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22 de fevereiro de 2013

Eu, eles e eu.



ID:  “O Id é a parte original, a partir da qual, posteriormente desenvolvem-se as outras duas. Está voltado a satisfazer nossas necessidades básicas desde o começo da vida. A atividade do Id consiste em impulsos que buscam o prazer. Ele deseja a gratificação imediata e não tolera a frustração. O Id é aquele nosso lado instintivo, que não mede as conseqüências dos atos para se satisfazer”, é o garotão irresponsável, mimado e filhinho de papai.

EGO: “Diferencia-se do Id uma nova parte do aparelho psíquico, o Ego, que tem como principal função agir como intermediário entre o Id e o mundo externo. É o Ego que aprende a controlar os impulsos, decidindo se estes devem ser satisfeitos imediatamente, mais tarde ou nunca”. À proporção que continua se desenvolvendo, a criança descobre que existem normas e regras estabelecidas pelo meio que se repetem com muita freqüência. Essas normas acabam se incorporando à estrutura psíquica, constituindo o Superego. É o que usualmente chamamos de “dor na consciência”.

SUPEREGO: “O Superego representa a resposta imediata, o “certo” ou o “errado”, diante de várias situações que exigem uma tomada de posição e reprimimos, acaba se transformando no impulso de censurar a tudo e a todos, principalmente a nós mesmos. O Superego é a parte de nossa estrutura que nos reprime, nos censura, funcionando como freio de impulsividade. “Ou seja, é o oposto absoluto do Id”.  


Uma luta ferrenha. Arsenais bélicos ao alcance, sempre, dentro. E alguns não admitem tê-los. Acham auto-ajuda sempre e auto-ajuda é pros fracos de plantão. Inconsciente, consciente, prazer. Brigam entre si, respingando nas emoções, na razão e em tudo, as vezes. Ou sempre. Nada de admitir esse conflito. Eu já pensei assim, até me deparar comigo mesma, ali, olhando para minha fraqueza e tendo que admiti-la. Por que não? Não quer dizer necessariamente que eu não tenha atributos fortes da minha personalidade. Sim, tenho, mas, quem não tem fraquezas?

Aí você convive com pessoas, entra na vida delas, perscruta seus maiores medos, monstros, segredos..e fraquezas. E, embora admita que as tem, enxerga em você maiores fortalezas que nos outros enxergou. Pronto, batata! Lá está você vomitando seu arsenal bélico mais atroz. Eu sou o último pacote do biscoito e você o verme, o nada. E joga contra o outro o que o outro tem (e lhe mostrou) de mais escondidinho, ali, nas cavernas do ser.

A maturidade vem trazendo junto com um mar de coisas, a sensatez e a prudência de escolher PARA SI o que é melhor. Claro, nem todo mundo amadurece, ou sabe amadurecer. Conheço pessoas que se orgulham em dizer que serão 'para sempre crianças'. Não acho bonito isso, ao contrário. Ser feliz, ser alegre, descontraído, simples e espirituoso é bem diferente de ser 'sempre criança'. A infantilidade, o pueril é a ingenuidade, a folha em branco a ser preenchida ainda, o impulso inocente. O Id, o Ego e o Superego se formando.

Amadurecer vai deixando a gente alerta. Ciente do segundo passo, do terceiro ato. E a luta se acentua mais ainda quando sabe que, entre seus passos, atos, algumas coisas foram estupidamente fruto de absoluta inconsequência. O aprendizado é certo, mas a luta também. E há que se fazer um balanço do que se pode retratar. E refazer, até reconstruir. Ou continuar construindo.

A vida é formada através de cada olhar e o meu olhar hoje é de pura e absoluta preservação. Preservação do meu espírito, do meu corpo, da minha vontade. Se me arrependo de algumas coisas e escolhas, me debruço sobre esse arrependimento e baixo a guarda sem hesitação. E me arrependo mesmo, profundamente. Visceralmente. Não é saudável se arrepender? Hoje a frase mais moderninha é que 'não se arrepende de nada'. Eu me arrependo. Tá, me arrependo e quero com todas as minhas forças não repetir aquilo e, se repito, me auto-flagelo de novo. Carga de religiosidade? Que seja, ao menos me faz esquecer os erros alheios e saber mais dos meus, da minha fé, dos meus assombros.

Da minha fortaleza que luta com esta fragilidade, fica a onipotência. Não há dúvidas da sua imponência. Me defendo veementemente contra os que se jogam contra mim, para manter intacta essa luta interior. Ao menos isso. Dou valor demais até ao que nem deveria dar, para tratar meu ego, já que existem restrições e condições de sobrevivência com o outro. Dieta de emoções à parte, restam as indigestões pelo que se come às pressas, em grandes quantidades ou estragado.

E a briga continua entre Ego, Id e Superego. É briga ou estão intrinsecamente ligados, como botões em Standby? Quero ir até o fundo sempre. Fundo de mim, da minha mente. Em posição fetal me dilacero e viro feto de novo, querendo o ventre materno. Me enluto, me mordo e me enveneno. E grito orações, cobro soluções ao Deus que creio e ainda crio expectativas. Sou antiga, sou ainda viva, e estou na guerra sempre querendo, nada mais, nada menos que vencer, sobretudo, a mim mesma.

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