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18 de março de 2011

Pride.

É meu orgulho. É ele. Ele é tudo, eu sou nada. Mas ele diz que sou tudo. Ele não me permite caminhar mais de duas milhas. Ele não permite que eu diga mais que duas vezes algo doce e romântico, mesmo que meu coração insista em dizer mais de mil vezes. Ele não me deixa gostar mais de outrem, do que gosto de mim mesma. Ele não deixa. Meu orgulho não permite que eu tome lugares de caçadora, quando eu, eu e eu tenho que ser a caça. Meu orgulho me cerca, manda em mim e me ama.

Nada tem a ver com a soberba. Soberba oprime e humilha o outro, meu orgulho não. Meu orgulho permite que eu só vá até onde a humilhação nunca pisou. E eu gosto dele. Eu o acalento as vezes como quem acalenta um recém nascido, pela fragilidade que as vezes demonstra. Mas tento enxota-lo muitas vezes, como se estivesse diante de um monstro, com seus tentáculos querendo me prender e sua boca enorme e cheia de dentes querendo me abocanhar.

Se alguem diz sim, de pronto, quando estou malemolente e absorvida, meu orgulho se deita até. Fica ali, observando, sempre na espreita. Se um não, se dois nãos? Ele pula louco, feroz, sempre da defensiva. Mas eu luto também com e contra ele. Não o deixo vencer todas as batalhas., já que sua distância regulamenta algumas das minhas mais intempestivas relações, quando já vejo que o são.

Meu orgulho tem companhia. Ele anda ao lado da Impaciência e da Intolerância, entre projetos sórdidos, com planos cheios de requintes e tentando diminuir o tempo entre o ser e o não ser, o não estar e o estar. Quando ele aparece com seu ar cheio de empáfia, as duas companheiras já estão também ali, a postos, com suas lanças na mão. Se o outro não liga, eu tambem não ligo. Se eu estou me doando a esse alguem e esse alguem não reconhece à altura, olha a turminha ali, me dando a maior força.

Eles não permitem em hipótese nenhuma que eu seja humilhada, e caso seja, me mandam mensagens imediatas, mostrando que eu sou eu e pronto. Pela minha já sabida força. Nunca consegui lidar com rejeição e a idéia de ser caçadora me exaspera. Sempre fui a caça. Mesmo quando tento caçar, e se as presas dão sopa demais ou se revelam safas, a turminha, liderada pelo meu orgulho pula, enche minha barriga e diz: "Você nem precisa disso". As caças então é que vem para a minha boca, já assadas, cozidas ou ficam ali, me olhando, esperando o tiro certeiro.

Meu orgulho é ruim, mas é bom. Ele é santo, mas é o mais pecador. Meu orgulho é meu escudo, e apenas é colocado de lado quando a infame da auto comiseração se aproxima e quer me fazer cair. Aí ele trava uma luta louca, de novo, e de novo, e sempre. Sorrateiramente volta a ser o centro das atenções e quando eu vejo, olha ele lá de novo. Me cala, me consente. Me levanta. É sórdido, mas necessário. É meu orgulho, ele me protege e ele mesmo me humilha, só ele, la dentro de mim, e, ao mesmo tempo, faz em mim uma maquiagem perfeita, de força e poder.

Ele não está interessado em me mostrar que o ser humano não é nada, mas, a fragilidade do que sou está bem longe dele. E eu vou caminhando, sabendo que não sou nada, mas sou tudo. O meu orgulho é meu, só meu e ninguém tasca. Se ele me protege, por que eu não iria quere-lo ao menos em doses homeopáticas, todos os dias? É o meu orgulho, só o deixarei por completo quando realmente, na morte, não serei nada. Nem ele.

Um comentário:

Nill Costa disse...

Sem comentários!!!...
Saudades de tu e desse blog de arrombar demais!!!!
beijos querida...