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12 de março de 2017

O ENGANO COMO FERRAMENTA.



Calímaco, recém-chegado de Paris. Lucrécia, bela e religiosa mulher. Ele se apaixona por ela. Mas ela é casada com Messer e jamais se envolveria em traição. O apaixonado, então, descobre que o casal era infértil e tem uma ideia.

Calímaco finge-se médico. Afirma ter poção mágica, capaz de fazer Lucrécia engravidar. Como? Ela teria que ter relações sexuais logo após a medicação. Problema: quem dormisse com a jovem neste intervalo morreria.

Pensando em si, Messer concorda com a traição da esposa. Frei Timóteo, após receber valores de Calímaco, convence Lucrécia que para se chegar ao bem (ter filhos) é, por vezes, necessário passar pelo mal (adultério). Ela aceita.

Na noite da relação, após experimentar prazer incomum, Lucrécia descobre a farsa. Calímaco se declara à jovem. E o que ela faz? Continua. O apoio do frei, da mãe e do marido, segundo a jovem, era sinal de providência divina. E ela não recusaria “presente dos céus”.

A obra Mandrágora de Maquiavel, narrada acima, faz crítica à moral e revela como a vontade desestabiliza as regras que temos. Na peça, todos concordam com a traição. O marido, por egoísmo. O frei, por dinheiro. Lucrécia, por prazer.

Mas todos têm justificativa. Messer quer ser pai. Calímaco ama. O frei engana por distribuição de renda. E Lucrécia trai por vontade Divina.

Todos utilizam o engano como ferramenta. É a relativização do certo pela vontade.

No texto de hoje, reflita sobre o uso do engano como ferramenta para você não fazer o certo. É a alimentação desregrada, mantida em razão de aniversário, carnaval, natal etc. É o estudo não iniciado por filhos, juventude, prazeres. É a infidelidade praticada por questões biológicas, sociológicas ou circunstanciais. 

Não se engane. Você apenas usa o engano como ferramenta para continuar no erro sem se sentir mal. É o emagrecimento da consciência, que fica leve pelo engodo. 

E qual o problema? O problema é que a mentira sobre o comportamento não altera o resultado que dele provém. O erro impede as consequências do acerto. Não há vida saudável, progresso profissional, cumplicidade na relação...

Portanto, apesar do costume de usar o engano como ferramenta, não use.

[Texto do Samer Agi]

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