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10 de janeiro de 2011

Baixosuficientemente.

'O alpinista Bernardo Collares Arantes fraturou a bacia quando escalava com a amiga e também alpinista Kika Bradford. Após conseguiram chegar ao topo da montanha, os dois montanhistas estavam começando a descida quando aconteceu o acidente. Kika, então, desceu para buscar socorro...'

Não me chame mais para arroubos impetuosos e aventuras radicais. Mesmo que eu saiba muito dirigir, por exemplo, mantenho meu pé leve no acelerador, reconhecendo meus limites, que não são poucos. Quando vejo uma notícia lamentável desta, da morte de mais um alpinista, nessas condições, a primeira coisa que me vem à cabeça é o fato de que a auto suficiência detona qualquer ser humano. 

Não consigo imaginar o que leva alguém a desafiar e contrariar fatores naturais, em busca apenas de uma auto afirmação e reconhecimento. Minha mente limitada para certas coisas não me deixa margem para me colocar no lugar de alguem que sequer pensa em fazer uma coisa dessas. Superação de limites? Como assim? O monte Fitz Roy, na Patagônia, no extremo sul da Argentina tem um clima inconstante e severo, esteja ele como esteja. Se são ventos, são ventos fortíssimos, enfim. A auto suficiência, mais uma vez, matou alguém. 

Meu irmão adora dirigir e se revela mesmo um excelente motorista. Mas, ao viajar com ele, percebo que sua auto confiança exacerbada o leva a cometer arroubos assustadores, como colar nos fundos de caminhões, antes de ultrapassar, correr demais em determinados pontos da estrada que, segundo ele, já conhece, etc. Eu nunca confio demais no que sei, ou no que acho que posso fazer. Nunca confio demais em mim mesma quando o assunto é auto suficiencia, já que sou muito medrosa e muito consequente, principalmente quando o assunto é lidar com a natureza e afins.

Essa fatalidade é mais uma prova de que, mesmo sendo um montanhista experiente, Bernardo se atreveu demais. Não chamarei de inconsequencia, já que, com certeza, a preparação deve ter sido grande, mas, num comentário bem simples, o respeito ao que é maior que ele, foi esquecido. Me ensina a cada dia me atrever menos, na medida do possível ser a cada dia mais prevenida e pensar duas vezes antes de me aventurar a coisas desconhecidas demais. Estamos hoje em dia em risco constante, seja em qualquer lugar, mas ainda acredito na prevenção, antes de 'remediar', como diriam meus pais.

Fique lá em cima em paz agora, Bernardo. Eu fico por aqui mesmo. Viva.


Um comentário:

sergio marcone disse...

Não sinto pena de quem pratica esse tipo de esporte e se dá mal. Pelo contrário, penso q o auge é se dar mal mesmo. É um recorde, um feito.