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15 de agosto de 2012

"No que você está pensando?"

Tem me faltado tempo para sentar e escrever com calma e concentração, mas, sou sempre sobressaltada por textos enormes, laudas e laudas que minha mente acumula e 'escreve' e que, infelizmente, não tenho podido passar para as letras como tanto gosto. Nesse momento, em absoluta concentração tentarei dizer, em algumas linhas, o que estou pensando. Mesmo porque não é fácil dizer o que se está pensando.

É que, em tempos de Facebook, em que esta pergunta tem sido a mais frequente, já que é a pergunta que está ali, logo acima de tudo, para as postagens desta rede social (e que já passa completamente despercebida) me sinto acuada em dizer, mesmo, no que estou pensando. E o pensamento que me vem mais frequentemente à mente é bem simples: EU PRECISO SER FELIZ HOJE. 

Clichê demais em tempos destas redes sociais, onde o que mais tem é gente virtualmente  fantasiada. É fácil demais ser feliz no Facebook, esquecendo da vida real, mentindo e fingindo. É fácil viver feliz também na 'vida real', sendo, de verdade. Basta querer. Eu preciso de muito pouco para ser e estar feliz. Um brigadeiro de panela, respeito, desvinculação e auto-proteção de coisas externas que porventura possam trazer infortúnios, um filme, uma boa noite de sono tranquilo, dias livres de apertações mentais.  Fácil demais isso. Mas só se aprende isso com o tempo, e, o tempo é o seu pior inimigo, na maioria das vezes. 

Fujo tanto dos infortúnios que os esmago demais quando eles aparecem. Vou até à ultima gota, tentando matá-los, esmagá-los, trucidá-los, que, a cada aparecimento de um deles (aparecem do nada, as vezes), me paraliso, destruo meus eus, verbalizo coisas inexatas, me auto-flagelo até, até miná-los completamente e afastá-los. Canso, canso e canso. Exaurida e existencialista, assisto aparecerem meus medos, já que sou inteira ao sabor do vento. Acumulo sensações e, num momento deste, de entupimento de artérias sentimentais desconfortáveis, explodo num ataque cardíaco, com meu coração completamente inerte, incitando a uma preguiça de retornar a lutar pelo que antes mereceu tanto desgaste de energia.

E aí posso fugir correndo desses infortúnios, como o diabo foge da cruz. Como um bicho mais frágil foge do seu predador. Mas não planejo, é o sabor do vento. A força da tempestade que me leva, me joga. Vou, exaurida, buscando soluções, já que não é de pronto que, me debatendo, me deixo sucumbir e me libertar. Vou até à ultima gota, mas a ultima gota chega. Eu sei que chega e esse é meu maior medo.

Da mesma forma, o ser feliz funciona. Entro inteira no pacote da felicidade, viro menina, brinco entre tranças, pulo como se a vida fosse uma brincadeira. Nessa essência pueril, me fecho entre cortinas com as cores mais alegres possíveis, me jogo absorta das nuvens numa queda livre, como se estivesse sempre sendo jogada ao sabor da brisa mais terna e leve. Choro de rir. Me acabo nas delícias de toda a felicidade do mundo. Sucumbo ao menor gracejo, ao menor sinal de estar fazendo alguém feliz, apenas por estar feliz e sorrindo também. 

Os sonhos ruins desaparecem, os dias tornam-se mais saborosos, os brigadeiros de panela são mais gostosos, os filmes, as pipocas, o ir e vir. É simples demais estar preocupada com o lufa-lufa da vida e, mesmo assim, sucumbir ao deleite de ser aconchegado na mais profunda intimidade de uma felicidade que só você sabe ter. O evitamento de infortúnios, por menores que sejam, se torna, então, seu escudo. Porque foi você quem conseguiu a paz e lutará por protegê-la. Você passou por cima dos seus eus, dos seus brios e da sua mente naturalmente e essencialmente putrefata, até conseguir transformar seu lugar, seu coração, no lugar que é seu, da sua felicidade.

Não vou sucumbir, então, ao tempo de não ser feliz. Preciso aprender apenas a controlar meus impulsos libertários e inconsequentes. Conseguirei dizer o que estou pensando ao outro aqui na vida real, com absoluta sensatez, forte, sem deixar que nada me faça mais me sentir fatalista ou pessimista, com relação à vida. Estou pensando em ser feliz, apenas. Só ser feliz, sem clichês, nem livros de auto-ajuda (os detesto). Apenas observando a facilidade com se pode ser. E é fácil ser feliz. Muito mais fácil do que dizer o que está pensando. Pode ter certeza, é muito mais fácil ser feliz.

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