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22 de junho de 2017

Enfim o chapéu violeta.

Aos 3 anos: Ela olha pra si mesma e vê uma rainha.
Aos 8 anos: Ela olha pra si e vê Cinderela.
Aos 15 anos: Ela olha pra si mesma, vê uma bruxa e diz: 'Mãe, eu não posso ir pra escola deste jeito!'
Aos 20 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, decide sair, mas vai sofrendo.
Aos 30 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas decide que agora não tem tempo pra consertar; então vai sair assim mesmo.
Aos 40 anos: Ela olha pra si mesma e se vê muito gorda, muito magra, muito alta, muito baixa, muito liso, muito encaracolado, mas diz: pelo menos eu sou uma boa pessoa, e sai mesmo assim.
Aos 50 anos: Ela olha pra si mesma e se vê como é. Sai e vai pra onde ela bem entender.
Aos 60 anos: Ela se olha e lembra de todas as pessoas que não podem mais se olhar no espelho. Sai de casa e conquista o mundo.
Aos 70 anos: Ela olha pra si mesma e vê sabedoria, risos, habilidades. Sai para o mundo e aproveita a vida.
Aos 80 anos: Ela não se incomoda mais em se olhar. 
Põe simplesmente um chapéu violeta e vai se divertir com o mundo.

Talvez devêssemos pôr aquele chapéu violeta mais cedo!

Mário Quintana

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