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1 de dezembro de 2017

Eu queria.

'Eu queria tanta coisa que não sei nem por onde começar. 
Queria ser bom em Krav Maga. 
Resultado de imagem para krav magaBom mesmo, desses que andam na rua e alguém diz “Olha lá o Neto...ele é uma arma viva. Não mexe com ele”. 
Eu andaria pelas ruas gingando levemente os quadris, como um Bruce Lee Israelense. 
Aí entraria num shopping e teria um piano no atrium. 
Um desses pianos de cauda encerados. 
Eu sentaria e abriria a tampa, displicente. 
Jogaria a franja para trás, num gesto que copiei do Dr. Rey. 
Tocaria um Do, depois um Sol. 
O segurança viria em minha direção porque ele acharia que é proibido qualquer um sentar e tocar o piano. Nem é, mas ele sofre de síndrome de pequenos poderes, então vem em minha direção com olhos de predador. 
Quando está a uma jarda de distância (porque eu saberia quanto é uma jarda), me levanto lentamente e tasco-lhe um golpe de Krav Maga no pescoço. 
Enquanto ele tenta recuperar o fôlego, estrebuchante no chão, eu sento e toco impecavelmente a Sonata n°16 em Do Maior de Mozart, porque tocar piano como um virtuoso é outra coisa que eu queria fazer. 
Quando termino, os clientes de todos os andares do shopping estão debruçados me aplaudindo. 
Olho para trás e o segurança está sentado no chão, me aplaudindo. 
Instantaneamente estarei no YouTube, filmado por diversas testemunhas. 
Agora o shopping é em Singapura. 
Gente de varias nacionalidades vêm falar comigo. 
Respondo a todos em suas línguas natais (eu saberia o plural de todas as palavras compostas), porque ser fluente em 8 línguas é outra coisa que eu queria. 
Agora estou no aeroporto embarcando em
meu jatinho particular, porque ser muito rico seria bom. 
Eu mesmo pilotaria o jatinho. 
Viajaria de um país para outro como quem troca de estação no Metrô. 
Moraria numa vila no sul da França. Ou no norte, sinceramente não sei a diferença. 
Eu saberia se morasse lá. 
Uma vila dessas cheias de plantas. 
O Sting viria na minha vila fazer um pocket show no meu aniversário. 
Na vila estarão meus amigos e alguns moradores de uma cidade próxima cujo nome termina com “sur mer”. 
Se alguém bebesse muito eu não daria um golpe de Krav Maga, mas pediria que a pessoa se retirasse. 
Então sentaria no piano do Sting e faríamos um dueto. 
As pessoas ficariam impressionadas ao perceber como eu seria afinado.
Então, para me surpreender, meus amigos convidariam para fazer o bolo ninguém menos do que o Gordon Ramsey. 
Eu detestaria o bolo e daria um golpe de Krav Maga nele. 
O chefe de polícia da cidade diria para um vereador “...mexeu com o Neto é fogo...é uma arma viva”. 
Tem muito mais coisas que eu queria. 
Mas agora eu só queria poder dormir mais meia hora.'

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Adoraria ter escrito esse texto. Era tudo que eu também queria.
Escrito por Mentor Neto.

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