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25 de maio de 2018

leds

Um lugar escuro, sombrio, com uma rampa de entrada imensa, os espaços reservados para as garagens de cada carro muito apertados, separados por pilastras de sustentação, daquele lugar que mais parecia um calabouço de filmes antigos. O cheiro era de mofo e umidade. A garagem que alugamos para guardar nosso carro e eu teria que retirar o carro e guardar todos os dias, ainda aprendendo a dirigir, era esse.

Quando casei (ainda muito nova), a casa onde morávamos não tinha garagem e tivemos que alugar uma garagem numa quadra próxima. Recebi uma ligação do marido que havia tido um pequeno acidente e seu pé havia sido imobilizado e eu teria que ir buscá-lo no trabalho. Como sempre fui muito abusada, embora não soubesse dirigir ainda de forma que soubesse também tirar e colocar o carro daquele lugar e embora estivesse morta de medo, insegura, tremendo, disse que iria.

Lembro que, sozinha, na primeira vez, além de ir até o lugar, a noite, entrei no escuro, sentei naquele carro olhando aquele lugar e só queria sair dali. Precisava conseguir. Para colocar o carro a dificuldade era muito maior, já que tinha que arruma-lo naquele mínimo espaço de ré, para facilitar na hora da saída. Só que o espaço de sair, quando haviam outros carros, também era tenebroso. Vai na frente e dá ré, vai para a frente e dá ré. Engata a primeira e sobe agora naquela rampa apertada e alta sem parar, porque se parar, o carro desce e pode bater o fundo no chão ou em outros carros. 

Certo, conseguia, com medo mesmo. E comecei a dirigir daí. Umas amigas se espantaram e me perguntaram como eu havia conseguido dirigir, dominar a direção com tanta segurança daquele jeito em tão pouco tempo. Ladeira pra mim já era fichinha daí em diante.

Lembrei disso hoje, ao sair de um estacionamento parecido, onde também tinha uma rampa de entrada alta, íngreme, alcantilada. Nenhum medo, nenhuma insegurança, nenhuma tensão. Nada me aterrorizava mais, já que esse tipo de desafio já não faz mais meu coração tremer, nem afunda minhas emoções. Subi como se estivesse comendo um pudim, que adoro. O cheiro de mofo e a rampa íngreme me fizeram lembrar do quanto eu cresci, evoluí, me curei, afunilei meus desafios e medos. 

Uma felicidade imensa em saber que tudo passou e eu subo, desço, refaço, entro, saio, busco, consigo e alcanço meus objetivos e inseguranças emocionais com a segurança de quem já experienciou uma vida. Me importa saber que preciso me valorizar e valorizar meus aprendizados e sucessos. Tinha e tenho medos sim (ainda), mas eles vão se congelando e quanticamente os rejeito, trocando por sentimentos de desejos positivos. Entendi que já fazia isso, inconscientemente.

Meus cantos escuros, sombrios já não são mais assim. Clareei com luzes imensas, fortes, positivas, 'leds' que nunca se apagam e que não se apagarão nem quando eu morrer. Deixarei sim, luzes espalhadas por onde eu andar, por onde eu estiver e passar. Não tive nem terei mais dificuldade nem de sair, nem de entrar em lugar nenhum porque a expansão da consciência dos 'porques' me conduzem e nada, nada mais vai ser ao acaso. 

Eu precisava ter alugado aquela garagem, meu marido precisava ter tido o problema na perna, eu precisava sentir aquele cheiro de mofo e quase sempre chamar por minha mãe e chorar até, com medo, pavor e insegurança naquele tempo, para poder hoje enxergar ladeiras íngremes como se fossem 'pudins'. Superação e experiência, viver e alcançar, sair e chegar, porque eu estou aqui para SER, mudar e sempre, sempre voltar ao que me faz ter a certeza de quem sou hoje.

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