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20 de fevereiro de 2014

20 de fevereiro

O dia 20 de fevereiro é sempre diferente. Muita gente já passou por isso e compartilhará comigo desta falta. E não é se fazer de vítima, mas, ao mesmo tempo, sempre e sempre se sentir 'vitimada' por um acontecimento que você sempre acha que nunca vai acontecer com você, a não ser no decorrer da vida mesmo, por causa de velhice. Hoje, dia 20, faz 22 anos que minha mãe faleceu, aos 56 anos.

Sim, ela era muito nova e cheia de vida. Uma vida que era estampada em seu rosto branquinho, que ruborizava até quando ria. E eu sempre me lembro dela, ainda com muita saudade. Mas a morte traz consigo uma situação de impotência e as perdas trazem consigo uma certa complacência, generosidade e altruísmo. Quando vejo meus amigos com suas mães vivas, fico pensando em como a vida deles também vai mudar quando perdê-las. Imagino que os que as tem aí, vivas, não consigam nem imaginar a dor de não tê-las perto, vivas e pulsantes.


Para mim ainda é meio sem explicação e acho que também vou morrer sem entender porque ela se foi tão cedo e eu a perdi tão cedo também. Decerto as explicações estão aí na minha cara e eu que não enxergo. O que sei é que ainda sinto saudade e consigo me lembrar de tantas coisas, detalhes, tantos anos depois. Não me consterna apenas o fato dela não estar mais aqui conosco há tanto tempo, me consterna a dor que ainda dói, as vezes parecendo que foi ontem. 


Mas ninguém sabe disso. Há um sofrimento ali, calado e, quando revelado, quem sabe pode até ser banalizado com um: '..ah, mas a vida é assim mesmo..'? Hoje, há 22 anos, foi o dia mais triste da minha vida, sem a menor dúvida. Perdi uma alegria e a pilastra de sustentamento de várias coisas que sustentavam minha vida. Tive que aprender mesmo a sentir que precisava aprender a de uma vez por todas, 'me virar sozinha', embora tivesse mais família ao redor. O cordão umbilical foi extirpado de vez e eu tive que aceitar.


O 'me virar sozinha' não quer dizer que não me virava e que, como adulta não deveria ser assim. Mas sua vida sempre é direcionada a ela, não tem jeito. A falta que faz é como um dedo que foi cortado, um membro, que, mesmo você tendo que se 'acostumar', usar os outros como substituição, não se acostuma, ele fica ali, fazendo falta. Minha mãe ainda me faz falta e acho mesmo que seria tudo diferente se ela não tivesse morrido. Se melhor, se pior, não sei, mas que eu sempre dormiria ainda tendo a sensação de que jamais estou sozinha, inconscientemente, ah, isso eu sei que dormiria.




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