição, o exagero passional, a revolta diante do destino. Estamos todos condenados a gargalhada da morte. A diferença é quem ri de volta para ela, dançando, ou quem chora de medo. Por isso Nietzsche dizia que o que move a vida da maioria é o ressentimento diante da gargalhada da morte que nos humilha.

Aristóteles já dizia que o terror trágico (a desmedida, o desespero, a morte) que toma conta dos heróis nas tragédias gregas, nos contamina e nos enlouquece de paixão (pathos) por eles. Mas por que?

SIMPLESMENTE PORQUE ELES NÃO PARECEM TER MEDO COMO NÓS.

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