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14 de janeiro de 2014

Autoajuda.


Me disseram um dia que os textos que eu escrevo estão cada vez mais autoajuda, algo que sempre critiquei. Os livros de autoajuda não são os meus livros preferidos, por certo. O mais impressionante é que, mesmo sendo textos que lembrem textos de autoajuda, e, parando para refletir sobre a profundidade do que seja autoajuda, devo admitir, sou adepta e admiradora dos 'auto'.

Autoexílio, autocrítica, autoafirmação, autoinstrução, e por aí vai. Deve ser por causa dos meus quarenta e pouco anos bem vividos. Bem vividos de forma que não há como me esquecer que tudo que vivi me serve como mola mestra para alavancar meus dias futuros. E com 'muita autoajuda'. Deus (que eu creio) compreende meus arroubos de curiosidade e tem sido muito paciente comigo, duro muitas vezes, me fazendo compreender que eu sou a principal fonte de ajuda que preciso buscar, mesmo errando tanto e sem o menor problema para me dizer arrependida de muita coisa.

Deus, a vida, minhas escolhas. Estão sim, dentro de mim, os botões liga e desliga. Estão dentro de mim os sentimentos bons, ruins, os alertas positivos e negativos. Estão dentro de mim, na minha consciência, nas minhas autocríticas, o que devo fazer. Vou se EU quiser, faço se EU quiser. Daí, a briga tem que ser comigo mesma e, adepta do autoexílio, afim de expurgar minhas aflições e coisas ruins, de me resolver, serei responsável pelas consequências de tudo que EU fizer daí pra frente.

Esse autoexílio espiritual não é muito compreendido pela maioria. Hoje se vive uma orgia social degradante. As pessoas precisam mais de si mesmas e menos dessa bagunça social, em que TEM que se relacionar com muita gente, TEM que ter um parceiro, TEM que ser socialmente aceito, de qualquer forma. Precisam entender que a solidão é necessária para que suas relações se tornem mais saudáveis (ou mais seletivas), a partir do que você 'briga' consigo mesmo. Não necessariamente você precisa ser bonzinho, sociável o tempo inteiro. Muito pelo contrário. 

Tenho observado que as pessoas mais bem resolvidas e, de certa forma, mais realizadas, são as mais amorosas DENTRO da sua própria casa, ENTRE OS SEUS, para os POUCOS que as suas autocríticas e suas 'autobrigas' lhe remetem a se transformar, se moldar, como uma escultura que se esculpe a si mesma. Sim, foi a duras penas que aprendi e tenho aprendido, muito cá dentro de mim, o que vale a pena nessa vida. E, nessa autoavaliação, compreendo que existem muito piores 'duras penas' por aí. E como tem.

Duras penas porque talvez tenho me permitido MUDAR, me aceitar melhor, parar de uma vez por todas de fazer escolhas equivocadas, ouvir mais, SENTIR coisas mais prudentes. Amadurecimento, talvez, que seja. Só está me fazendo bem, porque me sinto protegida, mais feliz, sem viver mais querendo ir sempre contra a maré, só para me sentir inserida socialmente. Quanta bobagem, quanta bobagem. A coragem de mudar, a partir da sua busca interior de mudança é para poucos. Muitos se arvoram em dizer que são corajosos por se mostrarem contra todos e contra tudo, num desejo desenfreado de chocar a sociedade, como diria um velho amigo meu.

Pois pra mim chegou muita coisa. Simplesmente troquei umas coisas por outras e percebi que, num comparativo com uma dieta, minha alimentação continua bastante prazerosa, nessa substituição alimentar interior que ando fazendo. E como tenho ficado mais saudável e 'magra'. Claro, os problemas estão aí para serem resolvidos, mas, como fugir deles? Se encostando em alguém para resolve-los? E sua autorealização? Coisa feia gente sem escrúpulo, que se realiza no outro. Sou auto, sou eu, e quero, com toda sensibilidade, buscar cada vez mais sabedoria nos meus atos, palavras, vida, repassar isso pros que amo e me amam de verdade, nem que para isso precise TER sim, muitos e muitos livros de autoajuda, dentro de mim.


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