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20 de novembro de 2013

Essa tal liberdade.


Quando entendi o que seja LIBERDADE, refiz minha história. Quis, inicialmente me encontrar dentro de mim, até conseguir pulverizar meus 'eus' por aí. Como uma faca cortante, muito cortante, tentei sublimar a periferia e entrei lá, lá dentro de mim, para, mesmo administrando influências externas, sempre encontrar-me, aqui, dentro de mim. Da mesma forma que a liberdade sempre tem a conotação de libertinagem, resolvi que para mim não seria isso. Libertinagem me levaria ao infinito caos, sem nenhum tipo de chegada. Para que? Para me auto afirmar apenas e nada ser? Que bagagem eu traria apenas em viver tudo que a vida tem aí para me oferecer, a não ser a bagagem da sabedoria e aprendizado? Histórias para contar? 

Ser livre é ter histórias interiores para contar para si mesmo, sem violentar a mim mesma com estados interiores desagradáveis. Não, viver tudo que a vida oferece não é ser livre, afinal de contas, a vida é um cosmo, infinito e eu jamais poderei alcançá-lo, sequer conhece-lo na sua amplitude. Liberdade é amar primeiro a si mesmo. Liberdade é o clichê de sofrer por amor e levar esse 'sofrimento' até às ultimas instâncias, até vê-lo fenecer. Se não fenecer, não 'usar' outros corpos, outras mentes, outros, para se curar. É conviver consigo mesmo e resolver seus problemas até que eles cheguem à essa periferia das emoções.

Creio que nunca me farei entendida, é que só sei sentir. Talvez de forma meio conservadora, hoje, depois que cheguei ao meu limite de angústia, por saber que jamais conseguiria entender a liberdade, se não deixasse que ela mesma me tomasse inteira. Sou livre, se tornar livre meu ser. Sou livre, se tornar livre meu pensamento e respeitar, sim, respeitar ao outro que minha 'liberdade' canaliza. Quase ninguém entende isso e interpreta como libertinagem (sendo bem conservadora mesmo)."Condenado porque não se criou a si próprio; e, no entanto, livre, porque uma vez lançado ao mundo, é responsável por tudo quanto fizer" (em 'O existencialismo é um humanismo', 1978, p. 9). Eu sou responsável pelos meus erros (de liberdade), e sou resposável pelos meus acertos também, de forma que, se não 'tenho' algo, não 'faço' algo, condenarei a mim mesma, apenas, ao mesmo tempo que não 'invadirei' terrenos alheios com minha 'liberdade'. Sou eu, a liberdade me invoca.

Entendendo a liberdade e ela a mim, passei a conseguir estar mais só, sentindo meus anseios de maneira mais tranquila. Entendi que, mesmo não tendo uma companhia, seja ela da natureza que for, posso fazer ou deixar de fazer qualquer coisa, sem precisar de ninguém. Mas se tenho, 'preciso' sim respeitar meus arroubos, minhas angústias naturais de humana que sou, sem precedentes. Leia-se 'precisar', a necessidade de compartilhar. Compartilho, se desejar, por amor, carinho, etc. Caso não haja isso, compartilho comigo mesma e continuo administrando meus defeitos, natureza humana, etc. Liberdade é se querer, é se bastar e se respeitar, mas também se entender. Quanta confusão fazem por aí, achando que liberdade é trair, ser desleal, seguir seus instintos. Se eu seguisse meus instintos, estaria morta já. Sou curiosa,  insaciavelmente curiosa. A liberdade me ensinou a me conter. 

O que determina quem somos são as ações realizadas, não aquilo que poderíamos ser. Fugir deste compromisso é disfarçar a angústia e enganar sua própria consciência. É agir de má-fé, segundo Sartre. À primeira vista, o peso da liberdade depositado no homem pelos filósofos existencialistas pode parecer excessivamente pessimistas, fatalistas, de uma solidão extrema no íntimo de nossas decisões. Mas, ao contrário, o existencialista coloca o futuro em nossas mãos, nos dá total autonomia moral, política e existencial, além da responsabilidade por nossos atos. Crescer não é tarefa das mais fáceis.

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