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13 de janeiro de 2011

Tristeza por formigas mortas.

Quando eu era criança adorava destruir formigueiros. Prá mim aquelas formigas eram pequenas demais que eu não pudesse dominá-las. Eu era pequena também, ora essa. E destruir aqueles formigueiros, esses seres que minha mãe reclamava tanto, que invadiam o açucareiro, as comidas de cima da mesa, da pia de casa, até mesmo da geladeira era questão de honra. Formigas bebem até água, fico besta com isso, ao levantar o suporte de água mineral e constatar que estão ali dentro. Até hoje não gosto de formigas, principalmente aquelas pequenininhas, mesmo que alguns insistam em dizer que faz bem 'pras vistas', quando voce engole algumas em algum alimento. Eu dominava os formigueiros, jogava coisas dentro, objetos, água sanitária, Coca-Cola (elas não curtiam os alimentos da minha mãe? Toma!), enfim, de tudo. Adorava fazer isso e esperar, para no outro dia ir lá ver o resultado, se aquelas infames e excelentes engenheiras tinham morrido, arrumado suas 'malas' e ido embora, qualquer coisa. Eu me sentia muito poderosa, protetora da família. As vezes a frustração era tamanha e eu praguejava sozinha, enquanto arquitetava planos mais sórdidos ainda, quando simplesmente não saía cavando e pisando em todas. O maior destruindo o menor. Eu conseguia, porque era maior que o exército delas. Numa análise macro, abrangente, sinto pena de mim hoje em dia. Sinto pena de mim, por me enxergar como em um formigueiro desses. Lá dentro. muitas vezes impotente diante de uma natureza gigante, tremenda. Eu invado o 'açucareiro' da natureza todos os dias quando, precisando sobreviver, construo casas em encostas. Eu jogo lixo nas ruas, nos bueiros e, como as formigas da minha casa, vou causando destruição. Eu sou má. É da minha natureza.  Aí vem a natureza, que nem é ruim como eu e me detona, só num sopro, numa pegada alta, grande, atroz. A natureza é o que ela é, majestosa. Aí eu tenho que me resignar e parar de invadir os lugares que ela dita que não posso invadir.. A natureza vem e mostra que o tal 'aquecimento global' é culpa minha e me faz sentir muito calor, como os fósforos acesos que eu jogava dentro das construções dos insetos citados. Eu que me vire agora, em aturar as alterações climáticas, acabando com tudo. É natural, a culpa é minha. A culpa era das formigas, que invadiam minha casa.
Chuvas essa semana no RJ


Eu ficava questionando porque elas não ficavam no lugar delas, já que aquela casa ali era minha. Até hoje quando mato um inseto, me pego xingando o infame de todos os nomes possíveis, já que já me diagnostiquei portadora de Entomofobia (entomofóbica, com fobia de insetos) e dizendo: "Quem mandou voce vir pra ca? Vai morrer porque invadiu meu espaço, seu #%$%&%%$! Eu não invado o seu!". A natureza vem e pisa em nós, meras formiguinhas, parte dela. A natureza vem e através da chuva dizima famílias, bairros, cidades, sem planejamento urbano. A natureza grita, grita e grita, dizendo a nós que chega de tanta maluquice, de querer ser maior que ela. O homem, inconseqüente e insano, abusa e atormenta essa natureza, pagando um preço altíssimo: lamento e choro. Como um formigueiro sendo pisado. Eu ainda detesto formigas e nunca sinto piedade delas, mas do ser humano eu sinto, por saber que as formigas são muito mais espertas e, embora suscetíveis a perigos como eram a mim, se organizam muito melhor, enquanto que o ser humano está atabalhoado, digno de pena, perdido e digno mesmo de misericórdia.Eu respeito a natureza, sempre, embora saiba que ela nem se importe muito comigo. Ela é grandiosa e eu sou uma formiguinha. As formigas são menores que eu e são irracionais. Lamento profundamente os ultimos acontecimentos, essa tragédia no Rio de Janeiro, pelo sofrimento de tantas perdas e familias. Mas, com relação à natureza quem tem que saber meu lugar sou eu, que me julgo racional. A natureza agradece o meu respeito, e as formigas fiquem onde estão. Eu, essa formiga aqui, também agradeço.

Um comentário:

Antonio Luiz disse...

Muito bom