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6 de setembro de 2012

Dôra.

(Foto: Dôra Araujo)
Eu olhei e vi dois guardiões daquele jardim. Um jardim que insiste em sempre renascer, brotar, ser. Cada detalhe dele é bem cuidado, por ela, que é a guardiã maior de toda a singeleza que existe no mundo. Seu olhar para o belo se perfaz em transformação. Só da ação de olhar e ver o belo. E ela é a guardiã do jardim, que tem os guardiões celestes, sobrenaturais, espirituais, sempre a rondar.

A rondar também vem toda a áurea que se instaura quando ela passa a falar das suas flores. E as flores parecem responder. O sol se curva. A lua se pinta toda antes de crescer, para entre suas lentes não fazer feio. Porque sabe que ela vai querer o belo. O belo do seu olhar mais sensível. Tudo que ela faz é bonito. Suas mãos tecem  os fios mais perfeitos e depois tratam de acalentarem-se a si mesmas, na solidão do artista, que sonha, e sonha, e sonha.


A inconformidade pelo sistema, pelas pessoas, pela humanidade que se corrói cada vez mais e a doída sensação de impotência diante desses humanos, vis, insanos, torpes, sendo uma extraterrestre num estado de letargia. Tudo que se quer é fazer arte, ser plena e feliz. As mãos constroem, refazem, reconstroem, fazem renascer os materiais mais cadavéricos. É ela. Na tela o seu olhar se torna concreto e nessa concretude, inebria. Os pincéis lhe obedecem, como  servos fiéis.


A catarse da cor, das formas, das lentes que fotografam e tiram dali da máquina a vida. Uma vida só dela. Cada olhar sensível de cada matéria morta até, abre caminhos para as mais lindas sensações de esperança nos seres humanos e nos materiais mais mortos. O sangue não pode mais correr sem estar quente, mesmo na solidão. A ética, a lealdade, a aDORAção ao ser humano em sua simplicidade, sem hipocrisias nem traições. Me engano, não há nenhum material morto, já que ela existe.

(Foto: Dôra Araujo)

Não há como passar por ali e sair igual. Pequena gigante feminina, sem vírgulas, inteira. O coração sempre do lado de fora na sua mais perfeita autenticidade. Que sejas imortal em todos os teus dias, com chuva ou sóis, aDORAda. Que sejas imortal, já que fazes da imortalidade da matéria teu fraco, mas nossa fortaleza. Que sejas a amiga imortal, que insistirei em jamais perder, mesmo contradizendo pontos e linhas, ou acompanhando seus traçados perfeitos. 


Não se preocupe em fazer da sua vida mais certeza de que já é. És. Isso basta. Sua arte enternece, inebria, entontece, parafraseando a Fascinação um dia cantada. A fascinação que me deixa sem palavras a cada flor no jardim, a cada descrição de qualquer feitura, por mais que ache insignificante. É grande e dá vontade de guardar a sete chaves, para que esse jardim, juntamente com todas as outras infinitas manifestações de arte, vida, beleza, sejam imortais.


Guardiã dos jardins, da arte, da criatividade e da imortalidade fascinante do que se pode chamar de artista. Que os guardiões dos jardins mais desconhecidos, do bem, te guardem, até que a matéria do seu, do nosso corpo se vá. Você ficará por aí, como uma fadinha a brincar entre as flores, entre os sóis e as luas e entre os mais recônditos DAS ARTES que você deixa, nas mínimas coisas. Sua guardiã da arte! Da arte mais mereceDORA de ser presenteada por ser feita por você. Eu sigo contemplativa, guardiã..pode crer, sempre.



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http://www.flickr.com/photos/doraaraujo/

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