Siga-me.

10 de abril de 2013

Texto curto.

Não consigo muito escrever textos curtos, nem bilhetes, nem cartas, nem emails. Infelizmente, já que a capacidade de síntese é muito importante em algumas situações e li em algum lugar essa semana que textos longos, ninguém lê. Porém, tenho passado e vivido uma fase da minha vida em que tudo tem me levado a escrever textos curtos. Tem sido um exercício. Mas esse texto não é para falar sobre isso. Na verdade eu ia falar sobre a  fase tragicômica que estou passando. Coragem, impetuosidade, humildade e emoção em riste.

Fase tragicômica porque eu ainda não entendi aonde toda essa caixa fechada, hermética vai dar. Trágica porque há algum tempo estou meio enclausurada em uma redoma de ansiedade e expectativa e tudo parece estar fechado.  Janelas e portas. Trágica porque eu fiquei meio imobilizada por várias situações inesperadas e essa minha cadeira de rodas imaginária me remonta a algumas outras fases que consegui superação com maior brevidade. Trágica porque eu sou absolutamente altruísta quando amo e aos que amo, ajudo até não poder mais. Um pássaro que tira a sua minhoca da boca prá dar ao outro. E não estou mais podendo fazer isso, nessa fase. Não do jeito que gosto.

Cômica porque eu sei que tudo se fecha em um ciclo de experiências fugazes e eu tenho sempre uma veia cômica diante das coisas, embora sofra por algumas também. Tudo passa e eu rio muito e me sinto em estado de felicidade, nem que seja fazendo a Pollyanna.  Por que não? Tudo se reverte em uma energia que é mais que física. É Metafísica e eu não posso nem devo reclamar. Não posso reclamar se já arrumei muitos e muitos empregos para tanta gente e hoje ninguém se preocupa comigo (me refiro a essas mesmas pessoas). Não posso reclamar se gosto, amo tanto, mas tanto algumas pessoas e morro de vontade de enche-las de mimos, presentes (sim, materiais) e não posso fazer isso agora. E faço, sempre que posso. 

Cômica essa fase, porque parece que estou com os pés fora do chão e quase ninguém me ouve. Também meus sentimentos estão confusos, porque tenho sentido prazer nessa hermeticidade, já que está meio que me afastando de pessoas e coisas ruins, selecionando meus objetivos e estabelecendo minhas prioridades. E sei que isto está sendo apenas uma fase. A morte de um Deus que eu cri a vida inteira na iminência sempre de vir, apenas porque sou humana e parece que estou, pela primeira vez, me debatendo, que nem um peixe fora d'água, longe do cardume, as vezes me exaspera. Tragicômico isso. Passei a escrever textos curtos para mim mesma, andar acima das expectativas, brigar pela paz, evitar cartazes  e leituras de auto-ajuda. Descendo para me manter em cima. 

Eu sou boa até demais e me auto-flagelo por isso. Brigo pelo que acho que é meu, mas questiono a importância disso, já que hoje em dia, nada é de ninguém, nem nada é mais meu. A imagem do ser humano me enoja cada vez mais e é um contraponto entre eu querer muito trazer para dentro da minha caixa apenas o que quero trazer e expulsar os que não quero perto. E fico me perguntando se eu sou boa mesmo, já que não sou política, digo as coisas diretamente aos que tenho algo a dizer e sigo os meus brios emocionais, em favor de manter MINHA paz, mesmo que faça uma guerrinha ali e outra aqui. Queria e quero sempre coerência e manutenção de valores e escrúpulos, de forma recíproca. Não teve, eu caio prá cima e mando ao exílio mental o que me provocou.

Eu escrevi um texto longo de novo. Ah, não! Oh, céus! Sou alguém inteligente, competente, amiga, especial, mas eu sou também muito diferente de tudo. A maioria esmagadora da sociedade se acha inteira, completa. Eu sou uma espécie de rascunho, minha visão de mundo, pessoas, lugares, relações chega a ser fora de muitos padrões por aí. Sim, e? E daí? Bobagem eu dizer tudo isso de mim mesma, devia estar me preocupando com coisas bem maiores do que eu mesma, com a economia do país, com a Filosofia, com a base antropológica das relações e toda a sua ambiguidade ou sobre o paraíso de Proust - 'Os verdadeiros paraísos são os paraísos que se perderam'.

Mas não. Eu sou o texto curto talvez, ainda, e estou falando de mim nele. Mas não é mesmo sobre isso que quero falar. Nunca mais. Preciso de um rótulo, um título. Impressionante, esse foi o primeiro texto em que logo imaginei o título - sou péssima em títulos. Ao menos isso eu consegui, além de sintetizar, de uma forma ou de outra, quem sou eu. Um texto longo de novo, eu mereço. Que seja cômico, não trágico. Qualquer texto, qualquer fase.

Nenhum comentário: