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20 de julho de 2013

Again.

A pessoa se muda para um lugar novo, vê aquela mocinha e aquele rapazinho começando a namorar, curtindo pagode na esquina. Ela com duas peças de roupa minúsculas sempre, que mais parecem da irmã mais nova (pelo menos 10 anos mais nova), descendo até o chão. Via na rua, nos transportes, do carro, por algumas vezes passando em frente de casa. Já os vi até brigando. Ele com aquela carinha de pagodeirinho namorador, com ares machistas.

Ela, esnobando a humanidade com o ar de que é imortal, por conta da juventude em alta. Ele, se sentindo o dono da moça, mas sempre meio zangado, porque a moça fala demais, é muito espevitada, pode lhe trair. Mas gosta daquele movimento de poder ostentá-la como mais um troféu. Ela, com sua maquiagem falsificada, considera que seus atributos, que ele e a moçada da rua acham atraentes, vai dominar o mundo e conquistar todos os machos.

Todos os dias, por certo, vão e vem nesse movimento, ora sexual, ora miserável em desejos. Não passam dali seus desejos. Talvez sejam felizes assim. Nesse acompanhamento da 'evolução' deste relacionamento, depois de alguns meses, ela, com uma barriga enorme, sem maquiagem, com apenas uma flor vermelha no cabelo, espera um filho. Não deve ter mais que 18 anos. Ele, andando sempre à frente, não deixa nem a moça encostar nele e até olha para as mulheres que passam, de soslaio. Olhou para mim.

Juventude e desejo, porção ínfima de desejos. Pobreza, sentimento. Dor de saber que daqui a pouco terão um filho. Filho de quem mesmo? A reprodução da mediocridade e da inconsequência que só se descobre depois que cresce mesmo. Não há para onde correr. Não há mais os temores de antes. Vão agora ser gente grande. Daqui a um tempo eu vou ver de novo um filhote nos braços de dois que estão mudando. Mas eu já vou ter me mudado do lugar novo. E eles também.

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