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3 de agosto de 2013

Zaratrustiadamente.

“Aos trinta anos de idade, deixou Zaratustra sua terra natal e o lago da sua terra natal e foi para a montanha. Gozou ali, durante dez anos, de seu próprio espírito e solidão, sem deles se cansar.” (Zaratustra, de Nietzsche)

Esta semana ouvi de algumas pessoas que o mundo se movimenta em cima do que o outro tem para lhe oferecer, tipo, que o oportunismo é o que move as relações. Você me dá coisas, o que eu quero, independente da felicidade que você me proporciona e eu fico sim, ao seu lado. Lhe bajulo, lhe entupo de certeza que o que me faz estar ao seu lado é o amor verdadeiro, independente de como você me trate e está tudo lindo. Nesse 'puxasaquismo', vamos vivendo de forma que a aparência seja o ponto focal da minha vida. E da sua.

Ouvi também de algumas figuras femininas que, se encontrassem homens que lhes mantivessem, dessem 'boa vida financeira', independente de amor, elas ficariam, defendendo as oportunistas e 'mariasalgumacoisa' de plantão. Estamos vivendo um momento de muita confusão de valores, já sei disso, mas não consigo me desapegar dos meus. Moralismos à parte, sofro profundamente com isto.

Assim, sendo bem dura, cansei de gente oportunista. Cansei de gente que, numa bipolaridade ou numa tripolaridade, suga de mim energias que eu não precisaria ver 'sair de mim, ora um dia sendo simpático, ora me destratando. Isso, eu não sou boazinha, embora pareça. Não sou também ruim, de todo, embora aconteça. Tenho presenciado situações em que se é explicitamente configurada esse tipo de relação, onde só há oportunismo e ambos se conformam com isto. Toda energia em volta é descompensadamente abduzida aos planetas mais longínquos do que seja uma relação saudável, mas é isto que está movendo a maior parte das pessoas.

De outra sorte, há os que não se dão conta de que estão sendo enredados numa teia de sedução aonde o mais esperto dos humanos seria enganado, se não fosse um olhar externo para alerta-lo. O que quero ouvir? Será que aquela pessoa que me dá tapinhas nas costas e diz que me ama hoje está mesmo sendo provada pelo tempo, maior árbitro? Qual a receita 'abre-olhos' que ainda não sabemos preparar no nosso fogão? Prá que tanto medo de se isolar um pouco numa busca de um auto-pertencimento, muito mais importante do que qualquer outra coisa?

A conquista de relações (poucas) saudáveis tem e deve ser fruto de um auto conhecimento profundo e isto só acontece quando há a permissão de si mesmo a um isolamento. Mas isso não é para todos. Acredito ainda em seres especiais que tem uma espécie de blindagem, conquistadas a duras penas. Zaratrusta se isolou durante 10 anos, teve uma serpente, uma águia e o rei Sol como companhia. Resolveu voltar, talvez ansioso por compartilhar a sua bagagem imensa de auto conhecimento, mas foi rejeitado, porque o normal é estar sempre envolvido numa poluição de informações! Sabedoria ou loucura? 

Patologicamente ou sabiamente, caímos no estranho movimento de que devemos viver em sociedade ou termos sempre que ter algum outro, porque precisamos (no sentido de necessidade). Devo ser provocada para precisar saber que preciso me isolar? Preciso adoecer para precisar do outro? Os seres mais oportunistas, tenho tido cada vez mais certezas disto, são os que menos conseguem se isolar, os que mais 'precisam' do outro, apenas porque não conseguem estabelecer relações naturais, aonde o outro seduza, e não ele, aonde o ser político e ser bem quisto é tudo que se tem.

Num contraponto entre o ser altruísta, do amar ao próximo do Cristianismo e 'fazer o bem sem olhar a quem', fico no que minha intuição hermética Zaratrustiana diz. Só assim consigo ser boazinha, as vezes. Quero morrer deixando presença forte nos lugares, ser penetrante em relações que valham a pena e que marquem. Nada de aprender e não praticar mais. Escolho o pouco, muitas vezes, porque o muito traz uma corja de muitos que só me perturbam a paz e aqui, com meus sóis, minhas águias e minhas serpentes interiores, vivo bem mais feliz.

“Nenhum pastor e um só rebanho! Todos querem o mesmo, todos são iguais; e quem sente de outro modo vai, voluntário, para o manicômio.” (Zaratustra, de Nietzsche)

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