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27 de agosto de 2011

..more middling to middling, and I in mourning..

E o caminho continuou o mesmo. A rua a mesma, os carros passando velozes, o ar cinza. Tudo continua, mesmo quando o luto é necessário e providencial. De repente o cosmo todo conspira para que você reaja e continue a viver, fora e dentro do que sente como vida. De repente, a mediocridade que lhe cercava e lhe fez adoecer e apodrecer seus conceitos, seu valores, vira uma peça na estante da sua vida, e toda mediocridade que cerca a mediocridade continua lá. E a mediocridade continua a se reproduzir e a se reencontrar. Medíocre com medíocre. Todos caminhando e sendo sepulcros caiados (Biblia Sagrada).

Mas foram lobos tentando lhe cercar e devorar sua carne, sua pele, seus membros. Paulatinamente vão lhe consumindo, e, sem que voce se dê conta, lá está você, partindo pra cima desses lobos, como se fosse um deles, sendo igual a eles. Sua identidade se perde. Não sabe mais qual é a sua cara, sua sorte, sua história, sua beleza. Mas a vida continua. Os carros, a mesma rua, o sol, a lua, as estrelas, o amor. Sim, até do amor você esqueceu, mas ele continua ali, continua o mesmo. Ele não muda e não vai mudar nunca. Quem mudou foi você.

A humildade não tem nada a ver com a mediocridade, nem a mediocridade tem a ver com o ser sensato e consciente. O respeito pelas pessoas também não tem nada a ver com suas escolhas. Eu escolho, embora sendo imperfeita, carne, merda, não querer mediocridade perto. Não quero. Erro por acreditar que medíocres as vezes não são tão medíocres e sou mais generosa por causa disso. E tenho que depois sair matando pessoas e vivendo lutos, por não aceitar os medíocres, os triviais.

O estalo, a consciência chega e você acorda, de repente, por uma frase, por um gesto, e vê o quanto você caminhou para trás, na intenção de estar sendo mesmo generoso, e acolher a mediocridade, afagá-la, niná-la, adormecê-la em seu colo, acalentá-la. Chega a consciência e tudo se faz novo. E vê lá a mediocridade voltando ao seu vômito, tudo de novo. E os carros continuam a passar, o sol lá fora, as pessoas. E a vida brilha e você corre louco agora em busca do tempo perdido, para coisas novas.

Não, não há volta, há ida. Não há retornos de amizades nefastas sendo resgatadas, há novas e esperançosas amizades, e as que são pedras já polidas vão sempre permanecer ali, intocáveis. Não, não há a volta ao covil, há a vista linda de um oásis cheio de coisas novas lhe esperando. Dúvidas sim, carne, humanidade, fragilidade do que é ser humano, mas há também a fé, que nunca lhe deixa só. E o luto é feito. E o morto está enterrado. E a vida continua. E a rua, e as pessoas passando. E a história.

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