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21 de outubro de 2017

Poesia.



Quando eu era adolescente rasguei um caderno de poesias que escrevi. Não tive tempo nem memória para relembrar tantas poesias que soprei, cantei e fiz em melodia até, sozinha, deitada na cama da minha mãe, escrevendo e balançando as pernas, enquanto viajava. Eu e eu. Só eu soube. Só eu li. Cresci e reproduzi. Caíram ontem algumas lágrimas que me foram metafisicamente postas no rosto e que vieram da memória. Rememorei, então, cada página daquele caderno que guardei a sete chaves para que não me reconhecessem ali... coisas da adolescência. Rasguei e queimei umas 40 ou 50 poesias porque eram um terremoto, um maremoto e um talvez assovio, ou uma flauta doce ali. Mas eu não tinha coragem de mostrar a ninguém, já que poesias dizendo eu, o meu eu, a minha alegria em brincar pela primeira vez sozinha de escorregadeira ou que eu havia sentido saudade de alguém me pareciam vergonhosas demais. Mas a poesia voltou ontem na forma de um filho, anos depois disso tudo e vai se eternizar. A vida é assim, tudo que é bom retorna. Ou não sai de dentro de nós.

Belo trabalho do meu filho Daniel e da equipe que o produz enquanto artista que faz poesia também cantada. Uma das coisas lindas que salvaram meu ano.

Enquanto houver poesia.

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