Siga-me.

25 de julho de 2011

AbsTRATO.

Muitas vezes me vejo num poço fundo, sem saída, sem luz, sem chão, caindo, feito Alice. Não é só pensamento. É real. Muitas vezes me peguei vendo minha própria morte e os que me amam ao meu redor chorando e velando meu corpo ali, inerte e não mais rindo, e quente. Acabo sempre chorando a mim mesma. Vejo isso de cima, como um espírito perambulando no abstrato.

Muitas vezes também me vejo alegre, solta entre alguma natureza, com os braços abertos e o rosto olhando pro céu, pro sol fresco e sem problemas, rindo atabalhoadamente, sem preocupações, absorta numa felicidade que nem precisa de antecedentes nem precedentes. Muitas vezes me vejo assim e me encrava no peito uma paz indescritível.

Devaneios e viagens que me ocorrem, enquanto estou aqui, nesta terra cheia de contradições e que nunca, nunca nos afirma sermos totalmente felizes e completos. Tudo sempre falta. Se está bom, falta o ruim, se está ruim, falta um pouco do bom.  E eu me debato contra isso. Eu preciso ser feliz, mesmo que o bom falte ou o ruim esteja querendo se superar.

É o contraponto entre a felicidade e a esperança do que se não vê. A fé. Atravesso diariamente a ponte vislumbrando os dois lados e preciso fazer isso correndo. Parece que a ponte vai cair e eu preciso de outra forma de atravessar estes lados. O sangue ferve e eu fico ofegante. Quando chego em um lado, quero estar no outro.

Falo muito e calo pouco tentando entender o porquê de muita coisa, o porquê de tanta gente em minha vida, gente que eu jamais imaginaria que um dia estivesse ou saísse. Lugares que passo, vou e fico. E saio. Está tudo amarrado na teia Divina? É Karma? É espiritualmente riscado? É destino?

A ponte entre a morte e a vida. A felicidade e a tristeza. É a ponte do mistério que eu sou forçada a enfrentar todos os dias, invariavelmente. E os porquês permanentes subsistem. Envelheço e renovo todos os dias. Renasço morrendo. Morro e mato um pouco o que não quero.

Muitas vezes me vejo alegre, muitas vezes me vejo morta e triste. Dois polos que ceifam trajetórias. Ou podem querer ceifar. Impulsionam ou arremetem para um futuro, sempre futuro. Hermeticamente ou não. Vivo ou morro. Eu escolho, todos os dias.

Nenhum comentário: