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1 de julho de 2016

Sororidade.




Aí eu me deparo com essa notícia hoje. 

Uma das mulheres mais bonitas do Brasil, modelo famosa, hoje com uma vida bem estruturada, sendo agredida brutalmente pelo atual companheiro. Meu estômago revira, sinto ânsia de vômito, ao mesmo tempo que minhas vísceras se contraem com sentimentos de raiva, de ódio, de indignação. E com a reflexão de que, independente da mulher, que ela seja pobre, rica, linda, modelo, feia ou amarela, ela pode ser vítima de um companheiro violento e de uma relação abusiva.

E corri para escrever porque me vi ali no lugar da Luiza. Sim, e no lugar da Joana, da Tereza, da Maria. De qualquer uma, porque já passei por isso em uma situação que jamais imaginaria passar. E, pasmada, ainda sigo sabendo que o agressor está por aí a repetir suas agressões, suas manipulações destrutivas e se comportando como um bom moço, dizendo aos quatro ventos que são 'normais' brigas e agressões entre casais. 

E imagino que a Luiza, linda, viu sua auto estima desmoronar, tentou sublimar isso várias vezes, na tentativa de não se expor. Até ter suas costelas quebradas, tendo certeza de que ali sim, não podia mais se mover direito em direção ao seu bem estar. Que as marcas deixadas, indeléveis, em sua alma, agora são transferidas para seu corpo. E eu vi as marcas roxas em meu corpo me dizendo, enquanto não sumiam, que eu era culpada por estar ali daquela forma. Que eu estava permitindo isso por essa e por aquela razão, então, que eu sofresse mesmo sozinha aquilo tudo. Que eu merecia. Ainda hoje ao relatar a algumas pessoas esse fato, sinto um ar de banalização e um olhar de acusação..até de mulheres.

Até que um dia acordei. E Luiza deve ter acordado, reunido forças e ido denunciar um covarde que, óbvio, não sabe tratar seus problemas de forma equilibrada e simplesmente seguir em frente. Não, ele precisa agredir, bater, socar alguém mais frágil que ele. Me julgo uma mulher forte, mas fui imobilizada e recebi socos na barriga e jogada ao chão, para poder ser mais imobilizada ainda e ser mais agredida ainda. Isso, seguido de xingamentos e palavrões que imagino a Luiza também já deva ter ouvido. 

E hoje abomino qualquer tipo de relação abusiva. Não aceito que nenhum homem fale comigo com poucos decibéis a mais do que o bom tom de voz seja aceito. Olho logo a possibilidade de chamar a Polícia e pessoas ao redor se vejo algum comportamento abusivo, seja comigo ou com outrem. Relações abusivas podem surgir de onde você menos imagina: de irmãos, de pais, de tios, primos, amigos. Não há mais como aceitar isso e carrego comigo a revolta de não ter ido denunciar um ser desprezível que ainda me ameaçava e do qual tive que fazer de tudo para conseguir me livrar. O medo da exposição, a vergonha, do opróbrio, a autocomiseração me consumiam e até hoje ainda, de certa forma me consomem.

Nunca passa. Antes ficava imaginando como a mulher se colocava numa situação assim e porque simplesmente não reagia e não saía dela. Hoje sei o quanto é difícil e, muitas vezes, impossível sair, sem antes percorrer caminhos terríveis de vergonha e situações extremamente ameaçadoras, envolvendo filhos e etc. Volto a dizer que isso tem que acabar. Tenho ouvido relatos de relações entre jovens que os rapazes agridem as moças com xingamentos e violência física e elas aceitam como normalidade. Não, meninas, não é normal! 

Ao menor sinal de falta de respeito, procure alguém do tamanho dele e denuncie! Faça-o saber que não está sozinha, porque qualquer covarde se sente ameaçado por alguém maior. O covarde pode até usar uma arma ou algum escudo contra você, mas não poderá usar isso contra autoridades ou contra sua família e amigos de verdade. Um covarde pode até ser valente, mas em algum momento mostrará que só consegue bater em você, porque você é o alvo mais fácil que ele encontrou, por SABER TUDO SOBRE VOCÊ. Em se tratando de companheiro, saberá seu ponto frágil, tentará te desmoralizar, acabar com sua auto estima e uma auto estima de uma mulher quando destruída, muitas vezes, desmorona todo o resto.

Não tente revidar suas agressões físicas porque você não vai conseguir. O homem é mais forte fisicamente muitas vezes e um covarde triplica sua força quando sabe que está sendo ameaçado pela sua presa favorita. Seria assim com um cachorro, um gato, algo menor que ele. O covarde agressor não te respeita mais, então, não caia na armadilha das suas palavras mais brandas, nos seus momentos de total 'desespero', urrando por perdão. É mentira! Ele vai voltar sim a te agredir quando você menos esperar. Não acredite mais e se afaste dessa remota possibilidade.

Falas e movimentos machistas demais, piadas em tons degradantes, comportamentos repressores são sempre um sinal de alerta. Sim, pode parecer radical, mas me armei com um arsenal bélico mais inteligente desde então. Me afasto sim, seja qual for o grau de proximidade que esse ser tenha de mim. 

Sinto sim pela Luiza, como creio que ela jamais saberá que sinto. Sinto por todas as mulheres agredidas, estupradas, violentadas diariamente, que precisam conviver com homens desrespeitosos, infames, sem respeito pela própria mãe, talvez. Me tornei alguém que trata disso com muita seriedade porque parece que algo só passa a ser sério mesmo quando acontece com você. E Luiza vai conseguir continuar linda sim, enquanto o covarde lá, vai continuar agressor, só que com uma diferença: agora sendo um agressor violento denunciado.

Aí eu vou seguir em frente, linda, maravilhosa, mas com o sentimento de que não denunciei quando deveria, mas que isso tem que acabar. Ao menos comigo, já acabou.

2 comentários:

Anônimo disse...

Nesse post você demonstra defender super os direitos da mulher,
já nesse de 2007, enfatiza o "loira" na tentativa de ofender... entre outros..
seria uma evolução na maneira de pensar?

De Tudo de Helena disse...

Olá, não sei a que post se refere, mas tenho quase certeza que sim, penso absolutamente diferente hoje, aliás, em muitos pontos de vista e assuntos.