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20 de junho de 2012

Até que a vida real..

Aonde está mesmo o amor? Aquele amor dos romances, das películas antigas, dos filmes e das novelas, da ficção, em que torcemos para que 'os dois' fiquem juntos, até mesmo que a morte os separe? Por que é tão difícil aceitar e encarar que os grandes romances e as grandes histórias de amor ainda podem acontecer, neste século, nesse mundo hodierno e moderno, aonde a maledicência, o desagravo e o ódio vilmente imperam?

Tive que baixar a guarda e aceitar isso, já que não acreditava mais. Não mesmo. O ir e vir do outro, o desejo da pele quente o tempo inteiro e a imensa vontade de adentrar nos recônditos mais secretos, independente de idiossincrasias. Eu quero escrever um texto que fale sobre esse amor, sim, junto com o desejo, mas o amor não me deixa fazer isso, já que a vida real mesmo é que está me mostrando que um grande amor e uma grande história de amor ainda podem existir. Existe uma luta ferrenha. mas tento e um dia consigo fazer melhor, e melhor.

Vida real que discrimina, que acusa e que crucifica. Vida real que não deixa que os mocinhos, independente de raça, cor, estilo, idade, classe social, sexo, terminem juntos e morram juntos, cuidando, respeitando e amando, na doença ou na saúde, na riqueza e/ou na pobreza, na sorte, ou no azar. A vida real demais mata o grande amor. A vida real interfere drasticamente e o filme vai ficando sem graça, se os personagens e os atores não produzirem seus próprios cenários e não fizerem pactos convencionais (ou não convencionais). 

Eu acredito de novo no amor e na luta travada entre os séculos para que ele subsista a toda intempérie que o próprio homem quer impor sobre ele. Acredito na sua luta e no desejo que impera e incentiva o amor, que renasce a cada dia, quando sinto na pele e no coração toda a sua força. Acredito na sorte de duas pessoas se encontrarem e terem dentro de si a força que esse amor, desacreditado, dá. Sem medo de ser ridícula ou coisa parecida, ou pateticamente enganada.

Não dos filmes apenas (e apesar de ser uma cinéfila inveterada), mas daqui de dentro. Acredito, inclusive, que a vida imita a arte e a arte imita a vida. Os grandes amores existem e eu acredito e quero vivê-lo até morrer e dizerem que eu morri acreditando. A vida real que me desculpe, mas o amor está a mim sendo benfazejo e me agraciando com sua boa mão. A vida real talvez não, só deseja matar o amor e o desejo, cruelmente endurecendo corações e matando intenções perenemente saudáveis.

Aonde está o amor? Aquele amor dos filmes, das novelas, dos contos da Carochinha, do 'felizes para sempre'? Não está na vida real, fato, mas pode estar. Eu sei aonde ele estará, quando começar a pensar que essa vida, sim essa vida aqui, real, nesse momento em que escrevo esse texto, é muito, muito rápida. Saberei aonde ele estará se me permitir 'vivê-lo em cada vão momento', como disse o Poetinha, desnorteando a vida real, fazendo-a se render aos meus pés.

Porque eu sou irreal, eu sou irrefutavelmente aliada do amor, agora. E a vida real vai ter que aceitar nossa simbiose, vai ter que assistir e morrer de inveja, ou matar a nós dois. Matar o amor, que, nos filmes e na vida 'não-real', não morre, nem fenece, antes, cuida dos dois, até que a morte os separe e alcancem a essência e a história se faça completa, sem vida real pelo meio, porque ela só conta essas histórias, não as vive (?). Aonde está o amor mesmo, na ficção apenas?

Ele está aqui, ali, existe. Vá ver, entra no palco, seja ator principal, decore seus textos, viva seu papel. A vida real sorrirá, agradecida, tenha certeza, ou ficará, se debatendo, desacreditada.

......


De tudo, ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento. 

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Vinícius de Moraes

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