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15 de dezembro de 2011

Sem medo..só gostar, sem mais nada.

Hoje acordei meio triste, pensativa e em um dos raros momentos de reflexão, para mudanças e esclarecimentos. Pode ser TPM ou um dos dias que lembro muito da minha mãe, do que ela me diria. Como sempre, explico. Deve ter sido alguma coisa bem arraigada, vinda da minha criação. Criação da qual muito me orgulho. Deve ser coisa de índole, de caráter, que meus pais, meus avós e todos os agregados incutiram na minha cabeça. Pode ter sido também as palmadinhas que recebi na infância, ou ter sido cobrada sempre com veemência para que, sempre, invariavelmente tivesse muita educação, muita honestidade e coisas relacionadas. Ou o que escolhi para mim, que foi, como dizia uma cantora aí, 'me virar sozinha', quando poderia estar em situações extremamente diferentes, hoje, quando o assunto é estabilidade financeira.

Deve ter sido esse arsenal de coisas que me fazem hoje, embora dê tantas cabeçadas por aí, jamais me aproximar ou desenvolver QUALQUER relação, de qualquer nível, por interesses, oportunismos ou quaisquer outros motivos que não sejam motivados pelos meus recursos interiores de afeição. Não quero ser piegas, tampouco sensacionalista, mas, prefiro ser criticada pelas escolhas nefastas, muitas vezes, regadas pelo coração, pela sensibilidade entre seres, pela empatia, do que apenas por interesses, sejam eles quais forem. E eu não teria conhecido tantas e tantas pessoas se não tivesse escolhido viver como vivo hoje.

Querem porque querem que eu me relacione afetivamente com alguém dentro de padrões 'normais'. Falam porque eu não olho nada, absolutamente nada, antes de gostar de alguém, quando o assunto é amizade. Discriminam, quando o ato de gostar muito de alguém, para mim, independe de sexo, condição social, idade, status, cor de pele, etc. Estou sendo mesmo clichê. Já me disseram que gosto muito da palavra clichê em meus textos. Gosto mesmo, porque eu sou clichê em muitas coisas, inclusive no sentir medo das pessoas e, muitas vezes, do que as pessoas pensam de mim.

Senti medo essa semana. Medo de ser mal interpretada no amor verdadeiro que sinto por algumas pessoas que me cercam. Senti um medo horroroso dos nossos tempos modernos. E, nesse vampirismo moderno, onde as relações são pautadas, muitas vezes, em desconfiança, senti medo de que duvidem quando gosto, apenas gosto de alguém, sem qualquer interesse outro que não seja, amar, ter por perto, cuidar, ser amiga e viver bons momentos, com muita intensidade.

Meu filho outro dia estava lembrando, dizendo que ele brincava com os meninos mais 'probrezinhos', atras da rua em que morávamos, onde só tinham 'riquinhos', e que prá ele, isso tinha sido muito bom. Mas, o que teria de mal se ele brincasse também com os ricos? Qual o problema? Haveria alguma diferença na sua afeição, no depósito de honestidade da amizade? Meu filho tinha dinheiro para comprar 4 picolés para os amiguinhos 'pobres' dele, e ficava muito feliz em ter proporcionado aos amigos essa 'festa'.

Mas estava falando do meu medo. Medo sim. Muito medo. Medo da maledicência. Li uma frase num livro que estou lendo: 'Os justos não se justificam', mas, meu medo tem sido enorme, beirando a pensar num afastamento de pessoas que amo extremamente, apenas por não aguentar sequer a suposição de que incitem que sou oportunista, interesseira ou qualquer designação dessas. Tenho amigos extremamente generosos e, em escalas diversas, sou extremamente generosa com quem se sente 'abaixo' de mim, quando o assunto é grana. 

Sim, quando tenho dinheiro, condição, etc (odeio falar sobre isso), não me apego a detalhes de nada, já que o que importa pra mim, sendo bem Hedonista, é estar proporcionando prazer a mim e a quem gosto, momentos felizes e o que tenho. Me chamam até desapegada demais. Mas não tô a fim de falar sobre isso. É que estou com medo, muito medo. E chorei muito me sentindo mal, em aceitar tantos mimos, em não poder retribuir a tantos carinhos muitas vezes, de algumas pessoas que dizem me amar, me querer por perto, generosas, de coração aberto e que corre entre mim e elas um cabeamento limpo de energia e afeição profundos. 

Mas existe gente muito ruim nesse mundo e, assim como já duvidaram de pessoas que se relacionaram ou se relacionam comigo, de que por mim tem apenas interesses, tentando me transformar apenas em um pregão da bolsa de valores, também me coloco na posição de criticada e fico extremamente mal, com a simples idéia de que alguém possa me achar oportunista. Amo meus amigos e gostaria muito de poder gritar que, para mim, uma cerveja e um churrasquinho, ou apenas sentar numa calçada vendo a lua, batendo longos papos, entre risadas, me fazem tão feliz quanto estar num restaurante fino e elegante. Estando com quem amo, me faz bem, com pessoas que compartilham comigo dos dissabores, das alegrias, dos risos, das incontáveis desilusões, das também incontáveis ilusões e amores vividos, dos conflitos cotidianos, para mim, é o mais importante e essencial, sem pieguismos.

Não, por favor, eu peço. Não façam isso..não destruam amizades pela maledicência, apenas porque hoje em dia as pessoas se amam interessadas em bens, em coisas efêmeras. Não, por favor, não me façam sofrer, sabendo que as vezes é melhor me afastar de quem amo, apenas por não poder retribuir a coisas que me foram oferecidas com amor. E eu sei que o que tenho na mãos entrego na hora a quem amo. O cuidado, a esperança, a palavra, a afeição e muitos, muitos pratos saborosos de risos e alegrias. Se me fizer feliz, fica comigo e eu fico, mas, se não me fizer feliz e eu nao fizer feliz, não precisa ficar. Se me escolhem, é porque há afinidades, amor, carinho, tranquilidade. 

É o que quero deixar aqui. Acima de tudo, amor, seja eu pobre, seja eu rica, sejam meus amigos, pobres, sejam meus amigos, ricos. Meu medo existe e, embora eu oscile em ter e não ter posses, dinheiro, grana, como a maioria da população hoje, me basto em acreditar sim, na minha índole, no meu caráter, na minha saudade imensa da minha mãe, que jamais, jamais permitiria que eu fosse caluniada, me fazendo sempre lembrar da minha honestidade e hombridade, também nas amizades. Estou de novo hoje pensando no que ela me diria sobre tudo isso, entre lágrimas, pensando se ela me diria pra abrir mão da minha disposição de amar, em detrimento do que pensam a respeito de mim e do que escolho. E de quem ME escolhe para só gostar, sem mais nada. Sem medos.

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